Torres del Paine: como é a caminhada até as torres de pedra

Chega a ser surpreendente que o fantástico Parque Torres del Paine no Chile não seja um destino tão conhecido pelos brasileiros, pois além de ser imenso, com uma área de aproximadamente 242.000 hectares, tem paisagens de tirar o fôlego.

Dentro dessa imensa área se encontra a cadeia montanhosa Del Paine, com as famosas Torres del Paine que dão nome ao local, além de uma grande quantidade de lagos, rios, cascatas e glaciares. Um mais lindo que o outro, diga-se de passagem.

Localizado na Patagônia chilena, existe como parque desde o final da década de 1950 e foi declarado Reserva da Biosfera pela UNESCO em 1978.

O parque é tão grande e tem tantas atrações que o ideal para conhecê-lo é acampar por alguns dias por lá e a cada dia fazer um trajeto diferente. Para isso existe alguma estrutura lá dentro e todos os equipamentos podem ser alugados na cidade de Puerto Natalaes.

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Vista da trilha que segue para as torres de pedra

Existem circuitos de trilhas tão grandes que levam vários dias para serem completados. O circuito “W” leva aproximandamente 4 dias e são 76,1 Km. Já o circuito “O” leva em torno de 7 dias e são 93,2Km! Ou seja, são circuitos para quem está realmente disposto a passar vários dias acampando e caminhando dentro do parque. O nome desses circuitos se deve aos trajetos, que se assemelham a um W ou O se vistos do alto.

Aqui tem bastante informação a respeito dos acampamentos e refúgios que existem dentro do parque, as comodidades que cada um oferece e os custos para quem deseja passar alguns dias por lá:

http://www.wikiexplora.com/Parque_Nacional_Torres_del_Paine#Distancias_adentro_del_Parque

Mas para quem não tem tempo (como era o meu caso) ou disposição para isso, existe uma opção bem bacana que é fazer a trilha até as famosas torres de pedra, o coração do parque, ou seja:

Um “trekking day” Em Torres del Paine

A trilha não chega a ser pesada, mas exige algum preparo pelo menos, pois são no mínimo 8 horas entre ir e voltar desde a recepção do parque até a base das torres. Eu classificaria como nível de dificuldade mediano, mas se você estiver há muito tempo sem atividade física pode sofrer um pouco.

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Pontes ao longo da trilha. Ao fundo um alojamento

Como chegar em Torres del Paine

Uma coisa interessante é o isolamento do parque, o que é bem bacana por sinal, pois ajuda a preservá-lo. A cidade mais próxima é Puerto Natales e mesmo assim ela está a 112km da entrada do parque!

Puerto Natales é o principal ponto de entrada para os visitantes do parque e também o término da linha marítima proveniente de Puerto Montt, que fica uns 2.000Km ao norte. É uma cidadezinha bem pequena, mas bastante charmosa. A maioria dos turistas que não acampam no parque se hospedam por lá, ou ao menos passam por lá antes de se dirigir ao parque.

De Puerto Natales a Torres del Paine

Existem ônibus e vans que partem de Puerto Natales bem cedo rumo ao parque e retornam no final da tarde. Eles costumam buscar os passageiros onde estão hospedados, então basta contratar o serviço nas recepções dos hostels e hotéis no dia anterior.

O trajeto leva pelo menos uma hora e meia.

Dentro do parque

Chegando na recepção do parque é possível pegar uma van (que é paga à parte) do próprio parque e avançar alguns quilometros até o verdadeiro início da trilha ou seguir a pé até lá. Acho a opção da van melhor, pois não tem nada interessante pra se ver nesse trajeto inicial, é uma simples estrada plana e sem atrativos. Não compensa caminhar esse trecho e já chegar cansado na trilha.

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Quase no centro da foto, meio escondido entre as nuvens, o objetivo da caminhada: as 3 torres de pedra vistas da entrada do parque.

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Estacionamento na recepção do parque

Nesse ponto onde a trilha realmente começa existe um hotel com uma boa infraestrutura, que imagino não ser nada barato. Mas é uma opção de hospedagem dentro do parque, dependendo do seu perfil de viajante ou se pretende ir com família.

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Cabanas do hotel que existe dentro do parque, logo no começo da trilha

A trilha

Existem várias opções de trilhas mais curtas, mas para um trekking day com certeza a opção mais legal é ir até a base das torres.

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Um trecho da trilha para as torres

A trilha em si não tem pontos difíceis com escalada ou algo do gênero. Tanto que vi pessoas de várias idades percorrendo o caminho. Também não tem uma variação de altitude muito grande. Ela é apenas bem extensa (como já citei leva umas 4 horas do inicío até as torres), mas tem muitas paisagens fantásticas ao longo do caminho, o que torna a caminhada sempre muito interessante.

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Belas paisagens não faltam durante o percurso

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Mesmo no verão é possível ver neve eterna em alguns pontos mais altos

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Com alguma sorte é possível ver os enormes condores sobrevoando as montanhas

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Na trilha…

A parte mais difícil da trilha é apenas no final, quando é necessário avançar subindo por um monte de pedras totalmente irregulares, sendo que ali não existe uma trilha propriamente dita, apenas marcações que indicam para onde seguir.O legal é que quando se chega nesse ponto e só se vê um monte de pedras a sensação é de “puxa, mas andei tanto e agora só tem isso?”. E aí, logo que se vence as pedras, você dá de cara com um visual surpreendente, realmente de tirar o fôlego, daqueles que te deixam alguns segundos sem saber o que dizer! Esse é o ponto chamado de “Mirador Las Torres”, onde termina a trilha e se tem uma vista fantástica de um belo lago encravado num vale e as três torres de pedra ao fundo. É o tipo do lugar onde se precisa estar para entender e sentir, pois palavras e fotos não são suficientes descrever sua beleza!

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A parte sem trilha, onde se avança pelas pedras. Esses marcos laranja indicam o caminho

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E finalmente, as Torres del Paine! Olhando assim isso parece pequeno, mas não se engane, caberia um navio nesse lago

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Depois de tanto esforço, a hora de relaxar, descansar e curtir a vista. Sempre tem mais gente nesse lugar, mas é amplo o suficiente para achar um cantinho e aproveitar o momento em paz…

É importante saber!

É importante não esquecer de levar comida e água, pois dentro do parque as opções são limitadíssimas ou até mesmo você não encontrará nada para comprar! Como é quase certo que você virá de Puerto Natales, então compre tudo por lá.

E, lógico, use roupas adequadas para trilha.

Quanto às temperaturas, a melhor época para ir é o verão, pois os invernos constumam ser gelados por lá. Eis uma tabela de temperaturas médias no parque

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov  Dez
Média (°C) 10.3 10.4 8.9 6.9 4.3 2.1 1.9 3.2 5.2 6.9 8.8    9.7
Máxima (°C) 14.5 13.8 12.6 11.1 10.2 7.3 7.9 6.7 7.4 9.4 11.5  13.2
Mínima (°C) 3.2 2.9 2.9 0.6 0.3 -1.5 -2.3 0.5 2.4 2.8 3.0     3.2

Ah, eu falei da caminhada até as torres, mas existem outros pontos fantásticos do parque que tem mais infraestrutura e acesso descomplicado, podendo ser conhecidos facilmente através de tours que partem de Puertos Natales. Você pode reservar um dia para a caminhada e outro para um tour desses.

 

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Curaçao ou Aruba: qual ilha escolher?

Eu até poderia começar o texto logo com um spoiler, mas vamos escrever um pouco antes de dar um parecer…

Curaçao e Aruba são duas ilhas caribenhas muito próximas, porém com algumas características diferentes.

Uma grande vantagem de ambas as ilhas é o fato de estarem longe da rota de furacões e, portanto, são bem tranquilas de serem visitadas no segundo semestre do ano, a época da temporada de furacões no Caribe.

As duas ilhas foram colonizadas pelos holandeses e fizeram parte das antigas Antilhas Holandesas. Hoje integram o Reino dos Países Baixos, sendo Curaçao independente e Aruba considerada um território autônomo. Na prática isso significa que as ilhas são consideradas independentes, mas continuam tendo uma estreita ligação com a Holanda, que não as governa diretamente, mas aprova governadores e mantém muitos serviços e instituições.

Uma coisa é certa: as duas ilhas tem uma intensa exploração turística. Mesmo tendo praias tranquilas afastadas das cidades, ainda assim são um destino bem ao estilo “turistão”. Se você procura coisas como aventura, hospedagem barata, fazer trilhas pela mata e coisas do tipo, lá não é o melhor lugar. Existem outras ilhas do Caribe não tão exploradas comerciamente e bem mais indicadas pra esse perfil.

