Cuba VII – Cienfuegos

Outro destino que vale a pena conhecer para quem vai explorar o interior cubano é a encantadora Cienfuegos, capital da província de mesmo nome.06jan15_039_Cienfuegos_praça Jose Marti

Cienfuegos é uma cidade costeira, localizada numa baía também homônima, e que por sua beleza foi por muito tempo chamada de “a Pérola do Sul”.

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Cienfuegos está a cerca de 240 Km de Havana

A cidade foi fundada por colonos franceses em 1819 em uma região produtora de café, tabaco, manga e cana de açúcar. E seu auge foi justamente no boom da produção de açúcar no século XIX .
O que mais chama a atenção é justamente a arquitetura com influência francesa – diferente de qualquer outra cidade cubana – especialmente em torno da praça central, o Parque Martí.
Cienfuegos tem também uma bela praia, além de um “malecon” como Havana.

Vamos conhecer melhor a Pérola do Sul cubana:

Como chegar

Cienfuegos está a cerca de 240 Km de Havana. Eu cheguei de carro vindo desde Trinidad pela bela carretera 12, já citada aqui.
Os ônibus da Viazul ligam a cidade com vários destinos, como Havana, Trinidad etc.

O que fazer

O ponto central da cidade é o Parque Jose Martí (ou Plaza de Armas). É uma bela praça ao redor da qual está o conjunto arquitetônico mais interessante da cidade.  Vale a pena não só passear pelo local, como também sentar em um banco e ficar vendo a vida passar, especialmente a partir do final da tarde e à noite.

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Parque José Martí, a praça central de Cienfuegos

Entre os edifícios mais interessantes ao redor da praça estão o Palácio do Governo, Palácio Ferrer, Teatro Tomás Terry e a Catedral de Nuestra Señora de la Purísima Concepción.

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O bem cuidado Palácio do Governo

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O Palácio Ferrer é um pequeno museu e é possível subir até a torre, de onde se tem uma bela vista da praça

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O Teatro Tomás Terry

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À noite a praça fica bem animada. Esse prédio, ao lado do teatro é o Colégio San Lorenzo.

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Catedral de Nuestra Señora de la Purísima Concepción

A praça possui também um arco do triunfo (Arco de los Trabajadores), herança da colonização francesa e único existente em Cuba.

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O Arco de los Trabajadores

O Boulevard de Cienfuegos é um bem cuidado calçadão para pedestres que termina na praça e é um bom local para passear e comer, mas também é o local preferido pelos pedintes e desocupados, que com certeza irão incomodar.

Uma ótima sugestão de passeio é percorrer a pé os cerca de 4Km que separam o Parque Martí da La Punta seguindo pelo Paseo Del Prado, acompanhando o malecon de Cienfuegos. Em tempo: malecon significa uma estrutura construída para proteger a costa da ação das ondas do mar.

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Trajeto a pé do Parque José Martí até La Punta

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O malecon no trajeto até a Punta Gorda

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Vista do malecon. Apesar de bonita, a baía não está muito bem cuidada em Cienfuegos, sendo possível ver lixo no mar em alguns pontos

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Um casarão no malecon

La Punta (ou Punta Gorda) é o extremo Sul da cidade, uma pequena faixa de terra cercada pelo mar. Além da linda vista, existem alguns prédios antigos bem interessantes para serem vistos na La Punta, com destaque para o Cienfuegos Club, o Palacio Azul e o Palacio de Valle. Este último, finalizado em 1917, foi construído para ser um cassino, mas acabou nunca tendo essa função. É uma impressionante mistura de estilos gótico e indiano e conta com um minarete em estilo árabe. Hoje abriga um restaurante, mas também podem ser feitas visitas (pagas) somente para conhecer seu interior.

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Cienfuegos Club

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O Palácio de Valle fica bem no extremo de La Punta…

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…e no prédio funciona um restaurante não muito barato.

E Cienfugos também tem sua praia, a belíssima Playa Rancho Luna. Apesar de ser meio distante (18 Km do centro da cidade), vale muito a pena conhecer, as águas são transparentes e o mar praticamente sem ondas. Assim como em Trinidad, é preciso atravessar um hotel para chegar na praia, mas não se paga nada por isso. Como eu estava de carro não tive dificuldades para ir até a praia, mas creio que existam ônibus ou vans que vão até lá, além dos táxis, claro.

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Mar calmo e águas limpas na Playa Rancho Luna

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Playa Rancho Luna

Além dessas atrações, há mais algumas em Cienfuegos que não visitei por falta de tempo ou por serem mais longe da cidade, como a Fortaleza Nuestra Señora de los Ángeles de Jagua e a cachoeira El Nicho, além de passeios pela baía ou pela Lagoa Guanaroca e alguns museus.

Onde ficar

Fiquei no hostal Ksalinda e acredito que foi uma boa escolha. É a casa de família com localização mais central em Cienfuegos, pois é a única que fica no Parque Martí.

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Hostal Ksalinda. Na verdade apenas a parte direita do casarão pertence ao hostal.

O proprietário, Yosley, é meio doido e vive correndo o dia todo, mas atende super bem e está sempre disposto a ajudar. Os quartos são muito bons para o padrão cubano, com TV, ar condicionado e banheiros privativos e limpos.
O café da manhã é simples, mas bom.

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Quarto aprovadíssimo no Hostal Ksalinda…

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…com um bom banheiro também.

Cuba VI – O que ver e fazer em Trinidad

A belíssima Trinidad, uma cidadezinha colonial entre a imponente serra do Escambray e o mar do caribe, é com toda certeza uma das mais belas do interior cubano.

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Igreja e mosteiro de São Francisco, Trinidad

A combinação entre prédios históricos, estreitas ruas de pedra, boas praias e uma serra emoldurando o plano de fundo, fazem da pacata Trinidad uma cidade com atmosfera diferente do que vi em outras do interior cubano.
A cidade, que é considerada Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1988, tem uma população de pouco mais de 50 mil habitantes e uma quantidade surpreendente de edifícios históricos preservados.
O centro histórico foi restaurado há pouco tempo e está muito bonito e colorido. É fácil imaginar como era a cidade no início do século XIX, no auge do seu esplendor e riqueza devidos principalmente ao comércio de açúcar.

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Trinidad fica a 317Km de Havana

O que fazer

O ponto central da cidade e que abriga o maior número de atrações é a Plaza Mayor. Ao redor dela estão concentrados edifícios de grande valor arquitetônico.

A Igreja da Santíssima Trindade, construída no século XIX, domina a paisagem na praça.

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Igreja da Santíssima Trindade na Plaza Mayor

Ao lado da igreja, no Palácio Brunet, um grande casarão colonial, está o Museu Romântico que conta com uma exposição de móveis e objetos pertencentes às famílias ricas de Trinidad do século XIX.

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Palácio Brunet e a torre do mosteiro de São Francisco ao fundo

Bem próximo à praça fica o Museu Histórico Municipal também chamado Palacio Cantero, devido ao nome do seu ex-proprietário, um latifundiário alemão chamado Kanter. Acabei não visitando esse museu.

Também a alguns passos da praça fica a igreja e mosteiro de São Francisco. Esse é o ponto turístico que mais chama a atenção na cidade por causa da torre com um campanário visível à distância.

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Casario colonial e o Mosteiro de São Francisco

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Fachada do Mosteiro de São Francisco

Essa igreja foi construída em 1730 e em 1895 foi transformada em guarnição do exército espanhol. Em 1930 uma boa parte da edificação foi demolida, sobrando o campanário e algumas partes. Hoje o local abriga o museu de La Lucha contra Bandidos.

O museu em si não é muito interessante, a menos que você esteja MUITO interessado na história cubana, porém recomendo muito a visita pela vista que se tem do alto da torre do campanário. Com certeza é o melhor ponto para se ter uma visão panorâmica da área central da cidade.

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Vista do campanário do Mosteiro de São Francisco

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Parte do centro colonial de Trinidad e da serra do Escambray vistas do campanário do mosteiro de São Francisco

Além dessas atrações, vale muito a pena explorar com calma as estreitas ruazinhas do centro histórico e admirar a arquitetura bem preservada das casas. Há também opções muito boas de locais para comer, além de muitas lojas e barracas de artesanato.

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A Plaza Mayor num final de tarde

Pra fechar, Trinidad tem uma bela praia a 5Km do centro, a Playa Ancón. O que é um pouco estranho nessa praia é que para chegar nela é precioso atravessar um hotel (Club Amigo Costasur), pois a praia fica nos fundos.

