Os últimos dias de um “resort fantasma” em Aruba

Apesar deste não ser um blog de exploração de lugares abandonados, como vários que existem na internet, é um assunto que acho interessante e por isso resolvi fazer este post sobre uma visita a um grande resort abandonado em Aruba.

O Bushiri Beach Resort foi um resort “all inclusive” localizado em Oranjestad, capital de Aruba. Tratava-se de um grande complexo junto à praia com 155 quartos, piscinas, duas quadras de tênis, cassino, bar, etc.

Até onde consegui descobrir foi inaugurado em 1979 e era de propriedade do governo da ilha. Em suas dependências havia uma escola de formação em hotelaria, contando com muitos estudantes que lá aprendiam na prática para depois trabalhar em outros hotéis e resorts de Aruba.

Devido à má gestão, o Bushiri foi fechado no início dos anos 2000 e assim ficou até hoje, deteriorando-se.

Desde então o governo de Aruba vinha tentando dar algum destino ao local. Algumas tentativas de venda para grandes redes de hotéis foram frustradas e cada vez mais as instalações estão em piores condições. Um novo projeto, bastante apoiado pela população, pretende demolir tudo de vez e criar mais uma praia pública na ilha, visto que muitas por lá são particulares.

Justamente quando eu estava finalizando este post (final de agosto de 2017) apareceram notícias na internet de que a demolição finalmente foi iniciada pelo governo de Aruba, com um prazo estimado de até 55 dias para a conclusão. Isso torna o assunto até mais interessante, visto que as fotos, de maio de 2017, retratam então os últimos dias do conjunto de construções.

Não consegui informações do ano exato em que o Bushiri Resort foi fechado, mas tudo leva a crer que foi em 2002, pois ainda achei muita papelada lá dentro e as datas mais recentes que encontrei foram sempre de 2002.

O interessante é que o local foi fechado com praticamente tudo dentro, desde computadores nos escritórios até TVs, cortinas e colchões nas camas dos quartos! Provavelmente seria um fechamento provisório, mas a reabertura nunca aconteceu. Como Aruba tem um clima muito seco, mesmo passados 15 anos muita coisa ainda estava conservada. E, considerando-se todo esse tempo, o local não foi tão depredado, visto que as condições econômicas dos habitantes da ilha são boas e que grande parte de quem passa por lá são turistas.

Então vamos às fotos. Essa exploração, como já citei, foi feita em maio de 2017. Consegui algumas fotos em baixa resolução do tempo que o resort ainda funcionava, a maioria em sites antigos esquecidos na internet.

Em tempo:

  1. Não havia absolutamente nada impedindo a entrada no local, muita gente entra lá, e nada foi trazido das instalações, a não ser fotos.
  2. O autor deste blog entrou por sua conta e risco e não aconselha ninguém a fazer o mesmo em locais semelhantes, visto que o local apresentava perigos, como objetos cortantes, escadas sem pega-mãos, fossos de elevadores sem proteção, risco de encontrar animais peçonhentos, etc. Além do mais, mesmo em total abandono, o local continua pertencendo ao governo de Aruba. Então as fotos visam apenas registrar, por mera curiosidade, um local que teve seus tempos de glória, por onde passaram muitas pessoas, e que agora está destinado a desaparecer.
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A fachada de um dos prédios do resort em maio/2017 e na foto menor o mesmo lugar nos anos 90

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O resort nos seus últimos anos de funcionamento e em 2017

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A face de um dos prédios voltada para a praia, em fotos antigas e em 2017

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Não é o mesmo ângulo nas duas fotos, mas este era o lobby do hotel. Notar a escada que aparece em ambas as fotos

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Subindo a escada, essa era a visão no 2º andar

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Um sofá do mesmo modelo dos que aparecem na foto menor

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A piscina dos adultos vista do 2º andar, em fotos antigas e o que restou em maio de 2017

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Piscina

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Um quarto ainda com revestimentos nas paredes

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Cartões de hóspedes…

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…e o que sobrou da fechadura eletrônica de um quarto.