As principais diferenças

A capital de Curaçao, Willemstad, é um capítulo à parte, pois é a grande atração da ilha, além das praias, claro. Suas coloridas casinhas holandesas, as ruas estreitas e muito limpas, a ponte móvel que faz a ligação entre suas duas partes… Tudo isso faz Willemstad ser um lugar muito especial e pitoresco.

As casas holandesas e ruas estreitas no centro de Willemstad

Observar o pôr do do sol e avançar noite adentro tomando um drink ou suco nas mesinhas à beira mar no centro de Willemstad não tem preço. (na verdade tem, e não é barato, mas vale cada centavo 😉 )

Agora vamos dar um pulo em Aruba. A capital, Oranjestad, é bem diferente de Willemstad. A maioria das construções são modernas, as ruas são mais largas e com várias lojas de grifes famosas, shoppings e cassinos. Mas isso não quer dizer que seja muito grande, na verdade o centro é bem pequeno. Apesar de algumas referências à arquitetura holandesa, é uma cidade bastante “americanizada”. É bonita, colorida e limpa, mas não tem o charme de Willemstad. Isso se dá porque, apesar da cidade ser praticamente tão antiga quanto Willemstad, as duas não se desenvolveram da mesma forma, tendo Oranjestad crescido mais tarde, já sob forte influência do turismo. A uns 3 ou 4 Km do centro ficam as zonas hoteleiras de Palm Beach e Eagle Beach, que são mais modernas que o centro e bem agitadas.

O centrinho de Oranjestad até tenta manter um pouco do estilo das construções holandesas, mas não passa muito disso… Esse shopping é de construção recente e cheio de lojas de griffe…

Por outro lado, existem ótimas praias dentro do perímetro urbano de Oranjestad, coisa que não acontece em Curaçao, onde as praias estão distantes de Willemstad.

Esta praia está a poucos metros do centro de Oranjestad, coisa que não existe em Willemstad

Eu fiquei com a sensação de que Aruba tem mais praias que Curaçao, mas talvez seja pelo fato de que elas são mais fáceis de ir do que as de Curaçao. Ah, outra coisa: muitas praias de Curaçao são pagas, e não vi isso nas de Aruba.

Locomoção

Em ambas as ilhas a locação de um carro é uma boa pedida, pois facilita muito as coisas. Dá pra usar apenas o transporte público, táxis e tours, mas além de se perder bastante tempo com deslocamentos, o gasto poderá ser até maior do que com carro alugado, pois os taxis são bem caros por lá e às vezes não há outra opção, já que os ônibus urbanos são bons, mas não muito numerosos e tem horários meio complicados. Perder de 40 minutos a mais de 1 hora esperando ônibus em plenas férias e sabendo que praias lindas lhe esperam é meio desanimador… Sem contar as caminhadas sob um sol de rachar…

Em Aruba, se você ficar hospedado em Oranjestad, seja na área central ou em Palm Beach e Eagle Beach, fica fácil ir para as praias próximas a pé, além de ter tudo o que é necessário por perto. Além do mais, Aruba tem uma linha de ônibus que circula pelo centro de Oranjestad e zona hoteleira. A passagem custa US$ 2,50.

Esses bondes turísticos percorrem o centro de Oranjestad. A passagem é free, mas andam tão devagar que é possível ir bem mais rápido a pé. São réplicas de bondes antigos, por isso não existe fiação elétrica.

Como Aruba é menor, é possível percorrer a ilha de ponta a ponta em cerca de uma hora (de carro), mas ainda assim, tem várias praias muito boas onde não se consegue chegar com o transporte público.

A belíssima Eagle Beach fica na zona hoteleira de Aruba (distante uns 4 ou 5Km do centro de Oranjestad) e em 2017 foi eleita a terceira melhor praia do mundo pelo Tripadvisor

Já em Curaçao isso é bem mais complicado, pois como já citei, não há boas praias em Willemstad. Se ficar hospedado nas regiões onde estão as praias você ficará distante das opções de comércio, restaurantes e diversão, que estão concentradas na capital da ilha.

Mas as praias de Curaçao não ficam atrás, como a deslumbante Kenepa Grandi…

Em Curaçao as vans são mais usadas que os ônibus e param em uma pequeno terminal no centro de Willemstad, mas servem mais para os moradores locais que para os turistas, por esse motivo elas não vão até as praias distantes da capital e sim para as zonas mais habitadas.

No quesito locomoção Aruba ganha.

Atividades

Além de curtir as praias, ambas as ilhas são ótimas para praticar snorkel. Em qualquer lugar, até mesmo em praias movimentadas, existe uma quantidade incrível de vida marinha a poucos metros da areia.

Repare na baixíssima profundidade. Praticamente em qualquer praia tanto de Curaçao quanto Aruba basta colocar a cabeça dentro d’água pra se deparar com essa riqueza de vida marinha

Esta foto é em Aruba. Ir para essas ilhas e não praticar snorkel é como ir pra Paris e não ver a Torre Eiffel

Mergulho também é uma atividade legal de praticar por lá. Existem muitas opções de locais para iniciantes ou veteranos.

Curaçao oferece mais opções culturais, já que Willemstad é uma cidade histórica, com alguns museus, exposições, prédios antigos, etc. Aruba tem outro estilo: Oranjestad é uma cidade mais moderna e que evoca mais as compras e o consumismo. Mas ambas são equivalentes em termos de opções gastronômicas.

Custos, hospedagem, etc

Não tem como escapar: Curaçao e Aruba não são destinos baratos. A alimentação principalmente é o que mais pesa no bolso por lá. É impossível almoçar e jantar razoavelmente gastando menos que uns 60 reais por refeição. Isso para uma refeição bem simples. E quanto mais o dólar sobe, mais nós brasileiros sofremos… Uma opção é comprar comida e bebida nos supermercados, o que sai mais em conta, porém produtos perecíveis, como verduras, carnes e vegetais sempre serão caros, já que não são produzidos nas ilhas.

Quanto à hospedagem, hostels e albergues por lá praticamente não existem. Há algumas poucas opções mais baratas de locação de quartos, casas e apartamentos pelo AirBnb, mas a maioria não é bem localizada. Então não adianta querer fugir muito: são destinos para se hospedar em hotéis ou resorts.

Aruba tem uma rede hoteleira mais sofisticada que Curaçao, com bem mais opções.

Em ambas as ilhas o dólar e euro são aceitos e usados (o dólar bem mais), mas elas também tem moedas próprias e não se pode usar o dinheiro de Curaçao em Aruba e vice-versa. As moedas próprias acabam sendo usadas mais como troco e para pagar coisas mais baratas, como ônibus e vans por exemplo.

Quanto tempo ficar?

Acho que uns 4 ou 5 dias pelo menos em qualquer uma das ilhas para conhecer bem e sem correria. Lembrando que – apesar de toda a beleza natural – estadias muito longas por lá podem se tornar meio tediosas, pois não há tantas atrações devido ao tamanho das ilhas. Sim, até mesmo o paraíso pode ser meio chato…

Então qual devo escolher?

Bom, minha conclusão é: já que vai viajar mesmo, tente dividir seu tempo e conhecer as duas ilhas! As duas são muito bonitas, não muito grandes, tem suas características próprias e são míseros 35 minutos de voo que as separam. Os gastos também serão semelhantes nas duas. Essa conclusão seria o spoiler que eu citei no início, mas se eu dissesse antes niguém leria o texto…

A menos que seu tempo seja realmente muito curto e seja impossível visitar as duas ilhas, acho que vale a pena fazer um planejamento incluindo tanto Curaçao quanto Aruba. E mais: se ainda puder dispor de uns dois dias livres tente incluir Bonaire no roteiro, destino sobre o qual eu já falei aqui.

Eu visitei as 3 ilhas em 14 dias, mas uns 12 já seria o ideal pra ver tudo com calma, divididos mais ou menos assim: 5 dias em Aruba, 5 em Curaçao e 2 em Bonaire.

E se só puder escolher entre uma delas, considere bem os pontos que citei acima e veja o que lhe agrada mais!

 

 

 

Trilha do Morro Pão de Ló: tudo o que você precisa saber

Procurando uma trilha de dificuldade baixa a média perto de Curitiba? A subida do Morro Pão de Ló é uma ótima pedida!

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Vista do alto do morro em direção à Serra do Mar

O morro fica no município de Quatro Barras, no início da Serra do Mar paranaense. Está bem próximo do Morro do Anhangava e do lado direito do Caminho do Itupava.

Com 1.300 metros de altitude tem um vista fantástica, ocupando uma posição privilegiada, de onde se avista a capital, as baias de Paranaguá e Antonina, o Complexo Marumbi e o Morro Anhangava.

O morro recebeu o nome de Pão de Ló (ou Loth como era originalmente) por se parecer com um tradicional bolo português. Foi um ponto de parada dos tropeiros que vinham do litoral pelo Caminho do Itupava e paravam na gruta aos pés do morro para dar de beber aos animais.