A praia não é muito grande, mas é bonita e o mar bem calmo. A maioria dos frequentadores são os hóspedes do hotel. É possível usar os sombreros do hotel sem pagar nada ou alugar espreguiçadeiras por 2 CUCs (cerca de 4 reais). Os funcionários do hotel não se importam se você é hóspede ou não, de forma que se pode circular pela praia tranquilamente.

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Playa Ancón com o hotel ao fundo

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Playa Ancón

As opções para ir até lá são a van que sai da Rua Antonio Maceo, em frente à HavanaTur, táxi ou bike. A van tem 3 saídas diárias e custa apenas 2 CUCs (ida e volta). Os táxis ficam em torno de 5 CUCs. Bicicletas podem ser alugadas no centro e são uma boa opção, pois o caminho é bonito, mas são mais caras que a van e o sol é de rachar…

Os arredores

Fora da cidade também há alguma atrações bem interessantes. A própria estrada que liga Trinidad a Cienfuegos (carretera 12) é muito bonita, especialmente no trecho que acompanha a praia, passando por várias pontes sobre rios que deságuam no mar.

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Algumas pontes na estrada Cienfugos-Trinidad

A uns 20 quilômetros de Trinidad fica o Parque Natural Topes de Collantes. O parque faz parte do complexo montanhoso da Serra do Escambray e fica a uns 800 metros acima do nível do mar. Dentro do parque há muitas atrações naturais, como cachoeiras e trilhas. Duas cachoeiras são bem populares, o Salto del Caburni e o Vegas Grandes, mas a trilha para chegar até eles exige alguma horas de caminhada entre ida e volta. Como já era tarde quando passei pela região e precisava chegar até Cienfuegos eu desisti de ir até lá.

Um ponto de parada obrigatória na estradinha cheia de curvas de Topes de Collantes é o Mirador Del Caribe, um mirante onde se tem um ótima vista da serra, com Trinidad e o mar ao fundo.

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Uma chuva de verão prejudicou um pouco a vista do mirante no alto da serra…

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…mas depois o tempo melhorou e foi possível avistar Trinidad

Onde ficar

Eu pretendia ficar no hostal Casa Miriam, que tem excelentes indicações. Porém, como não havia feito reserva antecipada e estava lotado fiquei em outra casa indicada pela própria Miriam, a Casa Meyer.
É um bom local principalmente pela localização. Fica bem no centro e é interessante também por ser uma casa colonial que parece ter parado no tempo. Toda a decoração e mobília são muito antigas, mas tudo bem cuidado e limpo.
O meu quarto era bem simples e sem os confortos que encontrei em outras casas, como TV ou banheiro no quarto. O banheiro era coletivo e na casa não tinha café da manhã. Mas o quarto era limpo, a cama confortável e dormi bem. A proprietária não mora no local e isso é um pouco estranho, pois eu recebi as chaves do quarto e da porta de entrada e raramente via alguém por lá…  Não foi uma das melhores estadias em Cuba, mas valeu pelo custo x benefício. Se quiser pagar pouco e permanecer mais tempo na rua é uma opção válida

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A entrada da Casa Meyer, que parece ter parado no tempo

Onde comer

Trinidad tem vários bons restaurantes, a maioria se concentra no centro histórico.  Os preços são razoáveis e não optei por pratos caros. Vai de pesquisar os cardápios e preços na hora.
Se quiser gastar realmente pouco uma opção são as pizzas assadas na hora e vendidas diretamente nas portas de algumas casas, coisa comum em todas as cidades que visitei em Cuba. São pizzas pequenas para comer na rua mesmo ou levar para o local onde se está hospedado. Se você tiver bom papo consegue pagar em “moneda nacional” por valores baixíssimos.

Como chegar

Eu fui de carro alugado desde Santa Clara, via carretera 12, mas ônibus da Viazul ligam Trinidad a vários destinos de Cuba, como Havana, Varadero, Santiago de Cuba e muitos outros. O terminal de ônibus fica bem no centro da cidade. Existe também um aeroporto na cidade (Aeroporto Alberto Delgado), que opera voos regulares e fretados a partir de Havana e Varadero.

Cuba V – Cayo Santa Maria

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Playa Salinas no Cayo Santa Maria

Eis um lugar que me deixou com opiniões divididas. Cayo Santa Maria é um lugar lindíssimo, sem a menor dúvida, porém traz à tona – e de maneira explícita – as diferenças sociais existentes em Cuba, por mais que o regime diga que isso não existe.

Antes de qualquer coisa, para dar uma ideia de como é o lugar, segue uma explicação sobre o que são os chamados cayos.  Pela definição constante na Wikipédia, cayos são pequenas ilhas rasas, arenosas, formadas na superfície de um recife de coral. Frequentemente alagadiças apresentam-se cobertas de mangue em sua maior parte, e as praias são de baixa profundidade. Em geral ocorrem apenas em ambientes tropicais

Existem outros cayos em Cuba, como o Cayo Coco e o Cayo Largo, que são até mais badalados que o Santa Maria, mas não visitei esses.

O Cayo Santa Maria fica a cerca de 390 km de Havana e 120 km de Santa Clara. São várias ilhas ligadas por 46 pontes através de um estrada pavimentada de 48 Km. Essa estrada é chamada “El Pedrapen” , foi construída entre 1989 e 1999 e é impressionante, uma grande obra de engenharia do tipo que não esperamos encontrar em Cuba.

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Uma das dezenas de pontes do “El Pedrapen”

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O cair da noite na belíssima estrada do “El Pedrapen”

Cayo Santa Maria faz parte do ecossistema da Baía de Buena Vista, declarado pela UNESCO como uma “Reserva da Biosfera”. É um lugar rico em espécies endêmicas protegidas por praias de beleza incomparável, com areia branca e fina e um mar de variados tons de azul.

Pois bem, é um lugar realmente fantástico, mas por que eu disse que me deixou com opiniões divergentes? Bom, Cayo Santa Maria é uma Cuba “para turista ver”, muito diferente do que vi no restante do país. O lugar é cheio de resorts de alto luxo e quase todas as praias ficam dentro desses resorts. É possível visitar essas praias pagando uma taxa nos resorts e em alguns deles o valor pago dá direito ao consumo de comidas e bebidas. Existe uma única praia cujo acesso é livre, a belíssima Playa Salinas, a qual espero que a especulação imobiliária não transforme em particular também nos próximos anos.

O problema é que o cayo é quase inacessível para a grande maioria dos cubanos, pois além do fato de ter somente esses resorts e hotéis luxuosos e o acesso pago à maioria das praias, fica num lugar isolado e é preciso pagar pedágio (4 CUC, cerca de 4 dólares) para entrar e sair. Na verdade, até algum tempo atrás, os cubanos eram proibidos por lei de entrarem no cayo! Hoje a entrada é liberada, mas poucos têm dinheiro para pagar o pedágio.

99% dos cubanos que entram lá são empregados dos resorts, taxistas ou trabalhadores da construção civil, como era o caso de um rapaz a quem dei carona.

Então, valeu a pena sim conhecer o cayo, mas é triste pensar que um dos lugares mais lindos de Cuba não é acessível à grande maioria de seus habitantes. Se um rico turista europeu passar suas férias “internado” em um confortável resort all inclusive por lá, com certeza voltará pra casa dizendo que Cuba é maravilhosa, que tudo lá é perfeito e que o que dizem do país não condiz com a realidade. Não. Cayo Santa Maria é um mundo à parte dentro de Cuba.

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Entrada de um dos resorts do cayo

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Dentro do mesmo resort todo um “pueblo” foi reproduzido. Mas não se engane, isso nunca foi uma autêntica cidade cubana, é apenas um shopping ao ar livre para turistas endinheirados…

Como chegar

Como eu estava de carro e hospedado em Santa Clara, cheguei ao cayo sem problemas e pude circular bastante por lá. A outra forma é de taxi, que deve ser negociado nas cidades próximas. Existe também um aeroporto no cayo, mas não faço ideia dos custos de voos para lá e nem de onde partem.

O que fazer

Eu me recusei a pagar para usar as praias dos resorts e fui na Playa Salinas, a única com entrada livre (de carro deve-se entrar à esquerda na estrada de terra logo após o aeroporto). Essa praia é lindíssima e segundo o que me disseram não perde para nenhuma das que ficam nos resorts. É uma autêntica praia do caribe, com mar de águas transparentes, quase sem ondas e areia fina e branquinha. Lá encontrei apenas uma família de cubanos, uma meia dúzia de europeus e um casal de brasileiros com seu bebê.

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A belíssima Playa Salinas…

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…última opção free no cayo.

Seguindo o “El Pedrapen” por mais uns 4,5Km se chega a um delfinário, onde é possível interagir com golfinhos. Normalmente passo longe de atrações que envolvam animais confinados, mas resolvi entrar pra ver. A entrada é paga e tudo no local é bem caro, mas conversei na portaria e consegui entrar de graça. Isso porque poucas pessoas chegam lá pela estrada, a maioria vem dos resorts em catamarãs ou lanchas, como era o caso de um grande grupo de turistas que estava interagindo com golfinhos.

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Entrada do delfinário

Achei interessante por ser algo que nunca havia feito, e como os golfinhos ficam em tanques bem grandes, construídos no mar, não achei tão cruel (mas preferia vê-los livres, claro) e resolvi perguntar se podia participar. Disseram que era uma atividade apenas para os turistas que vieram nos catamarãs e pagaram um pacote para fazer isso, mas conversando consegui entrar junto com o grupo pagando uma taxa menor (algo em torno de uns 60 reais). Na verdade, tudo nesse lugar é pago, até as fotos, que são tiradas por fotógrafos quando as pessoas estão na água; mas também consegui fotos free tiradas pelo camarada que me deixou participar… :) Tirando o fato dos golfinhos estarem presos, foi uma atração interessante, porém dificilmente você conseguirá participar se não fizer parte de um grupo de turistas e se não estiver hospedado nos resorts.

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No delfinário você pode interagir com golfinhos. Desde que sua carteira esteja bem recheada…😦

O último lugar onde fui em Cayo Santa Maria foi a Playa Las Gaivotas. Essa praia fica bem no final da estrada e não pertence a nenhum resort, mas tem entrada paga (com um valor bem mais em conta, 1 CUC). Chega-se a praia através de uma trilha de uns 500 metros. É uma bela praia, mas Las Salinas é bem mais bonita. Como existe um resort próximo, havia alguns europeus e canadenses por lá. Valeu a pena para conhecer, mas é dispensável.

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Por uma trilha na mata…

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…chega-se à Playa Las Gaivotas.

Onde ficar

Nos resorts, se o seu perfil de viajante for esse. Para os mochileiros como eu as opções são as casas de família fora do cayo. Eu vim de Santa Clara, mas as cidades mais próximas são Caibarien e Remedios.

Onde comer

Nos resorts… rsrs… Possivelmente exista comida para comprar no único posto de combustível do cayo, que fica em frente ao aeroporto, mas, como tudo por lá é caro e eu estava tentando economizar ao máximo, já que estava pagando os olhos da cara no aluguel do carro, não comi nada. Havia caprichado no café da manhã no hostel e aí deixei para comer só à noite no retorno à Santa Clara. Se não quiser gastar muito e for apenas para passar o dia no cayo, o ideal é levar água e comida.

 

Cuba IV – O que ver e fazer em Santa Clara

Teatro La Caridad no Parque Leôncio Vidal, Santa Clara

Teatro La Caridad no Parque Leôncio Vidal, Santa Clara

Santa Clara está a 268Km de Havana. Capital da província de Villa Clara, a cidade fica quase no centro geográfico da ilha.

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Santa Clara teve um papel importante na Revolução Cubana quando Che Guevara descarrilou um trem blindado do exército em 1958, sendo esse ato considerado como um dos golpes finais e decisivo para a vitória dos revolucionários.

Uma característica da cidade é o ambiente um tanto mais liberal se comparado às demais cidades cubanas, principalmente devido aos cerca de 35 mil de jovens que estudam nos cinco centros universitários do local.

Como chegar

Eu fui de carro alugado, desde Havana, via Autopista Nacional. De ônibus a empresa que leva a Santa Clara é a Via Azul, consulte os horários e valores no site.

O que fazer

O principal atrativo da cidade é o
1) Memorial Che Guevara. Esse memorial é um museu com diversos artefatos relacionados ao Che e à revolução cubana. Os restos do guerrilheiro estão depositados nesse local, embora não se possa ver nenhuma tumba ou coisa parecida. Externamente chama a atenção a amplidão do lugar, com um grande estacionamento e uma imensa estátua de Che. Lembra as construções russas do tempo da Guerra Fria. Há também um grande painel com relevos alusivos aos heróis da Revolução e uma imensa reprodução da carta que Che enviou a Fidel ao deixar Cuba.

O memorial foi construído em 1997, após terem sido encontrados os restos mortais de Che Guevara.

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A amplidão do lugar lembra as construções da antiga URSS

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Painel alusivo à Revolução e a imensa estátua de Che Guevara

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Reprodução da carta enviada a Fidel por Che Guevara quando este deixou Cuba

Não sou nenhum admirador de Che & Cia., mas isso não vem ao caso. Ao se visitar um local desses estou interessado na história e na cultura do país, independente de opiniões pessoais. Ou seja, é em lugares como esse que se entende a essência da Cuba atual.

Como chegar: do Parque Leôncio Vidal, que é a praça central da cidade, são cerca de 1,7Km até o Memorial. Eu fiz o trajeto a pé e acho que é a melhor forma de ir até lá. Saindo pela extremidade da praça, próximo ao Teatro La Caridad siga pela Calle Marta Abreu por cerca de 1Km. Quando essa rua fizer a primeira curva à direita você estará nas imediações do Memorial, devendo ir para a esquerda. No caminho não deixe de ver os interessantes grafites, que são charges com críticas ao imperialismo em um muro à sua esquerda.

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Entrada: franca.

2) O terminal de ônibus intermunicipal e o “terminal” de táxis esses locais não são pontos turísticos, mas me chamaram muita atenção e já que ficam no caminho para o Memorial Che Guevara – no cruzamento das calles Marta Abreu e Amparo – vale muito a pena dar uma espiada aí. No terminal de ônibus (que não é o mesmo por onde sem chega na cidade vindo de Havana) tem uma grande quantidade de caminhões antigos com carrocerias convertidas para levar passageiros. São usados pelos cubanos nos deslocamento mais curtos, para o interior do município e para as cidades mais próximas.

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Os “ônibus” cubanos no terminal…

Mas o que mais chamou minha atenção foi uma espécie de “terminal” de táxis do outro lado da rua. Os táxis funcionam como lotações, fazendo percursos também para localidades próximas a Santa Clara. O que impressiona é que o lugar parece um imenso museu a céu aberto; havia pelo menos uns 20 carros chegando e saindo do local, todos, absolutamente TODOS dos anos 50! Nem precisei de muito esforço de imaginação para se sentir em plenos anos 50! Algo assim só é possível em Cuba!

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Anos 50? Não, esta foto foi tirada em 2015 e não é de um encontro de carros antigos!

3) Memorial do trem blindado: como já citado, Che Guevara descarrilou um trem em Santa Clara, com a ajuda dos camponeses e isso marcou o fim da ditadura de Fulgêncio Batista. O trem transportava 480 soldados e armas para a região leste de Cuba. O monumento recria o evento no local onde aconteceu e é possível ver quatro vagões blindados nas posições em que ficaram após o descarrilamento. Dentro deles há planos militares, armas e outros objetos. Até o trator usado pelos guerrilheiros para remover os trilhos do trem está preservado no local.

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Memorial do trem blindado

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Até o trator usado por Che está preservado no local

Como chegar: a pé é a melhor forma. Do Parque Leôncio Vidal ao Memorial são cerca de 700m. Se seguir pela calle Buen Viaje irá passar pela Iglesia de Buen Viaje, que não tem nada de sensacional, mas é interessante para quem aprecia. Seguindo após o memorial por mais 400m pela Avenida Liberación, existe uma estátua de Che Guevara carregando um menino (El Che com nino). Não chega a ser um ponto turístico, mas é uma bela escultura.

Também se achar interessante, no retorno pode seguir a linha do trem até a estação da cidade (600m) e voltar ao centro por outras ruas. Com alguma sorte você verá a movimentação dos trens de passageiros cubanos.

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Entrada: paga. Tem um preço para observar os vagões por fora e custa um pouco mais para vê-los por dentro.

4) Parque Leôncio Vidal: é a praça central da cidade. Local altamente recomendado para relaxar e passar o tempo sentado num banco, apenas observado a vida passar. Sempre tem bastante gente, mas é no final da tarde, quando o sol se põe e a temperatura fica mais amena, que a praça começa a encher e o pessoal fica até bem tarde da noite passeando e conversando. É o centro da vida social em Santa Clara. No meio da praça existe um coreto e com um pouco de sorte você poderá ver alguma apresentação interessante, como a ótima banda local que pude ver tocando músicas cubanas.

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Parque Leôncio Vidal, o coração de Santa Clara

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Coreto no centro do Parque Leôncio Vidal

Destaque para a imensa tranquilidade e segurança do lugar. Há crianças brincando, famílias passeando, jovens e idosos conversando… Enfim, é onde a população se reúne para conversar e fofocar.  Outra coisa bacana é que, ao contrário de Havana, ninguém vem incomodar os turistas oferecendo coisas ou pedindo dinheiro.