O nome do morro surge oficialmente em documentos datados de 1791.

Como chegar:

A caminhada começa no posto do IAP, em Borda do Campo, no início do Caminho do Itupava. Para chegar lá a partir de Curitiba pode-se ir de carro ou utilizando o transporte público.

Se for de carro existe estacionamento no local ao custo de R$ 15,00 o período (em março de 2018).

De ônibus é bem simples. É preciso pegar um dos metropolitanos que saem do terminal do Guadalupe em Curitiba até o terminal de Quatro Barras e de lá pegar outro, cujo ponto final fica a poucos metros do posto do IAP.

A trilha

A trilha para o morro é bem tranquila. Você vai seguir uns 2,5 Km pelo Caminho do Itupava, onde tem algumas subidas longas, mas nada difícil. O Morro Pão de Ló aparece à direita do caminho e é fácil identificá-lo, devido ao formato característico. Assim que ver o morro fique atento ao lado direito da trilha, pois alguns metros adiante haverá uma bifurcação à direita que é a trilha para a subida do morro. É fácil de identificar, pois é a única trilha bastante utilizada por ali, ou seja, está bem “batida”.

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O Morro do Pão de Ló visto a partir do caminho do Itupava

A partir daí é subida, mas nada muito pesado. Apenas em uma parte do trecho existem uns três degraus ou grampos de metal numa rocha para subir, porém é bem tranquilo.

Existe uma cachoeira bem próxima ao Caminho do Itupava (trajeto indicado em amarelo na foto) que vale a pena aproveitar para visitar. Não é muito grande, mas bem simpática. O mais interessante é deixar pra ver ela na volta, aproveitando o lugar para descansar.

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Mapa com o caminho aproximado para se chegar ao pico do Morro Pão de Ló. O traçado amarelo conduz à cachoeira.

Não esqueça de levar água, algo pra comer, ir com roupas apropriadas, etc. Ou seja, o normal para fazer trilhas. E aí é só curtir o visual lá do alto!

Ilhas gregas: como escolher?

A Grécia tem mais de 6000 ilhas e ilhotas, sendo 227 habitadas e 78 que possuem mais de 100 habitantes.

E como escolher para a qual ou quais ilhas ir numa viagem curta? Bem complicado, mas vou passar minhas impressões sobre o assunto, já que essa foi uma decisão difícil quando fui para a Grécia, mas acho que fiz a escolha certa.

Eu tinha apenas 12 dias para a explorar o que fosse possível da Grécia sem muita correria, sendo que 6 dias foram reservados para Atenas e Meteora, restando portanto 6 dias para as ilhas. Como era pouco tempo, resolvi que escolheria duas delas. Ok, mas quais?

Pesquisando descobri que as ilhas gregas se dividem basicamente em 6 conjuntos de arquipélagos com características bem distintas:

  • Ilhas Sarônicas
  • Espórades Setentrionais
  • Jônicas
  • Dodecaneso
  • Cíclades
  • Outras ilhas do Mar Egeu

Bom, diante disso, decidi escolher duas ilhas que fossem de arquipélagos diferentes e sobretudo que tivessem características muito diferentes entre si.

Aí foram pesando na escolha as mais famosas. Numa primeira peneirada sobraram: Santorini, Creta, Rodes, Mikonos e Delos. A única certeza que eu  tinha é que queria conhecer Santorini, mas ainda precisava tirar outras três da lista.

Santorini, além da beleza natural, é uma ilha vulcânica e pode-se dizer que teve uma colonização mais recente, já que é essencialmente o que restou depois de uma gigantesca erupção que destruiu os primeiros assentamentos humanos que existiam na antiga ilha e que criou a cadeia geológica atual. Santorini faz parte do conjunto das Cíclades.

Santorini era uma certeza no roteiro e valeu muito a pena

Bom, o que eu sabia é que a outra ilha teria que ser de outro arquipélago e ser bem diferente. Nesse ponto Mikonos (também das Cíclades) caiu fora da lista. Delos é diferente das demais, mas também pertence às Cíclades, então resolvi riscá-la também.

E assim escolhi Rodes, que fica no conjunto do Dodecaneso, distante das Cíclades e com ilhas de colonização bem antiga. Pesou na decisão justamente o contexto histórico e a oportunidade de conhecer o local onde existiu uma das 7 maravilhas da antiguidade: o colosso de Rodes.

Rodes também foi uma ótima escolha, tanto pelo contexto histórico…

…quanto pelas belas praias, como a fantástica Lindos no interior da ilha.

Como citei no começo, foram ótimas escolhas dentro do tempo que eu tinha. Se você está em dúvida entre quais ilhas escolher, eu acho válido usar esse mesmo critério: veja as características de cada uma e escolha ilhas de conjuntos diferentes para aproveitar ao máximo e não acabar indo em ilhas muito parecidas entre si.

Em posts específicos falarei sobre o que achei de cada ilha.

Grécia: roteiro bacana de 12 dias

Quando fui para a Grécia eu dividi metade da viagem com a Turquia e o meu medo era que os apenas 12 dias reservados para a Grécia fossem insuficientes para ver as coisas mais interessantes do país.

Mas o roterio acabou sendo perfeito, daqueles que dá vontade de compartilhar.

Claro que para conhecer a fundo o país precisaria de muito mais tempo, pois há muito o que ver por lá. Só nas ilhas gregas daria pra passar um ano visitando uma por dia, já que são 227 habitadas, fora as inabitadas… Porém, penso que esse roteiro foi legal pra ver o essencial do país, pois consegui visitar sem correria quatro locais bem diferentes e bem distantes entre si:

  • Atenas
  • Duas ilhas: Santorini e Rodes, mas o roteiro pode ser adaptado para outras
  • Meteora

O roteiro ficou assim:

1º ao 3º dia: Atenas.

4º ao 6º dia: Rodes. O meio mais comum para se ir de Atenas às ilhas gregas são os ferrys, que partem todos os dias do porto de Pireu. Porém Rodes é uma das ilhas mais distantes, estando mais próxima da Turquia, e por isso optei por ir de avião e não perder tempo, pois de ferry seriam 15 horas, contra apenas 30 minutos de voo.

7º ao 9º dia: Santorini. A ligação entre Rodes a Santorini é feita por ferrys, mas consulte os horários com antecedência. No inverno a frequencia diminui e precisei retornar a Atenas e tomar outro barco para Santorini, perdendo bastante tempo.

10º ao 11º dia: Meteora. Esse é um dos lugares mais fantásticos da Grécia, embora muitos brasileiros não saibam e o deixem fora do roteiro. Ir a Meteora é muito fácil, pois existem trens diretos desde Atenas até a cidade de Kalambaca (onde fica Meteora). O preço varia entre 15 e 20 euros por trajeto e o tempo de viagem é de pouco mais de 4:30 horas. O trem sai cedo da estação de Larissis (Atenas) e retorna de Kalambaca às 17:36 horas.

12º dia: Eu segui para a Turquia, mas esse seria o dia de retorno provavelmente à Atenas para quem vai voltar ao Brasil.

 

 

Casco Viejo, herança colonial no Panamá

O bairro de Casco Viejo foi um dos locais que mais gostei na minha viagem ao Panamá. Arrisco dizer que é o lugar mais legal dentro da Cidade do Panamá.

Também conhecido como Casco Antiguo, é o centro histórico da cidade. e considerado Patrimônio Mundial da Humanidade.

Não deve ser confundido com Panama Viejo, o que frequentemente acontece. Para se entender melhor, a coisa lá é mais ou menos assim:

A primeira cidade construída (ou o pouco que restou dela) é chamada hoje de Panama Viejo e foi fundada em 1519. Ficava mais a Nordeste e tudo ia bem até o pau quebrar feio durante um ataque de piratas em 1671. Nessa treta épica o pirata inglês Henry Morgan toca o terror e 1400 homens sob o seu comando tentam invadir e saquear a cidade. O tempo estava fechando legal pra galera que estava na cidade e para se defender o comandante espanhol local da época ordenou que explodissem os depósitos de pólvora, a fim de afastar os piratas e com isso o povo ter algum tempo pra cair fora. O jeito foi detonar boa parte da cidade para, ao menos, salvar alguns pescoços no meio do furdúncio que aquilo deve ter virado.

Os moradores que conseguiram vazar da lá e escapar dos piratas fundaram 2 anos mais tarde uma nova cidade, que fica a cerca de 10 km da antiga localidade. E essa nova cidade da época hoje já é bem velhinha e por isso é conhecida como Casco Viejo. Com o passar do tempo a região central da moderna Cidade do Panamá acabou se desenvolvendo no espaço compreendido entre as duas antigas cidades.

casco viejo mapa

O mapa da treta: a Cidade do Panamá se iniciou em Panama Viejo e tudo ia bem até os piratas tocarem o terror. Como tudo virou um salseiro, a galera fugiu e fundou Casco Viejo, onde finalmente viveram de boas. Mais tarde a parte moderna da Cidade do Panamá se desenvolveu entre esses dois locais.