Ao redor da praça existem diversos edifícios históricos, com destaque para o Teatro La Caridad (não estava aberto quando estive lá, mas pelas fotos que vi, é muito bonito por dentro).

Compre alguns churros, um “refresco” ou um “helado” dos sorveteiros que ficam pela praça e relaxe sem preocupações num banco. Pertinho da praça existe também a Heladeria Coppelia, a mais famosa sorveteria cubana. Os cubanos fazem filas imensas na calçada para comprar sorvetes da Coppelia, mas os turistas entram por outro lugar, livres de filas (e pagam mais caro). Mais uma das contradições cubanas…

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A praça permanece cheia até altas horas da noite

Essas são as principais atrações da cidade, mas existem as secundárias, como o Boulevard (um calçadão para pedestres), a Catedral de Santa Clara de Assis, a Loma Del Capiro (morro de onde se pode apreciar a cidade e imediações), etc.

Onde ficar

Recomendo, sem a menor dúvida, o Hostal Ana.

Os três dias que passei na casa da Ana foram excelentes. O quarto era muito bom, limpo, com boas camas, ar condicionado, TV e banheiro.
A Ana é uma ótima pessoa, muito simpática e faz de tudo para você se sentir em casa. Além das dicas sobre as atrações de Santa Clara, me deu ótimas indicações para outras casas de família nas demais cidades que visitei depois (Trinidad, Cienfuegos e Varadero). Todas essas casas indicadas seguiam o padrão da dela: com boa localização e proprietários cordiais.
O café da manhã e demais refeições (cobrados à parte) foram muito fartos e saborosos.
A rua em frente é um pouco barulhenta, mas não chegou a ser um problema para dormir.
A casa está bem localizada, a umas 5 ou 6 quadras do Parque Leôncio Vidal, onde se chega em cerca de 10 minutos a pé.

É necessário fazer reserva com uma boa antecipação diretamente com a Ana através do e-mail anpema1962@yahoo.es

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Meu quarto no Hostal Ana: conforto e espaço de sobra

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Almoço no Hostal Ana, boa comida ao estilo cubano

Onde comer

Eu optei por comer no hostal da Ana mesmo, pois por um preço justo ela preparou ótimas refeições, o que compensou mais que procurar na rua.

Uma opção para lanches rápidos e econômicos em Santa Clara e demais cidades cubanas são as pizzas vendidas na rua, diretamente nas portas de algumas casas. São pizzas pequenas, como as “pizza brotinho” do Brasil, servidas num pedaço de papel e que as pessoas comem na rua mesmo. Custam baratíssimo e você pode pagar com “moneda nacional” se não der pinta de turista na hora de comprar.

 

Sobre viajar e ampliar seus horizontes

Gavin Aung Than é um cara que se dedicada a adaptar citações de pessoas famosas para histórias em quadrinhos. O autor é um designer gráfico que largou o emprego para se dedicar às suas paixões, ilustração e cartum, e publica seus trabalhos no seu site Zen Pencils.
Essa tirinha foi inspirada em frases de Mark Twain e pra mim guarda grandes verdades:

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San Blas, uma joia do Caribe

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Isla Franklin, San Blas, Panamá

Ahhhh… San Blas!

Até hoje me arrepio só de ouvir esse nome. San Blas foi o lugar que me inspirou a fazer o primeiro mochilão e considero um dos top five entre os lugares mais fantásticos onde já estive.

Imagine um paraíso tropical no mar do caribe, com águas azul turquesa banhando praias de areia branquíssima, do tipo que escorre completamente entre os dedos das mãos. Junte a isso coqueiros agitados pela brisa do mar, sol e uma temperatura perfeita. Sim, o paraíso existe. E isso é só uma pálida ideia do que são as ilhas do arquipélago de San Blas.

Como fui parar lá

Numa tarde em novembro de 2009 eu estava de bobeira na internet e achei uma postagem sobre San Blas no mochileiros.com. Na época o destino era tão pouco conhecido que aquilo era praticamente a única informação em português sobre o local. Ao bater os olhos nas fotos imaginei se tratar de um destino para milionários, mas comecei a ler os relatos dos mochileiros que foram pra lá gastando pouquíssimo e vi que era um sonho possível. O fato é que dois dias depois, numa decisão doida, eu estava com minhas passagens compradas e minha primeira viagem internacional marcada.
E não me arrependi! Ilhas tropicais são algo que povoa minha imaginação desde a infância e ir a San Blas foi a realização de um sonho.

Sem maiores delongas, vamos entender o essencial sobre San Blas:

O que é?

Um conjunto de 365 ilhas pertencentes ao Panamá e lar dos índios Kuna, que formam parte da comarca Kuna Yala, localizada ao longo da costa caribenha do Panamá. Costuma-se dizer por lá que San Blas tem uma ilha para cada dia do ano.

Dessas ilhas menos de 50 são habitadas e a maioria é mais ou menos do tamanho de um campo de futebol. Ou menores.

Além das ilhas, a comarca Kuna Yala tem mais de 320 mil hectares de floresta preservada no continente. É uma região indígena autônoma e qualquer exploração de recursos naturais, bem como investimentos estrangeiros, são proibidos na região.

Isso tudo faz com que San Blas seja especial. É o Caribe à moda antiga, com a natureza preservada, sem a invasão agressiva dos grandes hotéis e resorts. Um lugar para se viver uma experiência íntima com a natureza e se desconectar do restante do mundo.

mapa kuna yala

A Comarca Kuna Yala destacada em vermelho. A maioria das ilhas do arquipélago de San Blás se concentra à esquerda.

A hospedagem

Que fique bem claro, San Blas é um destino realmente rústico! A hospedagem é em cabanas de bambu cobertas com palha e onde o piso é a própria areia. Não há eletricidade durante o dia, apenas à noite e somente por algumas horas, quando os geradores a diesel são ligados. Os banheiros são coletivos e só tem água fria.

Desistiu? Calma. Leia um pouco mais…

Parece complicado, mas não é. O clima nas ilhas é perfeito, normalmente não faz um calor escaldante, pois a brisa do mar é constante, não há mosquitos ou outros insetos para perturbar nas ilhas distantes da costa. O clima é tão agradável que é possível dormir tanto nas cabanas quanto em uma rede ao ar livre.

Nos três dias e meio que fiquei por lá eu não senti a menor falta dos confortos “da civilização”, mas fica a dica: caso seu perfil de viagem não seja esse, existe a opção de hospedagem em hotéis e lodges com mais conforto dentro da comarca Kuna Yala, mas alerto que nenhum deles está localizado na parte mais bela do arquipélago. A verdadeira experiência de conhecer San Blas consiste em se hospedar nas cabanas nas ilhas.

Eu escolhi a Isla Franklin quando fui, mas há uma grande variedade de opções. Detalhe que lá eu descobri que o nome da ilha é porque Franklin era o nome do índio mais velho, que é o chefe da galera nessa ilha…

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Essas eram minhas instalações na Isla Franklin…

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E esse o interior da cabana, compartilhado com mais dois estrangeiros.

Como chegar

San Blas fica a aproximadamente 100Km da Cidade do Panamá. Para chegar são 60Km de rodovia e mais 40Km numa estrada secundária. Quando estive lá essa estrada secundária ainda estava sendo pavimentada, sendo inclusive necessário atravessar rios sem pontes para se chegar até a costa, no ponto onde se embarca para as ilhas, através de um rio que desemboca no mar. Por esse motivo o trajeto só era feito por veículos altos, do tipo 4×4. Essa dificuldade a mais de acesso tornava San Blas um destino quase exclusivo de mochileiros. Hoje a estrada secundária foi pavimentada e o transporte está mais fácil.

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No trajeto era preciso atravessar rios sem pontes

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No final da estrada de terra, o ponto de embarque para as ilhas. É necessário levar sua provisão de água potável e algum alimento adicional, como biscoitos, frutas, chocolate, etc, pois a água nas ilhas é de má qualidade e a comida preparada pelos nativos, apesar de saborosa é servida em quantidades limitadas.

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Já embarcando no rio. Note a grande quantidade de pessoas, pois era um sábado. O ideal é evitar os finais de semana, que é quando muitos panamenhos vão para as ilhas.

Eu poderia falar muito mais sobre San Blás, mas existe um excelente guia no site Melhores Destinos com todos os detalhes que você precisa saber para ir pra lá, coisa que teria sido muito útil se já existisse quando eu fui:

http://guia.melhoresdestinos.com.br/san-blas-168-c.html

Então, ao invés de falar mais sobre coisas que estão bem explicadas e repetir informações que se encontram reunidas em um único lugar, deixo apenas algumas fotos dessa joia do Caribe chamada San Blás, para servir de inspiração para quem quiser conhecer.

E claro, se tiver alguma dúvida ou quiser compartilhar sua opinião ou experiência não deixe de escrever nos comentários!

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Chegando na Isla Franklin. Coletes salva vidas era luxo quando eu fui…

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Reconhecendo o terreno…

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O quintal de casa

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Uma porção da Isla Franklin não serve para banho pelo fato do fundo do mar ser de coral, mas a vista é fantástica em todas as direções

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Vista do interior da pequena ilha, que é pouco maior que um campo de futebol.

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O arquipélago é pontilhado de ilhas de vários tamanhos, muitas delas inabitadas

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Isla Franklin

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Fim de tarde na Isla Franklin

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Isla Franklin

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A vidinha mais ou menos na ilha…😉

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Isla Bider Topo, vizinha à Isla Franklin. Pagando poucos dólares aos nativos eles te levam para outras ilhas e voltam buscar no horário combinado.

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Isla Bider Topo. Não havia mais do que 8 pessoas nessa ilha (que é bem maior que a Franklin) nesse dia.

 

 

 

 

O Panamá é muito mais que o canal!

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Nesta sequencia de posts falarei sobre um país encantador, mas pouco lembrado pelos brasileiros quando o assunto é turismo.

É quase infalível: ao falar em Panamá, o que vem à mente em primeiro lugar? A menos que você já tenha ido pra lá, eu tenho certeza que a resposta será o Canal do Panamá. E para alguns o país é apenas um ponto de conexão rumo aos EUA.

Mas o Panamá tem encantos que vão muito além do canal!

Eu diria que de tudo que vi no país, o canal ficaria lá pelo terceiro lugar na lista das coisas mais interessantes.

Bom, essa é a minha opinião, mas talvez você concorde com ela após ler os posts sobre o país.

Falarei sobre o belíssimo arquipélago de San Blas, uma verdadeira joia pouco conhecida do Caribe.  Depois vou dividir minhas impressões sobre a Cidade do Panamá, com seu centro repleto de edifícios moderníssimos, contrastando com o bucólico bairro de Casco Viejo de um lado e as ruínas de Panama Viejo – que estão entre as mais antigas das Américas – no outro extremo.

Daremos uma passada pelo canal também, claro, e finalizaremos a trip na Província de Bocas Del Toro, uma ilha com belíssimas praias ao Norte do país, quase na fronteira com a Costa Rica.

Acho que é um roteiro perfeito para quem quiser fazer uma viagem de 7 a 10 dias pelo país.

Por hora deixo algumas fotos do Panamá como aperitivo e no próximo post começaremos a viagem!

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Dos modernos edifícios do centro da Cidade do Panamá…

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…passando pelo bucólico bairro de Casco Viejo ou…

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…pelas velhas ruínas de Panama Viejo,

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seguindo pelas paradisíacas ilhas do arquipélago de San Blas

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…ou indo até Bocas del Toro ao Norte…

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…o Panamá tem muito mais atrações que o canal (mas ok, ele é bem louco também!)

Cuba III – alugando um carro em Cuba, parte final

Se você é guerreiro e teve paciência de ler todo o post anterior, acompanhou minha epopeia para conseguir alugar um carro em Havana.

Agora falarei de como é a (louca) experiência de dirigir em Cuba e as minhas impressões.

Bom, finalmente eu estava com o Picanto na mão. O Kia Picanto, bem entendido. Aliás, esse modelo, nas cores branca (como era o meu caso) ou azul parece ser exclusivo das locadoras em Cuba. Isso era bem chato, pois onde eu passava a maioria das pessoas sabia que eu era turista.

A funcionária da locadora me explicou o que eu deveria fazer pra sair de Havana e até desenhou um mapinha no papel. Perguntou se eu havia entendido tudo e eu disse que sim.

Na real eu não tinha entendido muita coisa não, mas já eram 17:30h e eu queria chegar em Santa Clara logo, pois não queria viajar à noite e tinha longos 280 quilômetros para percorrer.

Eu pensei: “ah, dane-se, tenho o Lonely Planet com o mapa de Havana, taca-lhe pau nesse carrinho e boa”. Ledo engano. Entrei numa rua errada e logo estava totalmente perdido no centro velho de Havana. Comecei a rodar e nada de entender onde estava e acabei indo parar na frente do Capitólio. Já cansado das complicações do dia pedi para um taxista me guiar para sair da cidade. Eu estava tão fora da rota que até ele demorou um pouco pensando no trajeto a ser feito. E lá se foi mais um pouco de $$$ com isso. =(

Em tempo: GPS está na lista dos produtos proibidos de se levar para Cuba. Poderia usar o do celular, mas sem conexão com internet não dava. E, mesmo que usasse off-line, nem sei se as informações seriam confiáveis por lá.

Mas segui o táxi (um Lada Laika, pra variar) e logo estava na Autopista Nacional. Paguei o taxista e finalmente começava de verdade minha jornada motorizada por Cuba.

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Procurando a saída de Havana. E dividindo as ruas com carros como esse…

Nas estradas

A Autopista Nacional foi mais uma surpresa nesse mundo maluco que é Cuba. É uma estrada de oito pistas. Sim, oito, quatro em cada sentido, quase totalmente plana e com poucas curvas. O asfalto é bom, tem alguns consertos e trechos mais estragados, mas nada muito grave. Depois de uns 80 a 100 quilômetros de distância de Havana o número de pistas se reduz para seis. Mas o mais interessante é andar numa estrada assim quase deserta. A quantidade de veículos é muito pequena. E mais doido ainda é passar por muitos carrões dos anos 50, muitas vezes andando bem, na faixa dos 100Km/h.

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A Autopista Nacional, sentido interior. Oito pistas e apenas um Lada seguindo na frente…

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…e em alguns trechos absolutamente nada.

A Autopista corta quase toda a ilha, tendo quase 600Km de extensão. Os limites de velocidade são de 100Km/h ou 120Km/h, dependendo do trecho. A sinalização não é perfeita, mas suficiente.

Eu rodei pela Autopista de Havana até Santa Clara, o que representa a metade de sua extensão. Não encontrei grandes problemas e em grande parte pude rodar na média dos 100 a 120Km/h, mas alguns cubanos disseram que mais adiante a estrada não está tão boa e que as outras estradas rumo ao outro extremo da ilha (região de Santiago de Cuba) estão bem ruins.

Como previsto, anoiteceu antes de eu conseguir chegar a Santa Clara, o que, somado a uma chuvinha, complicou um pouco a viagem, já que em Cuba nunca se sabe o que pode acontecer. Com receio de encontrar algum buraco na pista ou mesmo pessoas ou animais segui mais “suave”, como se fala por lá.

Saindo da Autopista, as estradas secundárias são de pista simples, com asfalto em razoáveis ou até mesmo em boas condições, porém quase sempre sem acostamento e com sinalização precária.

Uma recomendação importante é evitar ao máximo circular de carro à noite pelas estradas de Cuba. Os próprios cubanos evitam e recomendam isso. Como poucos cubanos tem carro, é muito frequente encontrar pedestres, carroças, tratores, pessoas de bicicleta ou animais pelas estradas. A falta de acostamentos complica isso ainda mais. Portanto, circular à noite pode ser altamente arriscado.

Eu tive que rodar à noite umas duas vezes em estradas secundárias, pois acabei me empolgando e perdendo a noção da hora em alguns locais, e confirmo que isso não é nada agradável. É tudo escuro e mal sinalizado, é preciso ir muito devagar e com total atenção. Até mesmo carros e caminhões sem luzes surgem e representam perigo.

Mesmo durante o dia se encontra muita gente circulando a pé ou de bicicleta pelas estradas, principalmente nas proximidades de áreas urbanas, porém de dia, com boa visão tudo é mais fácil.

Dentro das cidades

Rodar dentro das cidades cubanas, seja no interior ou em Havana, exige uma alta dose de paciência. A maioria das ruas possui calçadas estreitíssimas, quase inexistentes e por isso as pessoas circulam pelas ruas. É preciso ir com muita calma desviando pedestres, ciclistas e animais.

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Uma rua de Santa Clara. A maioria das ruas no interior de Cuba são assim, estreitas, com calçadas apertadas e muitos pedestres.

Havana tem algumas avenidas bem largas, onde se circula muito bem, principalmente no Malecón, mas se entrar no centro antigo se prepare para sofrer num labirinto de ruelas coberto de obstáculos. Melhor evitar. Aliás, alugar um carro somente para andar em Havana é totalmente desaconselhável.