O que tem pra ver

Casco Viejo é um local para ser visto a pé, até mesmo porque não é muito grande e as atrações são próximas umas das outras.

Pra facilitar as coisas segue o scan de um mapinha que peguei por lá. Vou usar os mesmos números nas dicas sobre os locais mais interessantes:

folder casco viejo.jpg

Paseo Las Bóvedas (Calle de las Flores) (1 e 4)

Chamam esse local de vários nomes. Além dos citados é conhecido também como Paseo General Esteban Huertas e Paseo de la Veraneras.

É uma ruela muito bonita, que passa através de um túnel de flores. O local proporciona um visual incrível da parte moderna da Cidade do Panamá. Também é possível ver navios que se alinham para entrar no Canal do Panamá. Neste local existem diversas barraquinhas vendendo artesanatos e lembranças do Panamá.

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O “túnel” de flores. Por isso chamam esse trecho também de Calle de las Flores

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Um pouco mais adiante, a vista da cidade do Panamá

Plaza de Francia (2)

O Paseo Las Bóvedas passa por cima de uma muralha que, após uma curta escadaria, termina nessa simpática praça, a qual presta homenagem aos franceses que ajudaram a construir o Canal do Panamá em sua primeira fase. Existe um monumento em forma de obelisco que lembra os 22 mil homens que morreram durante a construção, principalmente devido às doenças tropicais.

Na parte de baixo da muralha existem diversas portas de velhos galpões que antes foram usados como armazénes e dormitórios e hoje são ocupados por lojas e órgãos do governo.

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Plaza de Francia

Teatro Nacional (20)

Não é algo que chame tanta atenção, mas é um belo prédio. Foi projetado pelo arquiteto italiano Genaro Ruggieri, no estilo de teatro de opereta e inaugurado em 1º de outubro de 1908. Normalmente não fica aberto para visitação.

Catedral do Panamá (17)

A catedral, cujo verdadeiro nome é Basílica de Santa Maria la Antigua começou a ser construída em 1688 e demorou 108 anos para ficar pronta. Fica na Plaza de La Independência, local que podemos considerar a parte central de Casco Viejo. Para quem conhece outras igrejas espanholas no Novo Mundo, ela segue o estilo das demais, porém se destaca por sua imponência.

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Plaza Bolívar (21)

A praça homenageia Simón Bolívar, o militar e líder político venezuelano que lutou pela independência de vários países sul-americanos da Espanha. A praça em si é simples, mas bem arborizada, sendo um bom lugar para descansar na sombra, já que sempre faz calor nessa região.

Nos arredores da praça há duas igrejas para conhecer: a Iglesia de San Felipe de Neri e a Iglesia de San Francisco.

É também um bom lugar para comer nos restaurantes que tem mesinhas nas calçadas. Uma paella que comi por lá num final de tarde, já com o sol baixando no horizonte, a brisa do mar e o calor bem mais ameno, foi uma daquelas lembranças de viagem inesquecíveis!

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Iglesia de San Francisco na Plaza Bolivar

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Rua ao lado da Plaza Bolivar

Museu do Canal do Panamá (14)

Eu confesso que pulo alguns museus nas viagens, a menos que sejam bem interessantes. Mas este é um dos que valem a pena conhecer.  É um museu bem completo, com muitas peças interessantes e audiovisuais nada cansativos que contam a história do canal, explicam como era feita a navegação na região antes da sua construção, etc. A entrada custa U$D 10.00 e como tem bastante coisa pra ver reserve no mínimo meia hora para essa atração. Horários e outros detalhes estão no site do museu.

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Museu da História do Panamá (entre o 12 e 14)

Fica ao lado do Museu do Canal. Esse sim eu achei bem chatinho, além de não ter um acervo muito grande. A não ser que você tenha muito interesse no assunto, acho que é plenamente dispensável.

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Arco Chato (8)

É um arco de 10 metros de comprimento que fica no Convento de Santo Domingo, construído no século 17, mas que pegou fogo em 1756 e nunca foi reconstruído.

O arco é interessante pelo fato de que antes da construção do Canal do Panamá, havia uma disputa com a Nicarágua, que o queria em seu território. O arco, devido ao seu comprimento e antiguidade serviu como argumento de que o Panamá não sofria com terremotos como a Nicarágua, ajudando a convencer os construtores de que o canal deveria ser feito no Panamá.

Ainda assim, o arco desabou sem motivos conhecidos em 2003, mas foi reconstruído.

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Nesse dia o Convento de Santo Domingo estava fechado para obras de restauração, mas o Arco Chato é visível através da entrada

Algumas últimas dicas:

  • Para os cinéfilos: o filme do 007 Quantum of Solace foi filmado em Casco Viejo. O Instituto de Cultura (3, junto ao teatro) foi o hotel onde o agente ficou hospedado no filme e as Ruínas del Club de Clases e Tropas (5), que você facilmente vai identificar no início do Paseo Las Bóvedas foi o cenário de um baile no filme.
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    Instituto de Cultura, o hotel onde 007 ficou hospedado…

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    Em primeiro plano as ruínas do Club de Clases e Tropas, outro cenário do filme Quantum of Solace

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    Ruínas do Club de Clases e Tropas e a Cidade do Panamá ao fundo

  • O palácio do governo do Panamá fica em Casco Viejo. Dependendo do horário é possível até mesmo ver o presidente do país chegando ou saindo do Palacio de las Garzas (24).

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    Palacio de las Garzas

  • Uma coisa a se prestar atenção: Casco Viejo faz divisa com o bairro San Felipe, que é uma zona pobre e considerada perigosa. Então tenha cuidado para não sair de Casco Viejo e entrar em San Felipe acidentalmente. Eu fiz isso e logo vi algumas pessoas me olhando de forma pouco amistosa, então voltei rapidinho por onde havia vindo.

Bom, esse é um resumão sobre Casco Viejo, mas o que posso afirmar é que o local não deve ficar de fora numa viagem à cidade do Panamá!

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Pra fechar, um belo pôr do sol visto a partir de Casco Viejo em direção ao Canal do Panamá

 

 

Ilha do Mel: o que ver e fazer

As praias do litoral do Paraná estão longe de figurar entre as mais bonitas do Brasil (aqui é explicado porque), mas há ao menos uma exceção. Pouco conhecida por quem não é do estado, ou até mesmo por muitos paranaenses, a encantadora Ilha do Mel tem paisagens fantásticas e praias para todos os gostos.

A ilha fica na baía de Paranaguá, pertence a esse município e é administrada pelo Instituto Ambiental do Paraná.  Seu ponto mais próximo do continente fica a 4Km de Pontal do Sul.

Dos seus 2700 hectares, apenas 200 têm permissão de uso. O restante é reserva ecológica.

O turista dispõe de pousadas, campings e pequenos restaurantes. A ilha tem cinco vilarejos. Encantadas e Nova Brasília (ou apenas Brasília) são os dois principais, onde se concentram a maioria das pousadas e restaurantes. Fortaleza, Farol e Praia Grande são menores e ocupados quase exclusivamente por moradores locais. Não há ruas ou estradas, só trilhas, assim como não há veículos motorizados na ilha.

Tudo isso faz da Ilha do Mel um lugar bem diferente do restante do litoral paranaense, com uma vibe própria e um estilo mais alternativo que vale muito a pena conhecer!

Aliás, este é um post que pode ser lido com uma musiquinha pra entrar no clima. Se curtir um reggaezinho, clica aí na “Barca pra Ilha” da banda Djambi e deixa rolar. O clipe é meio velhinho, mas a música tem tudo a ver com a vibe da Ilha do Mel:

Então, com ou sem música, vamos embarcar pra ilha!

Como chegar:

O acesso à Ilha do Mel é de barco, sendo possível embarcar a partir de dois pontos: Pontal do Sul (cerca de 30min de travessia) ou Paranaguá (1h45min de travessia). Existem linhas regulares diariamente entre as 8h00 e 17h00, mas também podem ser fretadas embarcações em outros horários. Durante a temporada os barcos partem a cada 30 minutos e fora de temporada a cada hora cheia.

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Local do embarque em Pontal do Sul.

Na ilha existem dois pontos de desembarque: os trapiches de Encantadas e Nova Brasília. Existe também uma linha regular de barco entre Encantadas e Nova Brasília, que parte a cada hora.

A travessia a partir de Pontal do Sul custa R$ 35,00 por pessoa para ida e volta (preço em agosto de 2017). Lá existe um terminal de embarque com lanchonetes e algumas lojinhas. As passagens são compradas no próprio local.

De ônibus é possível chegar tanto em Paranaguá quanto em Pontal do Sul pela Viação Graciosa http://www.viacaograciosa.com.br , a partir de Curitiba ou de outras cidades do litoral do Paraná. De Curitiba a Pontal do Sul a viagem leva 2:30h.

Pra quem vai de carro o acesso (a partir de Curitiba) é feito pela BR277 até Paranaguá. Para Pontal do Sul é via BR277, depois pela PR407 e PR412.

Nas proximidades do terminal de embarque de Pontal existem alguns estacionamentos onde é possível deixar o carro durante o tempo de estadia na ilha. As diárias custam em média de 25 a 35 reais, dependendo da época do ano.

Trapiche de Encantadas

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O trapiche e a praia em Encantadas

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Nova Brasília com seu trapiche ao fundo

As barcas que fazem a travessia são simples, mas seguras.

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O interior de uma das barcas que fazem o trajeto para ilha. Existem algumas maiores.

Nunca embarquei a partir de Paranaguá, por isso desconheço detalhes do embarque feito a partir dessa cidade.

Opções interessantes para quem tem mais tempo disponível são ir para o litoral pela belíssima Estrada da Graciosa (se estiver de carro) ou ir de trem de Curitiba até Morretes e de lá seguir para Pontal do Sul ou Paranaguá de ônibus.

O que ver:

– Farol das Conchas – construído com materiais importados da Escócia a partir de 1870 e inaugurado em 1872, o farol fica no Alto do Morro das Conchas, local que oferece uma das melhores visões da ilha. O acesso é através de uma calçada e escadaria. Fica próximo a Nova Brasília.

Do alto do Morro do Farol se tem uma das melhores visões da ilha

Chegando ao farol

Farol das Conchas

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Praia do Farol, vista do morro do farol

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Praia das conchas e o farol ao fundo

– Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres – é uma fortaleza do século XVIII, tendo sido concluída em 1769. Fica a 4Km de Nova Brasília, sendo possível ir caminhando pela praia ou de barco. No local existem vários canhões e objetos expostos em algumas salas.

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Fortaleza N. Sra. dos Prazeres

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Parte interna da fortaleza

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Na parte superior existem vários canhões

Junto ao forte, no Morro da Baleia, existe um conjunto de trincheiras e canhões (de contrução posterior), além de um mirante que oferece uma interessante vista da vizinha Ilha de Superagui. Chega-se lá por uma curta trilha que começa logo atrás da Fortaleza e são uns 10 a 15 minutos de subida.

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Trincheiras no Morro da Baleia

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Um canhão e o mirante no Morro da Baleia

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Vista do mirante em direção à estação ecológica. Ao fundo a ilha de Superagui.

– Gruta de Encantadas – é uma gruta natural na rocha junto ao mar. Existe uma passarela de madeira que leva até a sua entrada e quando a maré está baixa é possível entrar na gruta. Se chega lá por uma trilha curta desde Encantadas. São uns 20 minutos de caminhada.

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A gruta fica à direita e o acesso é bem fácil pela passarela

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A passarela que conduz à gruta

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Gruta de Encantadas

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Vista do interior com a maré baixa

– Praias – são várias e com características distintas. Há desde praias bem calmas e próprias para banho no lado da ilha voltado para o continente até praias com ondas mais fortes e boas para surf no lado voltado para o mar aberto.

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A Praia das Conchas, uma das melhores para banho. No canto superior esquerdo aparece o istmo da ilha.

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Praias próximo à Gruta das Encantadas

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Praia Grande

Além desses atrativos principais a ilha tem outros vários pequenos encantos que se descobrem durante sua exploração.

Como ir de um ponto ao outro

Como não existem ruas ou estradas na ilha, tudo é feito a pé ou de barco.

Existem trilhas ligando todos os pontos da ilha.

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Assim são a maioria das trilhas na ilha

Para ir de Encantadas a Nova Brasília (ou vice-versa) é possível ir de barco, mas eu recomendo muito ir a pé pela trilha. São cerca de 2 horas de caminhada (uns 5Km) que permitem conhecer mais um bom pedaço da ilha. A trilha passa por um morro, duas praias e trechos de mata. Não é uma caminhada difícil, o único ponto mais complicado são uns 100 metros onde é preciso passar pelas grandes pedras de um costão.

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Trilha Encantadas/Brasília

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Trilha Encantadas/Brasília: o trajeto é longo, mas tem pontos muitos bonitos, com praias quase desertas. Essa é a Praia do Miguel.

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O único ponto mais complicado na trilha Encantadas/Brasília é a travessia desse costão de pedras. Convém se informar antes de ir, pois muitas vezes a travessia não é possível ou fica perigosa durante a maré alta.

De Nova Brasília ao farol é uma trilha curta, que se faz em 20 a 30 minutos, mas metade dela é uma escadaria pra vencer.

Já entre Nova Brasília e a Fortaleza existe a opção de ir caminhando pela praia ou por uma trilha. Só fui pela praia e são uns 4 quilômetros caminhando pela areia. Lembre-se que tem o retorno e com isso somam 8Km, o que pode ser bem cansativo num dia de sol quente, pois praticamente não há sombra na praia.

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Existe sinalização na ilha, porém está na hora de ser renovada. Em alguns lugares as placas já se estragaram e sumiram.

Pra entender melhor essa bagunça toda, queridos e pacientes leitores, eis um mapinha com as principais informações:

mapa ilha do mel

O essencial da Ilha do Mel…

Onde ficar:

Existem dezenas de pousadas, hostels e um hotel na ilha. Os preços costumam ser meio salgados mesmo nos locais mais simples, especialmente na alta temporada. O ideal é pesquisar em sites como o Tripadvisor e Booking para escolher o que melhor lhe convier.

Quase todas as opções de hospedagem se concentram em Encantadas ou Nova Brasília. E verdade seja dita: a grande maioria das pousadas da ilha são bem ruizinhas. Se quiser um pouco mais de conforto será preciso se hospedar nas mais caras. Veja antes as avaliações, pois tem lugares beeeem ruinzinhos mesmo!

Quanto á escolha da “vila” da ilha para ficar, ambas são boas. Nova Brasília costuma ser mais agitada durante o dia e Encantadas à noite. Nova Brasília tem como pontos positivos a proximidade do farol e do forte, além da Praia do Farol. Já Encantadas parece ter mais moradias do que locais de hospedagem. A praia em frente à vila tem o mar muito calmo, mas não tão limpo quanto em outros pontos da ilha. Bem próximo existe uma “praça de alimentação” (um pavilhão coberto com uns 5 ou 6 restaurantes) e a Gruta de Encantadas.

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Uma coisa bacana na ilha é que tudo fica meio escondido no meio da natureza bem preservada. Essa é uma das “ruas” de Encantadas… Nem dá pra dizer que existem várias pousadas, bares, lanchonetes, etc espalhados por aí!

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Esta foto de Encantadas vista do alto dá uma ideia melhor do que quero dizer…

Em ambas as vilas existem vários restaurantes e pequenos mercados. Mas eu aconselho levar algumas bebidas e comidas, pois os preços na ilha são mais altos que no continente.

As fotos deste post foram tiradas em mais de uma viagem à ilha, mas infelizmente a maioria delas foi num dia nublado e não ilustram como eu gostaria a beleza do lugar =( Mas tem muitas fotos melhores na internet e videos no youtube como este e este, por exemplo, que mostram melhor a ilha.

Quando ir

Como todo o litoral do Sul do Brasil, a melhor época são os meses quentes do verão. Fora da temporada o clima na ilha tende a ser frio e chuvoso. Durante os meses de inverno a ilha fica mais vazia e bem menos animada.

Quanto tempo ficar

Dois dias bem planejados – como um final de semana – são suficientes para se conhecer todos os pontos citados neste post. Logicamente, para se curtir a ilha com calma é preciso mais tempo…

Antes de ir é importante saber:

– Por ser local de preservação ecológica existe um limite de 5 mil visitantes na ilha por dia. Não é comum esse limite ser atingido, mas pode acontecer na alta temporada ou feriados prolongados. Para saber se o embarque está permitido é preciso entrar em contato com o terminal de embarque de Pontal do Sul, pelo telefone (41) 3455-1144 ou 3455-1419 ou pelo site www.iap.pr.gov.br.

– Na ilha é proibido som alto, fazer fogueira e levar animais domésticos.

 

Os últimos dias de um “resort fantasma” em Aruba

Apesar deste não ser um blog de exploração de lugares abandonados, como vários que existem na internet, é um assunto que acho interessante e por isso resolvi fazer este post sobre uma visita a um grande resort abandonado em Aruba.

O Bushiri Beach Resort foi um resort “all inclusive” localizado em Oranjestad, capital de Aruba. Tratava-se de um grande complexo junto à praia com 155 quartos, piscinas, duas quadras de tênis, cassino, bar, etc.