As caronas

Uma peculiaridade que eu só vi em Cuba é que as caronas são uma instituição nacional. As dificuldades com transporte são tantas que os cubanos são obrigados (por lei, creio eu) a dar carona. Em alguns locais existem até filas da carona, organizadas por funcionários públicos!

Eu não tinha essa obrigação, mas claro que dei muitas e muitas caronas, pois essa foi uma ótima oportunidade de fazer uma das coisas que mais gosto em viagens: conviver com a população local, conversar e conhecer mais sobre a vida e o cotidiano do país. Nos 7 dias rodando por Cuba dezenas de pessoas entraram e saíram do carro.

Dei carona a todo o tipo de pessoa: jovens, velhos, mulheres, crianças, médicos, dentistas, estudantes, donas de casa, muitos “guajiros”, que é a expressão que define o habitante do interior cubano, com um significado semelhante ao caipira ou sertanejo brasileiro…

Todas as conversas foram muito proveitosas e após conquistar um pouco de confiança dos caroneiros eu aproveitava para tocar nos assuntos mais espinhosos e perguntar o que achavam de Raúl Castro, de Fidel, dos EUA, etc. Alguns eram relutantes em falar, outros soltavam o verbo e pude ouvir as mais diferentes opiniões.

Os cubanos em geral são muitos amáveis e expansivos, muita vezes ingênuos até, mas sempre tem os espertinhos e eu havia lido em algum lugar do caso de caronistas terem surrupiado alguns pertences de um carro de turistas. Por isso evitei dar bandeira: a mochila cargueira ficou no porta-malas e a mochila de mão no chão diante do banco da frente, ao alcance dos olhos. Pequenos pertences, como carteira, passaporte e óculos de sol foram no porta-objetos na minha porta. Não tive qualquer problema com relação a furtos.

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Belas paisagens não faltaram durante a trip, como essa árvore entre Camajuani e Remedios…

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…o belo pôr do sol em Cayo Santa Maria…

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…ou a vista no caminho para a Playa Ancon, em Trinidad.

Causos

Tive três pequenos incidentes, se é que dá pra chamar assim, mas nada de mais.

O primeiro foi quando parei no acostamento da Autopista para pedir informações e ao sair não vi uma cratera na borda da pista. A roda traseira caiu num buraco imenso, senti um soco seco e o fundo do carro bater forte no chão. Pensei: “pronto, deixei um pedaço do carro na estrada”, mas por sorte fui olhar e estava tudo intacto, sem nenhum arranhão. Os cubanos que deram a informação devem ter pensado “gringo loco!” Mais um motivo para redobrar a atenção nas estradas cubanas…

O segundo incidente foi quando seguia de Santa Clara para Trinidad. Outra regra de ouro em Cuba é nunca deixar o tanque do carro com nível baixo, pois os postos de gasolina são poucos e muito espaçados. Eu sabia disso, mas achei que havia combustível suficiente, porém o perfil da estrada, o ar condicionado ligado e também o fato de ter dado carona para várias pessoas, que lotaram o carro, fez com o que o consumo fosse maior e a luzinha da reserva acendeu no painel quando ainda faltavam muitos quilômetros até o destino. Os caronistas informaram que o próximo posto seria somente em Trinidad e comecei a me preocupar. Consegui chegar “só no bafo” do combustível.

Aí parei no posto e o funcionário disse que não havia nem uma gota de gasolina, pois havia acabado e estavam esperando o caminhão chegar trazendo mais. Situação comum por lá. Perguntei se havia outro posto na cidade e aí começou a pilantragem. O frentista disse que era o único da cidade, mas que um conhecido tinha gasolina para venda. Em minutos o tal conhecido apareceu com a esposa e disse que tinham 20 litros num galão. O preço era alguns centavos mais caro que o normal, mas como não havia outro recurso, aceitei. Tive que estacionar o carro numa ruazinha mais escondida, pois era contra a lei ele vender gasolina. Aí quando fui pagar ele me pediu uma gorjeta e a esposa dele também, pois havia sido ela quem despejou no tanque… Já meio irritado concordei e quando olhei pro lado estava cercado de gente me pedindo alguma coisa! Desde sabonetes a camisetas usadas! Tive que falar que não tinha condições de dar nada (o que era verdade) e por sorte logo desistiram. Pra fechar o episódio, depois que saí e olhei o marcador, o ponteiro estava indicando menos de 20 litros! Se colocaram 15 litros foi muito. E nessa eu perdi uns 40 reais de bobeira… Como se não bastasse, no outro dia descobri que havia mais um posto na cidade a poucas quadras dali…

O terceiro episódio foi quando eu seguia para Varadero e dei carona para umas quatro pessoas. Dois desceram antes e ficaram duas meninas, aparentemente menores de idade ou na faixa dos 18 anos. Nessa única ocasião fui parado num posto policial. Por total falta de sinalização estava numa velocidade baixa, porém acima do indicado para o local. A policial reclamou um pouco, mas por sorte as meninas disseram que eu vinha seguindo “suave” o tempo todo. Na verdade a polícia cubana não costuma perturbar muito os turistas, pois sabe da importância de tratá-los bem. Ela só pediu pra ver meu passaporte e ficou tudo tranquilo. Só que as meninas estavam sem documentos e a policial fez elas descerem e assinarem alguma coisa, além de ameaçar ligar para a família delas. As duas foram liberadas e voltaram brancas de susto e tremendo para o carro. Disseram que se fossem pegas uma segunda vez sem documentos a casa iria cair pro lados delas.

Combustível

Em Cuba existem dois tipos de gasolina. Uma inferior e mais barata para os cubanos e uma mais cara, exclusiva para os carros de locadora (ou para quem se dispuser a pagar por ela). Por lei você é obrigado a usar a mais cara. O preço equivale mais ou menos ao custo da gasolina comum brasileira.

Por duas vezes eu consegui convencer os frentistas a colocar a gasolina mais barata, mas em alguns lugares isso não foi possível. Aí vai da sua lábia pra conseguir.

Conclusões

Como citei no início do post anterior, alugar um carro em Cuba foi uma experiência interessante e não me arrependi, apesar do alto custo. A principal razão de optar pelo carro foi o objetivo de conhecer bastante coisa de Cuba, mesmo não tendo muitos dias para isso. Porém se você tem mais tempo para viajar pelo país (pelo menos uns 15 dias) talvez seja mais interessante (e econômico, claro) optar pelo transporte público.

Nesse caso, as principais cidades são ligadas por uma empresa com bons ônibus (alguns de fabricação brasileira, inclusive), a Viazul. Também é possível viajar de carona, já que isso é muito fácil de conseguir por lá. Os táxis são coletivos e não custam muito. Várias cidades são ligadas por trem, mas os que vi pareciam bem judiados e desconfortáveis.

Se o seu objetivo for conhecer apenas Havana e imediações esqueça o carro, pois ele vai atrapalhar mais do que ajudar.

Os sites das principais locadoras de Cuba, para tentar a sorte:

REX: http://www.rex-rentacar.com/client/home/index.php

TRANSTUR: http://www.transturcarrental.com/  (abrange a Rex, Cubacar e Havanautos)

HAVANAUTOS: http://www.havanautos.com/homecars2.aspx

 

 

Cuba II – Alugando um carro em Cuba: perrengues e confusões

Como eu citei no primeiro post, alugar um carro em Cuba pode ser uma experiência totalmente nonsense.

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Então eu aluguei este carro e… Mentira, isso foi só pra deixar o começo do post mais chamativo… hehehe

Alugar um carro em Cuba é muito caro, a maioria das estradas é mal conservada e mal sinalizada e dirigir dentro das cidades é muito complicado. Ainda assim, não me arrependi de ter feito isso e direi por quê.

Porque decidi alugar um carro

A ideia surgiu desde os primeiros planejamentos para a viagem. Como eu teria apenas 10 dias para conhecer Cuba e queria ver o máximo possível do país, mas sem muita correria, decidi que alugaria um carro, ainda mais se tratando de um lugar cujo transporte é complicado.

Se a intenção fosse apenas circular por Havana e imediações, um carro seria na verdade um grande estorvo, mas como eu desejava conhecer o interior consegui percorrer quase uns 50% do país num ritmo tranquilo, sem atropelos.

Tarefa complicada

As complicações para conseguir um carro nas terras de Fidel não foram poucas. Pra começar, simplesmente não consegui reservar nada via internet. Se você conseguir essa façanha, considere-se uma pessoa de sorte!

Cuba tem umas poucas locadoras, as mais conhecidas são a REX, Havana Autos, Cubacar e Transtur. Todas na verdade pertencem ao governo pelo que consegui entender e acabam sendo quase a mesma coisa. Se é que não são, sei lá.