Até onde consegui descobrir foi inaugurado em 1979 e era de propriedade do governo da ilha. Em suas dependências havia uma escola de formação em hotelaria, contando com muitos estudantes que lá aprendiam na prática para depois trabalhar em outros hotéis e resorts de Aruba.

Devido à má gestão, o Bushiri foi fechado no início dos anos 2000 e assim ficou até hoje, deteriorando-se.

Desde então o governo de Aruba vinha tentando dar algum destino ao local. Algumas tentativas de venda para grandes redes de hotéis foram frustradas e cada vez mais as instalações estão em piores condições. Um novo projeto, bastante apoiado pela população, pretende demolir tudo de vez e criar mais uma praia pública na ilha, visto que muitas por lá são particulares.

Justamente quando eu estava finalizando este post (final de agosto de 2017) apareceram notícias na internet de que a demolição finalmente foi iniciada pelo governo de Aruba, com um prazo estimado de até 55 dias para a conclusão. Isso torna o assunto até mais interessante, visto que as fotos, de maio de 2017, retratam então os últimos dias do conjunto de construções.

Não consegui informações do ano exato em que o Bushiri Resort foi fechado, mas tudo leva a crer que foi em 2002, pois ainda achei muita papelada lá dentro e as datas mais recentes que encontrei foram sempre de 2002.

O interessante é que o local foi fechado com praticamente tudo dentro, desde computadores nos escritórios até TVs, cortinas e colchões nas camas dos quartos! Provavelmente seria um fechamento provisório, mas a reabertura nunca aconteceu. Como Aruba tem um clima muito seco, mesmo passados 15 anos muita coisa ainda estava conservada. E, considerando-se todo esse tempo, o local não foi tão depredado, visto que as condições econômicas dos habitantes da ilha são boas e que grande parte de quem passa por lá são turistas.

Então vamos às fotos. Essa exploração, como já citei, foi feita em maio de 2017. Consegui algumas fotos em baixa resolução do tempo que o resort ainda funcionava, a maioria em sites antigos esquecidos na internet.

Em tempo:

  1. Não havia absolutamente nada impedindo a entrada no local, muita gente entra lá, e nada foi trazido das instalações, a não ser fotos.
  2. O autor deste blog entrou por sua conta e risco e não aconselha ninguém a fazer o mesmo em locais semelhantes, visto que o local apresentava perigos, como objetos cortantes, escadas sem pega-mãos, fossos de elevadores sem proteção, risco de encontrar animais peçonhentos, etc. Além do mais, mesmo em total abandono, o local continua pertencendo ao governo de Aruba. Então as fotos visam apenas registrar, por mera curiosidade, um local que teve seus tempos de glória, por onde passaram muitas pessoas, e que agora está destinado a desaparecer.
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A fachada de um dos prédios do resort em maio/2017 e na foto menor o mesmo lugar nos anos 90

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O resort nos seus últimos anos de funcionamento e em 2017

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A face de um dos prédios voltada para a praia, em fotos antigas e em 2017

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Não é o mesmo ângulo nas duas fotos, mas este era o lobby do hotel. Notar a escada que aparece em ambas as fotos

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Subindo a escada, essa era a visão no 2º andar

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Um sofá do mesmo modelo dos que aparecem na foto menor

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A piscina dos adultos vista do 2º andar, em fotos antigas e o que restou em maio de 2017

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Piscina

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Um quarto ainda com revestimentos nas paredes

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Cartões de hóspedes…

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…e o que sobrou da fechadura eletrônica de um quarto.

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O banheiro de um quarto

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Quartos, antes e depois

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Cabides no armário de um quarto

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Balcão em um quarto

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Quartos, antes e depois

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vista de um quarto para a praia

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Outro banheiro

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Um quarto com equipamento de cozinha

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Parece que alguém usou esse quarto algum tempo após o fechamento do resort. Um vigia talvez?

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Quartos, antes e depois… Notar a cabeceira de cama

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Informativo de telefones para os hóspedes

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Revistas de 2002. Ainda havia muitas destas espalhadas pelos quartos…

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…principalmente esta, também de 2002. Quase todo quarto ainda tinha uma.

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Restos de uma TV

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Placa jogada no chão

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Outra placa, ainda na parede

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Quartos, antes e depois…

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Um quiosque do antigo bar da piscina

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Não perturbe…

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elevadores

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Esse era o cenário nos corredores. Toda a fiação elétrica foi levada e dava pra ver que em alguns lugares fizeram fogueiras para separar o cobre do revestimento dos fios.

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Uma cúpula de abajur…

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…e os restos de um estoque delas onde deve ter sido o almoxarifado.

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O que restou da lavanderia

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Lavanderia

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Lembrança de algum Natal…

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Um pedido de uma Fanta Laranja em 21/02/2002

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Armários de um vestiário…

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…e dentro de um deles um adesivo dos bombeiros de Aruba de 1987/1988

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Livro da manutenção de setembro de 1998 a março de 1999 e…

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…dentro dele anotações do cotidiano do resort: coisas que quebraram, conserto de TVS, etc…

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Uma máscara do reveillon de 2000, frente…

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…e verso.

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Uma opinião de um hóspede americano no ano 2000: música muito alta…

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Restos de material de escritório

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Um cartão de registro de hóspedes

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Nestas anotações de 15/04/1999, entre outras coisas, um hóspede com suspeita de intoxicação e o esquecimento de uma câmera Kodak num táxi…

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O que restou de um telefone

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Quiosques entre a piscina e a praia

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O que restou do restaurante do resort.

Notícias do início da demolição (escritas em papiamento):

http://www.boaruba.aw/minister-di-infrastructura-benny-sevinger-awo-cu-a-cuminsa-desmantela-ex-bushiri-hotel-por-sigui-cu-e-plan-pa-desaroya-henter-e-area/

http://www.boaruba.aw/prome-minister-mike-eman-ta-hopi-satisfecho-desmantelacion-di-ex-bushiri-hotel-ta-pone-un-area-grandi-di-tereno-bek-den-man-di-pueblo/

Reafirmo: este blog não incentiva ninguém a entrar lá. Em hipótese alguma esse local pode ser considerado um ponto turístico de Aruba e mesmo o local estando totalmente depredado e abandonado, as fotos foram feitas sem interfir ainda mais no local. E nada foi retirado de lá.

NOTE: this blog does not encourage anyone to go in this (or others) abandoned place. Under any circumstances can this place be considered a tourist spot of Aruba and even the place being totally depredated and abandoned, the photos were made without interfering  in the place. And nothing was taken away from there. The photos are only intended to record, by mere curiosity, a place that has had its times of glory, where many people passed, and which is now destined to disappear.

Como é um passeio de balão na Capadócia

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Desde que a novela Salve Jorge foi exibida entre 2012 e 2013, a antes pouco conhecida Capadócia se tornou um destino muito popular entre os brasileiros. E a melhor forma de apreciar toda a deslumbrante beleza dessa região surpreendente da Turquia é fazendo um passeio de balão.

A Capadócia fica na porção central da Tuquia e a maioria dos turistas se hospedam em três cidades: Ürgüp, Avanos e Göreme, mas sem dúvida Göreme é a principal e mais interessante.

Como chegar

Göreme está a cerca de 800Km de Istambul. As principais opções para ir até lá são de avião ou ônibus. De avião leva pouco mais de 1 hora de voo, mas é necessário pousar na cidade de Kayseri e lá pegar um táxi ou ônibus para Göreme.

Eu fui de ônibus desde Istambul e foram cerca de 8 horas e meia de viagem.  Saí de Istambul à noite e cheguei de manhã em Göreme. Não dá pra dizer que seja uma viagem das mais confortáveis, pois os ônibus europeus costumam ser bem diferentes dos brasileiros. Os assentos são pequenos e estreitos e por incrível que pareça os banheiros são desativados, sendo preciso descer nas paradas para ir no banheiro. Além disso, os ônibus fazem muitas paradas, tem sempre gente embarcando e desembarcando, o que torna complicado conseguir dormir.

O passeio de balão

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Em Göreme existem várias empresas que fazem os passeios. Algumas são mais baratas, mas oferecem um serviço mais simples. Eu optei por uma um pouco mais cara, mas que valeu a pena, pois foram muito profissionais e contam com bons equipamentos. Acho que vale a pena investir um pouco mais, considerando que um passeio de balão não é uma coisa comum e que você não sabe se terá a oportunidade de fazer de novo.

É tudo muito bem organizado e para se contratar o passeio é simples: isso pode ser feito em Göreme mesmo, com pelo menos um dia de antecedência. Normalmente são muito balões fazendo os passeios diariamente e não costuma faltar lugar, porém se você for na alta temporada pode ser melhor entrar em contato com a empresa com maior antecedência pra garantir que haverá lugar.