O fato é que os sites de todas são péssimos ou mesmo inexistentes. Parecem sites dos anos 90. Quando tentei fazer uma reserva as páginas davam erro ou meus e-mails não eram respondidos. Quando responderam chegou a vir uma resposta da Alemanha de uma empresa que seria uma espécie de representante da locadora fora de Cuba, mas que não poderia me ajudar em nada!

A única página que parecia funcionar era justamente a da locadora que tinha os carros mais caros.

Enfim, estava tão complicado que simplesmente desisti e deixei pra ver o que acontecia na hora que chegasse lá.

E aí eu cheguei. E as complicações foram ainda maiores.

Desembarquei no aeroporto de Havana (que parece uma rodoviária, mas chamam de aeroporto) e fui ver se achava alguma locadora ali. Havia dois stands de locadoras, das mesmas empresas já citadas, mas em ambos informaram que não tinham nenhum carro para alugar. Era dia 02 de janeiro e por isso a cidade estava cheia de turistas e os carros todos locados.

Eu já havia feito reserva numa casa de família em Santa Clara (uns 280Km de distância) para essa noite e tinha que chegar lá. Era pouco mais de meio-dia. Conversa daqui, conversa dali, e um taxista se ofereceu para irmos até o centro de Havana e procurarmos um carro para alugar. Ele faria isso por um preço fixo, independente de quanto tivesse que rodar.

Como o preço estava razoável, aceitei a proposta e lá fomos nós numa saga atrás de uma locadora. Tentamos umas cinco e a resposta era sempre a mesma: “no hay coches para alquilar em Habana!” Pelo menos essa parte do táxi serviu como um minitour por Havana… =)

Diante da situação e da minha decepção, o taxista me deixou na rodoviária, já que só restava o ônibus como opção para chegar a Santa Clara. Quando entrei na rodoviária a situação era caótica, uma multidão se acotovelava e deu trabalho para atravessar aquilo num calor do caramba. Se o aeroporto parecia uma rodoviária, sei lá o que a rodoviária parecia. Aí, quando consigo chegar ao guichê da empresa, segue-se um diálogo surreal com um cara que parecia estar derretendo com o uniforme da empresa, com uns 5 botões da camisa desabotoados e encharcado de suor no meio daquela balbúrdia. A própria imagem do sofrimento.

– Tem ônibus para Santa Clara? Pergunto eu.

– Tem sim, às 15:00h.

– Então quero uma passagem.

– Passagem não tem, está lotado.

-Hum?! É? E depois desse, qual o próximo?

– Só as 22:30h.

– É muito tarde pra mim, não tem outra opção?

– Tem esse das 15:00h.

– Mas você não disse que está lotado?

– Está sim.

– Ué, mas como faço então?

– Você pode ir perguntando pela rodoviária quem vai pegar esse ônibus e ver se alguém desiste de ir e te vende a passagem…

Por Deus que achei que o bigodudo das passagens estava tirando com a minha cara, mas não. Ele e as pessoas próximas estavam tratando a situação com a maior naturalidade. Coisas normais em Cuba.

Naquele momento refleti que, se cada vez que eu reclamar do meu emprego eu lembrar do bigodudo naquele guichê lotado e sem ar-condicionado, naquela rodoviária entupida de gente, verei que sou feliz…

Bom, pegar o ônibus das 22:30h era fora de cogitação, pois eu chegaria passado das 2 horas da madruga em Santa Clara e nem sequer fazia ideia de como usar um telefone em Cuba para tentar comunicar a dona da casa.

Êlaiá… Saí da rodoviária pra pensar no que fazer e logo um taxista com um velho Lada Laika caindo aos pedaços veio perguntar se eu queria ir para o centro. Respondi que não e expliquei minha situação. Ele me disse que sabia de uma locadora meio esquecida de todos, pois ficava no estacionamento do Hotel Nacional e normalmente só os hospedes alugam carros lá.

E lá fomos nós. Eu evitando me encostar na porta do Lada com medo que ela se abrisse… Alías, parecia que qualquer coisa naquele carro poderia cair se encostasse a mão… No rádio alguma música caribenha em volume alto e um cheirão de gasolina a cada acelerada. O banco estava tão detonado e a suspensão tão arriada que parecia que eu estava sentado num pudim motorizado.

Mas o cara foi bem prestativo – como os cubanos costumam ser – e chegamos ao pequeno guichê da locadora, meio escondido sob uma enorme figueira no estacionamento do Hotel Nacional. E finalmente dei sorte. Não AQUELA sorte, mas um pouco de sorte, pelo menos.

Havia um Kia Picanto disponível para as 17:30h. Não era o mais barato da locadora. Por ter câmbio automático era o segundo mais barato. Mas só o fato de ter conseguido já me animou.

Você imaginava que eu alugaria um Plymouth 1955 ou um Bel Air 1957 em Cuba? Não não jovem. Os carros para locação são atuais. Aliás, o “meu” estava com 1000 e poucos Km apenas, cheirando novo!

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Esse foi o transporte por 7 dias em Cuba. Ok, um Cadillac 1956 seria mais divertido, mas não é bem assim que funciona…

Enquanto a mulher preenchia a papelada e o mimimi burocrático perguntei se podia usar o banheiro. Ela me indicou o tronco da figueira e disse que era ali o banheiro deles… Pois é, Cuba não é para os fracos. A julgar pelo tamanho, a árvore já devia existir desde que Fidel era guri, de forma que o tronco era quase uma parede. Como o aperto era grande, dei uma boa olhada pra me certificar de que ninguém estava vendo e irriguei um pouco mais a figueira…

O engraçado é que a locadora era da Cubacar e eu já havia passado em outras lojas da mesma empresa e não havia carros disponíveis. Simplesmente porque em Cuba você não vai encontrar internet ou computadores ligados em rede, onde se possa pesquisar esse tipo de coisa. Não adianta, você precisar ir pessoalmente ou ligar para os locais.

Bom, já mais tranquilo, fui tomar uma cerveja no hall do Hotel Nacional e bater um pouco de perna por Havana, já que teria umas 3 horas livres até as 17:30h. Mas isso é assunto para outro post.

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Após um dia confuso em Havana, essa foi a merecida recompensa, de fabricação cubana…

Custos – aí que o bicho pega!

Pois é, acredito que o aluguel de um carro em Cuba esteja entre os mais caros do mundo. Sete dias de carro me custaram o equivalente a 2.100 reais em janeiro de 2015! Ou seja, foram coisa de 300 reais/dia! Para um mochileiro pé rapado como eu, isso é muita grana e o custo com carro foi mais da metade do total de gastos em Cuba! Foi também um pouco menos que o custo total das passagens aéreas de ida e volta.

Talvez o que mais complicou foi o fato de estar sozinho. Em quatro viajantes seriam R$ 525,00 por pessoa. Bem mais razoável.

Mas, como já disse, não me arrependi. O carro me permitiu ver muito mais de Cuba do que seria possível sem ele. E convenhamos: alguns milhares de Km de aventura valem muito mais do que uma TV de LED nova, por exemplo – e você mofando num sofá – não concorda?

No próximo post falarei do que aconteceu após as 17:30h desse primeiro e atrapalhado dia em Cuba e de como foi a experiência maluca de dirigir por lá.

Cuba I – Cuba realmente parou no tempo?

Na primeira postagem do blog já começo falando sobre o país mais complicado de se descrever dos que pude visitar até hoje: Cuba.

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Carros dos anos 50 circulando pelo Malecón de Havana. Ao fundo o Hotel Nacional.

A ilha de Fidel povoa o imaginário de muitos e mesmo hoje, quando já é bem mais fácil conhecê-la, ainda pariam muitas dúvidas sobre o país e suas realidades. Sim, realidades, e são muitas, como mostrarei ao longo dos próximos posts.

Realmente, não pense que é fácil falar sobre Cuba. Nem um pouco. É preciso viver e experimentar seu cotidiano para avaliar seus contrastes. Cuba é uma cápsula do tempo, um paraíso tropical dividido entre a beleza e a miséria que parou em 1959, quando Che, Fidel e Raúl Castro apertaram a tecla pause na vida do país. Um microcosmo de contrastes e contradições. Você poderá visitá-la e revisitá-la e aparentemente nunca encontrará todas as respostas. Exagero? Não sei, mas eu pelo menos continuo tentando entender tudo o que vi e vivi por lá.

Eu passei 11 dias em Cuba. Não foi tanto tempo quanto gostaria, mas foram dias muito bem aproveitados e suficientes para conhecer a metade do país, sobretudo porque aluguei um carro para isso, uma experiência totalmente nonsense em se tratando de Cuba, mas da qual não me arrependo e falarei a partir do próximo post…

Há muito – muito mesmo – o que se falar sobre Cuba, mas neste primeiro post trato sobre um assunto que sempre me intrigava desde criança: Cuba realmente parou no tempo? Tudo lá continua como na década de 50? Sim. E não. Mas muuuito mais sim do que não!

A maioria dos carros cubanos são realmente aquelas relíquias dos anos 50?

Aham. Não digo a maioria, mas quase! Eu avaliaria a frota de carros cubana mais ou menos assim, pelo que pude constatar: uns 40% são carros anteriores a 1959; uns 35% são Lada (aqueles carrinhos russos que foram vendidos no Brasil no começo dos anos 90, quando começaram as importações) e o restante são carros atuais (considerando atuais os carros fabricados de uns 15 anos pra cá).

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Cena comum no dia-a-dia de Cuba.

Os carros de diversas gerações estão misturados no trânsito, mas é comum flagrar grupos somente de carros antigos, dada a grande quantidade existente. Nos primeiros dias em Cuba eu ficava fascinado vendo todos aqueles carros como se estivesse num museu ao ar livre. No final da trip já havia até me acostumado com a cena e nem ligava muito, de tanto que ainda se vê esses carrões…

Um detalhe interessante é que existe um “hiato” muito claro na idade dos carros, pois com a Revolução a importação de automóveis parou ali por 1959 e só foi retomada anos depois, com a aproximação de Cuba com a extinta URSS (que acabou em 1991). É aí que entram os Lada (principalmente o modelo Laika, sedan e perua). Então praticamente todos os carros de meados dos anos 60 até o comecinho dos anos 90 são russos.

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Um Ford Fairlane 1955 ao lado de uma Lada Laika e alguns carros mais modernos ao fundo.

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Detalhe para o bem-humorado adesivo no vidro traseiro do mesmo carro: “dos Chevrolet no hacien un Ford” (dois Chevrolet não fazem um Ford). Muitos cubanos tem noção do valor das relíquias que dirigem e do interesse que elas despertam nos turistas. Os carros antigos são praticamente um patrimônio cultural cubano.

É preciso dizer que a maioria dos carros antigos estão em bom estado de conservação – considerando que muitos rodam a mais de 60 anos. Alguns estão realmente impecáveis ou precisam de muito pouco para ficar em ótimo estado.

E como os cubanos conservam esses carros americanos antigos? Bem, o cubano é por excelência um faz-tudo. A situação os obrigou a se virarem do jeito que podem e a sempre dar um jeitinho. Conforme eles me contaram, a grande maioria dos carros antigos teve seus motores originais trocados por motores a diesel para torná-los mais econômicos. São motores adquiridos de segunda mão de países próximos, como Panamá e Costa Rica, por exemplo. Normalmente são provenientes de pick-ups, para conseguir mover coisas tão pesadas.

Tenhamos em mente que ter um carro em Cuba é como ter um bem muito precioso, que passa de pai para filho e que se for perdido talvez nunca mais se consiga comprar outro. Isso explica porque é possível ver tantos carros dos anos 50 (ou mais antigos) com todos os detalhes, como cromados, instrumentos, faróis e lanternas originais.

E a arquitetura?

Sim, também parou no tempo. A região central de Havana está dividida essencialmente numa parte bem antiga e outra mais “nova”.

A parte mais nova é a próxima ao Hotel Nacional e existem uns poucos prédios altos nessa região, todos datados dos anos 40/50, bem no estilo “caixotão” típico dessa época. Eu não vi absolutamente nenhuma construção na região central de Havana que seja do período pós-Revolução!

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Ao fundo alguns dos prédios de Havana na parte considerada a mais nova da região central cidade. Mesmo assim são todos anteriores a 1959.

A parte antiga da cidade, chamada “Habana Vieja” continua como nos anos 50. Degradada sim – e muito – mas intocada em suas características arquitetônicas.  São cerca de 214 hectares de área, onde vivem 66 mil habitantes em cerca de 22 mil habitações.

Em muitas vielas nessa região o cenário chega a ser perturbador: são dezenas de quadras repletas de casarões coloniais ou prédios que viraram grandes cortiços, já que foram divididos entre diversas famílias após a Revolução. A imensa maioria não recebe pintura há décadas e estão literalmente se desfazendo, embora continuem habitados. É comum ver musgo e vegetação crescendo pelas paredes aqui e ali em fachadas muitas vezes ricamente ornamentadas, que o tempo vai esfarelando. Uma profusão caótica de fios elétricos aleatoriamente instalados, roupas estendidas para secar nas sacadas de ferro…  Algumas vezes a sensação é de que algo vai desabar e pode cair na sua cabeça.

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Este é o cenário comum em boa parte da “Habana Vieja”

Mas mesmo assim, há um encanto em meio a esse caos. Eu acredito que não exista outra cidade do porte de Havana nas Américas que tenha mantido sua arquitetura intocada dessa forma. Se a situação econômica cubana melhorasse e pudessem ser feitos grandes investimentos para uma restauração maciça desses prédios, com certeza Havana se tornaria belíssima e voltaria a brilhar como no passado.

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É assim em dezenas de ruas. Praticamente nada de novo foi construído desde 1959. Um cenário triste, mas ao mesmo tempo inspirador se pensarmos no que poderia ser feito se tudo fosse restaurado e Havana recuperasse sua dignidade perdida.

Aliás – e felizmente – isso já existe, embora não tão intensamente quanto o desejável. Desde 1994 Havana tem um projeto de restauração de edifícios históricos chamado Plan Maestro, que conta com cerca de 40 profissionais e tem devolvido a beleza original a diversos prédios históricos. Na verdade o processo começou ainda antes disso, em 1981 com a restauração de 60 edifícios entre a Praça de Armas e a Praça da Catedral. O que se vê nessa região, que é a mais turística da capital, realmente é muito bacana. Percebe-se que o trabalho foi minucioso e os prédios estão belíssimos, assim como o seu entorno. Há de se citar também, que Habana Vieja é patrimônio reconhecido pela UNESCO.

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Prédios imponentes e bem restaurados como este mostram uma Havana que já teve ares de Europa.

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O Gran Teatro de Havana e o Capitólio ao fundo, ambos passando por restaurações.

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Todos os prédios no entorno da Plaza de Armas (ou Plaza Vieja) foram restaurados. O dia chuvoso prejudicou a foto, mas o resultado foi muito bom.

E no interior?

O que vi no interior foi o mesmo que em Havana. Muitas construções antigas caindo aos pedaços, mas também há várias coisas restauradas, especialmente ao redor das praças e regiões centrais das cidades. Timidamente algumas construções novas surgem aqui e ali.

A exceção são as regiões turísticas como Cayo Santa Maria e Varadero. Nesses locais há muitos hotéis e resorts de alto padrão novos ou em construção. Falarei disso mais adiante, em posts específicos.

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De uma rua decadente em Caibarien…

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…ao belíssimo e bem cuidado conjunto arquitetônico ao redor da praça central de Trinidad. Contrastes não faltam em Cuba.

E o que há de novo?

Quase nada. Mas timidamente algumas inovações vão entrando na vida do cubano, embora ainda sejam para poucos. Em algumas casas onde fiquei hospedado já havia TV de LED, por exemplo, mas esse tipo de “luxo” praticamente só é acessível aos cubanos que trabalham na área de turismo e tem um faturamento acima da média local. CDs e DVDs (piratas invariavelmente) estão na moda, como estiveram no Brasil há mais de 10 anos…

No comércio as contas ainda se fazem na velha máquina registradora, com calculadora ou à mão mesmo… O uso de cartões se restringe aos locais que só atendem turistas e mesmo assim é raro e limitado ao crédito apenas.

Em alguns locais vi alguns raros computadores. O acesso à internet é complicado e muito caro. Vi algumas lan houses, mas desisti de usar devido ao alto preço. Esqueça o acesso à internet por meio de smartphones.

Falando em smartphones, eis outra coisa pouco conhecida em Cuba. Algumas pessoas tem telefone celular, mas de modelos antigos e sem acesso à internet. O máximo que eles fazem é falar rapidamente ou enviar algumas raras mensagens de texto.

Tudo isso contribui para a sensação de volta no tempo ao visitar Cuba. Além de toda a atmosfera congelada no passado, ainda não se vê pessoas usando celulares ou tablets pelas ruas. Nem mesmo os turistas, visto que não há muito que se fazer com esses aparelhos sem internet. Por outro lado, ainda se vê coisas que sumiram de nossa realidade, como sapateiros, engraxates, costureiras e outros tipos de comércio. As crianças brincam muito mais nas ruas, os aposentados conversam ou jogam dominó e a vida ainda corre mais lenta nessa ilha esquecida nas trilhas do tempo…