Em Göreme é possível contratar os passeios nos hotéis, agências de turismo ou nas próprias operadoras.

Os passeios acontecem bem cedo, começando em torno das 6:30h. No meu caso o pacote incluia um café da manhã. Então, próximo das 5:30h da manhã as vans da empresa passam nos hotéis e pousadas e reúnem o pessoal, seguindo para um hotel, onde o café é servido. De lá todos seguem para o local onde os balões já estão começando a ser enchidos, a uns 15 minutos do centro da cidade.

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Bem cedinho o pessoal já está enchendo os balões

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Os balões são bem grandes e cabem até 24 pessoas nos “cestos”. Para quem nunca entrou num desses sacos de pano cheios de ar quente, com certeza vai dar um friozinho na espinha no começo da ascensão, mas a paisagem é tão fantástica que assim que você começa a ver as formações rochosas do alto esquece qualquer preocupação.

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Assim são os cestos dos balões, sendo o de baixo um para 24 pessoas. O operador fica na divisão central. Repare que dos lados tem buracos para apoiar os pés para entrar e sair do cesto.

Os balões vão subindo suavemente, um a um, e logo o céu fica repleto deles, voando em diferentes alturas ao mesmo tempo que o sol vai nascendo no horizonte. É realmente um espetáculo que vale cada centavo do investimento.

No momento da descida, o balão segue para uma grande área descampada e a equipe de terra vai seguindo com um veículo e se comunicando via rádio, pois um balão não pousa sempre num mesmo ponto exato, como um helicóptero. Assim que ele se aproxima do solo, a equipe de terra agarra as cordas que pendem do balão e termina de guiá-lo para o pouso.

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Aqui o pessoal já havia terminando de colocar o cesto na carretinha e esperava o balão terminar de esvaziar.

A empresa que contratei finaliza o passeio com uma taça de champagne e entrega um certificado. Não sei se todas fazem da mesma forma, mas achei muito legal. Fechou com chave de ouro o passeio.

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Fim do passeio com uma taça de champanhe…

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…e o certificado, uma lembrança de viagem muito bacana.

Segue o link da empresa, Turkiye Ballons:

https://www.turkiyeballoons.com/en/

Medo? Vai com medo mesmo…

Já teve quem me disse que não encararia um passeio desses por achar muito perigoso. Bom, houve uma queda de balão na Capadócia em 2013 e outra em 2017, mas são dezenas e dezenas de balões fazendo esse passeio todos os dias, então acho que o risco de uma queda é praticamente o mesmo de uma queda de avião e muito menor do que um acidente de carro, por exemplo.

O pessoal por lá é muito preparado, mas se ainda assim estiver com algum receio é melhor pagar um pouco mais e ir com uma empresa mais cara, porém com os melhores equipamentos.

Mas o negócio é deixar de lado os receios e curtir o passeio, pois vale muito a pena! Sem dúvida é uma experiência para nunca mais esquecer.

Bonaire: o que ver e fazer por lá

A pequenina Bonaire é uma ilha do Caribe pouco conhecida e relativamente pouco explorada pelo turismo. Fica a cerca de 50 Km de Curaçao e é um município especial do Reino dos Países Baixos.

Aliás, eu fui meio na loucura pra lá, para aproveitar que estava em Curaçao. Antes disso nem lembro se já tinha ouvido falar em Bonaire…

É uma das chamadas “Ilhas ABC” das antigas Antilhas Holandesas, nome dado para designar o conjunto formado pelas três ilhas próximas: Aruba, Bonaire e Curaçao. As demais ilhas que formavam as Antilhas Holandesas são Saba, Santo Eustáquio e São Martinho, que ficam bem mais ao Norte.

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As três “Ilhas ABC”.

Bonaire é conhecida por ter alguns dos melhores locais para mergulho do mundo e não é à toa que grande parte da ilha é um parque nacional marinho. O windsurf e outros esportes aquáticos também são bem praticados por lá, mas o forte mesmo é o mergulho. São mais de 40 pontos de mergulho, onde se pode ir com instrutores ou por conta própria, caso já se tenha prática no esporte.

A ilha é bem diferente de Curaçao e Aruba. As três tem aproximadamente o mesmo tamanho, o mesmo tipo de vegetação e outras características semelhantes, mas Bonaire é a que manteve a natureza mais preservada e tem a menor população. Enquanto Aruba e Curaçao são mais agitadas, com bastante vida noturna, muitas lojas e shoppings, Bonaire é bem mais pacata, o turismo é menos urbano e há muito mais vida natural.

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Aterrisando em Bonaire. A cor do mar impressiona…

O que fazer

Bom, a menos que você seja muito fã de mergulho e windsurf, dificilmente vai encontrar o que fazer em Bonaire a ponto de justificar uma longa estadia por lá ou fazer uma viagem tendo a ilha como único destino.

Bonaire tem muito coral, mas muito mesmo. Por essa razão tem tanta vida marinha e ótimos locais para mergulho e snorkel, porém quase não há praias para banho. O que existem são trechos bem curtos e de areia grossa entre os corais. Na verdade as maiores beleza naturais de Bonaire estão embaixo d’agua e não nas suas praias, apesar do mar ser de águas cristalinas e com lindas tonalidades que vão do verde ao azul turquesa.

Existem apenas duas pequenas cidades: a capital Kralendijk e Rincon, que é pouco mais que um povoado no interior da ilha (e onde não há nada pra fazer). Praticamente todas as opções de hospedagem, restaurantes e lojas se concentram em Kralendijk.

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Essa “instalação” em Kralendijk ilustra bem as principais atrações de Bonaire: mergulho, windsurf, vida marinha, flamingos, burros selvagens e aves…

Kralendijk

A cidade é bonita, com coloridas construções em estilo holandês e extremamente limpa, mas é bem pequena, com população de pouco mais de 3.000 habitantes. Menos de uma hora caminhando é suficiente para conhecer todo o pequeno centro.

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A rua principal da colorida Kralendijk

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Mar de cores fascinantes em Kralendijk

Bachelor’s Beach

Bem próxima ao aeroporto, essa praia é a mais frequentada pela população local. O acesso é muito fácil e o mar calmo, mas existem apenas pequenos espaços para banho, todo o resto é coral. Um chinelo ou outro calçado é essencial para andar sobre os pedaços de coral na areia.

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Essa é a bela Bachelor’s Beach, mas repare nas formações de coral…

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…que fazem o espaço para banho ser reduzido. Por outro lado é um lugar interessante para a prática de snorkel, caiaque, etc.

Sorobon Beach (LacBay)

Além da Bachelor’s Beach, esta é praticamente a única outra opção de praia para banho em Bonaire (se não considerarmos o parque nacional e Klein Bonaire). Distante cerca de 9Km do centro de Kralendijk é também o local onde muitos vão praticar windsurf. Devido ao fato de ser cercada por uma barreira de coral e ficar numa pequena baía, essa praia parece uma imensa lagoa onde se pode caminhar por muitos metros mar adentro e a profundidade não chega a 1 metro. Junte-se a isso os ventos constantes e o lugar se torna perfeito para o windsurf.

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Sorobon Beach é uma praia meio diferente. Tem uma faixa de algas junto à areia e depois parece uma imensa lagoa muito rasa. As águas são limpíssimas e o tempo todo é possível ver peixes nadando junto aos seus pés.

Para quem nunca praticou windsurf e tem curiosidade em tentar, o local é perfeito, pois a baixa profundidade e o mar calmo tornam isso bem tranquilo. Bom, talvez não tanto para o dono deste blog, que desistiu após 20 minutos tentando se equilibrar e caindo da prancha de todas as formas imagináveis…

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Windsurf é o grande barato por lá.

Washington Slagbaai National Park

O parque nacional ocupa 1/5 da ilha, tem paisagens incríveis e diversos animais silvestres. Além disso, é lá que vive a maior concentração de flamingos da ilha. Aliás, os flamingos são o símbolo de Bonaire. A paisagem, assim como em toda a ilha, é dominada pelos cactus e plantas espinhosas.
Existem duas trilhas para carros, uma de 28Km e outra de 45Km, mas só podem ser feitas por veículos 4×4. Apesar de eu estar com uma pick-up, estava em pleno feriado de 1º de maio e me disseram na locadora que se o carro quebrasse não haveria a menor possibilidade de algum atendimento dentro do parque nesse dia, muito menos sinal de celular. Por isso andei apenas próximo à entrada.

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A paisagem é dominada por cactus e plantas espinhosas

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Um flamingo selvagem

Há também uma trilha para ser feita a pé no parque e três praias, mas não foi possível explorar isso.

Karpata ruins

São apenas as instalações de uma pequena destilaria abandonada. Como o clima da ilha é muito seco e o lugar é isolado, essas instalações permanecem pouco degradadas, apesar de anos de abandono. Mas não há muito o que ver por lá. Se resolver explorar o local prepare-se para tomar altos sustos com os lagartos, os únicos habitantes que vivem no silêncio do lugar.

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Karpata ruins

Klein Bonaire

É uma pequena ilhota que fica a 1,2km de Bonaire e onde só é possível ir de barco. Por questão de tempo curto, não cheguei a ir a Klein Bonaire, mas parece que as praias mais bonitas da região estão lá, além de ter bons lugares para praticar snorkel.

Willem Storen lighthouse

Um antigo farol num local meio deserto da ilha. Nada de sensacional, mas pode render boas fotos.

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Willem Storen lighthouse

Uma road trip

O ideal em Bonaire é alugar um carro e percorrer as estradinhas da ilha, curtindo as paisagens e parando onde achar legal. São poucas estradas e poucos carros, de forma que não é necessário GPS ou maiores preocupações, os mapas turísticos free encontrados pela ilha são o suficiente. Existem alguns burros selvagens soltos pela ilha, além de muitos lagartos que cruzam as estradas com frequência, então é bom ser cuidadoso. Mas pra que ter pressa num lugar desses?

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Um mirante deserto. No interior da ilha é raro encontrar alguém, muitas vezes se roda por bastante tempo sem ver ninguém. Ao fundo é uma lagoa.

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As estradinhas no interior da ilha. Por serem estreitas, alguns trechos são de mão única. É importante ficar atento a isso.

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O cenário mais comum nas estradas: cactus e mais cactus

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O colorido do mar

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Corais! É a isso que me refiro quando digo que as praias de Bonaire são cheias de coral

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Uma montanha de coral… Nesta praia no lado oeste da ilha nem é possível ver a areia

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Lado oeste da ilha

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No século XVII, durante a dominação holandesa, a economia da ilha se baseava em mão de obra escrava para trabalhar na produção de milho e extração de sal. Essas pequenas cabanas eram os abrigos dos escravos e continuam preservadas à beira da estrada. São tão pequenas que é  impressionante pensar como eles viviam lá

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O pôr do sol nas salinas à beira da estrada no lado oeste da ilha. Recomendo percorrer esse trecho no final da tarde!

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No mapa os principais pontos que citei.

Mergulho

Logicamente, a principal atividade da ilha não poderia ser esquecida. Eu optei por mergulhar em Curaçao, pois como fiz praticamente um bate e volta para Bonaire havia o perigo de pegar um avião pouco tempo após o mergulho. Isso é perigoso para quem não é mergulhador profissional por causa da pressão no avião, que pode causar sérios problemas no corpo humano. Além do mais, Curaçao tem pontos de mergulho tão bons quanto Bonaire, porém em número reduzido e não tão famosos quanto os da ilha vizinha.
De qualquer forma, mergulhar em Bonaire é simples, mesmo que seja a primeira vez, pois tem muitas escolas de mergulho por lá com instrutores e tudo o que é preciso para principiantes ou profissionais.

Onde ficar

Das mesma forma que Curaçao e Aruba, Bonaire não é um destino comum para mochileiros e por isso praticamente não existem hostels e albergues. E os poucos que existem são mal localizados ou com preços que chegam perto dos praticados pelos hotéis.
Hotéis sim, há vários na ilha, porém os preços costumam ser meio altos devido à valorização da moeda local perante o real.
Eu optei por um apartamento alugado via Booking e achei que foi uma excelente escolha, tanto pelo conforto do local quanto pelo preço e localização.
O lugar parece um condomínio fechado e é tudo novo, muito limpo e bem cuidado. Havia desde “studios” para alugar (como o que fiquei) até casas de alto padrão com uma marina própria e várias outras comodidades. O “studio” era super completo, com TV, ar condicionado, água quente, geladeira, uma cozinha super completa, cafeteira com sachês de café, sanduicheira, torradeira, etc… No local existe uma piscina também:

http://www.oceanbreezebonaire.com/

Fica pertinho do aeroporto, sendo possível chegar caminhando em 10 minutos. E dista uns 3Km do centro de Kralendijk. Como alugar um carro é quase uma necessidade em Bonaire considerei muito boa a localização e certamente recomendo.

Transporte

Alugar um carro, moto, quadriciclo ou até mesmo uma bicicleta, é praticamente indispensável em Bonaire. A ilha não tem transporte público e o número de táxis é insignificante.
Sem um meio de transporte particular é extremamente complicado se locomover por lá. Se por qualquer razão você não puder alugar um carro ou outro meio, a solução é se hospedar na área central de Kralendijk e tentar fazer excursões com empresas do ramo, mas vai ser bem complicado conhecer a ilha dessa forma.

Minha experiência: no centro de Kralendijk vi uma locadora mais simples e, já imaginado que os preços poderiam ser melhores do que nas duas outras que vi antes, entrei pra ver as opções. Tinha desde bicicletas até vans para locação… Eu ia optar por um carro pequeno mas o proprietário do lugar me disse que os únicos dois que ele tinha estavam com defeito. A outra opção era uma velha pick-up Mazda cheia de pontos de ferrugem e pintura queimada de sol… Mas tinha ar condicionado, ítem bem importante no calor de rachar que estava fazendo. Dei uma pechinchada e consegui locar pelo mesmo preço dos carros que estavam com defeito. Foi uma boa, pois pude andar por lugares onde não seria possível com um carro. A caminhonete porém, estava beeem judiada e tive que fazer várias paradas para esfriar o motor que teimava em aquecer… Isso sem contar que cheirava graxa por dentro… No segundo e último dia, misteriosamente a temperatura do motor se estabilizou e não tive problemas…

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Rotina no primeiro dia: esperando esfriar o motor da pick-up…

Alimentação, gastos e idioma

A moeda usada na ilha é o dólar americano e os preços são meio salgados, principalmente para comer.  Os restaurantes não servem nada muito diferente do encontrado em Curaçao e Aruba: pratos com frutos do mar, frango, muito arroz e batata… Não é um destino para grandes experiências gastronômicas…
Uma opção mais barata que os restaurantes é comprar comida nos mercados, que têm boa variedade de produtos, muitos procedentes da Europa, mas com preços razoáveis.

Comunicação não é problema. Na ilha se fala inglês, espanhol, holandês e papiamento. Pelo que observei parece que o inglês e papiamento são os idiomas mais falados entre os moradores, mas consegui me comunicar em espanhol e com algumas arranhadas no inglês. Uma pessoa ou outra que encontrei falavam apenas inglês.

Quando ir

Qualquer época do ano, pois Bonaire, assim como as vizinhas Curaçao e Aruba, é quente o ano todo, tem pouca incidência de chuvas e está fora da rota de furacões. A temperatura média é de 28ºC. Média, pois enfrentei temperaturas ao redor de 40ºC nas horas mais quentes do dia no mês de maio.

Além de protetor solar recomendo fortemente levar repelente, pois tem muito mosquito nas áreas preservadas e no parque, a ponto de tirarem o sossego de qualquer um!

Como chegar

Não existem voos diretos do Brasil para Bonaire. A melhor opção é ir para Aruba ou Curaçao e de lá pegar um curto voo para Bonaire. O único aeroporto fica a poucos quilômetros do centro de Kralendijk. A companhia que opera voos comercias entre essas ilhas é a Insel Air, que costuma usar aviões pequenos nesse curto trajeto.

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Esses velhos Fokker 50 da Insel Air são os aviões mais usados nos vôos curtos para Bonaire. Na foto já estava no aeroporto de Kralendijk, mas confesso que dá um friozinho na barriga pensar que esses aviões tem mais de 20 anos de uso…

A Insel Air tem fama de atrasar ou cancelar voos. Por outro lado, pela primeira vez na vida eu peguei dois voos que saíram 30 minutos antes do previsto! Tanto na ida quanto no retorno. Simplesmente o pessoal do aeroporto viu que todos os poucos passageiros já haviam feito o check-in, chamou todo mundo e o avião decolou! Isso tanto no aeroporto de Curaçao quanto no de Bonaire. Por isso é bom já ir sabendo desses detalhes. Como é pouca gente que faz esse trajeto, não existe a “burocracia” dos voos convencionais.

Minha opinião

No meu ponto de vista, Bonaire é um lugar interessante para se conhecer combinado com uma viagem a Curaçao e Aruba. Me parece meio estranho alguém fazer uma viagem do Brasil unicamente para conhecer Bonaire, a menos que seja um mergulhador profissional (até mesmo porque dificilmente você conseguirá chegar lá sem passar por Curaçao e Aruba)…

Como eu estava em Curaçao, fui para Bonaire num dia de manhã e retornei no dia seguinte à noite. Acho que esse tempo foi suficiente para conhecer a ilha. Se eu tivesse mais tempo ficaria mais um dia, para visitar Klein Bonaire, que acabou ficando fora do roteiro.