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O banheiro de um quarto

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Quartos, antes e depois

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Cabides no armário de um quarto

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Balcão em um quarto

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Quartos, antes e depois

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vista de um quarto para a praia

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Outro banheiro

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Um quarto com equipamento de cozinha

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Parece que alguém usou esse quarto algum tempo após o fechamento do resort. Um vigia talvez?

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Quartos, antes e depois… Notar a cabeceira de cama

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Informativo de telefones para os hóspedes

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Revistas de 2002. Ainda havia muitas destas espalhadas pelos quartos…

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…principalmente esta, também de 2002. Quase todo quarto ainda tinha uma.

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Restos de uma TV

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Placa jogada no chão

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Outra placa, ainda na parede

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Quartos, antes e depois…

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Um quiosque do antigo bar da piscina

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Não perturbe…

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elevadores

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Esse era o cenário nos corredores. Toda a fiação elétrica foi levada e dava pra ver que em alguns lugares fizeram fogueiras para separar o cobre do revestimento dos fios.

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Uma cúpula de abajur…

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…e os restos de um estoque delas onde deve ter sido o almoxarifado.

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O que restou da lavanderia

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Lavanderia

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Lembrança de algum Natal…

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Um pedido de uma Fanta Laranja em 21/02/2002

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Armários de um vestiário…

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…e dentro de um deles um adesivo dos bombeiros de Aruba de 1987/1988

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Livro da manutenção de setembro de 1998 a março de 1999 e…

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…dentro dele anotações do cotidiano do resort: coisas que quebraram, conserto de TVS, etc…

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Uma máscara do reveillon de 2000, frente…

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…e verso.

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Uma opinião de um hóspede americano no ano 2000: música muito alta…

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Restos de material de escritório

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Um cartão de registro de hóspedes

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Nestas anotações de 15/04/1999, entre outras coisas, um hóspede com suspeita de intoxicação e o esquecimento de uma câmera Kodak num táxi…

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O que restou de um telefone

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Quiosques entre a piscina e a praia

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O que restou do restaurante do resort.

Notícias do início da demolição (escritas em papiamento):

http://www.boaruba.aw/minister-di-infrastructura-benny-sevinger-awo-cu-a-cuminsa-desmantela-ex-bushiri-hotel-por-sigui-cu-e-plan-pa-desaroya-henter-e-area/

http://www.boaruba.aw/prome-minister-mike-eman-ta-hopi-satisfecho-desmantelacion-di-ex-bushiri-hotel-ta-pone-un-area-grandi-di-tereno-bek-den-man-di-pueblo/

Reafirmo: este blog não incentiva ninguém a entrar lá. Em hipótese alguma esse local pode ser considerado um ponto turístico de Aruba e mesmo o local estando totalmente depredado e abandonado, as fotos foram feitas sem interfir ainda mais no local. E nada foi retirado de lá.

NOTE: this blog does not encourage anyone to go in this (or others) abandoned place. Under any circumstances can this place be considered a tourist spot of Aruba and even the place being totally depredated and abandoned, the photos were made without interfering  in the place. And nothing was taken away from there. The photos are only intended to record, by mere curiosity, a place that has had its times of glory, where many people passed, and which is now destined to disappear.

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Como é um passeio de balão na Capadócia

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Desde que a novela Salve Jorge foi exibida entre 2012 e 2013, a antes pouco conhecida Capadócia se tornou um destino muito popular entre os brasileiros. E a melhor forma de apreciar toda a deslumbrante beleza dessa região surpreendente da Turquia é fazendo um passeio de balão.

A Capadócia fica na porção central da Tuquia e a maioria dos turistas se hospedam em três cidades: Ürgüp, Avanos e Göreme, mas sem dúvida Göreme é a principal e mais interessante.

Como chegar

Göreme está a cerca de 800Km de Istambul. As principais opções para ir até lá são de avião ou ônibus. De avião leva pouco mais de 1 hora de voo, mas é necessário pousar na cidade de Kayseri e lá pegar um táxi ou ônibus para Göreme.

Eu fui de ônibus desde Istambul e foram cerca de 8 horas e meia de viagem.  Saí de Istambul à noite e cheguei de manhã em Göreme. Não dá pra dizer que seja uma viagem das mais confortáveis, pois os ônibus europeus costumam ser bem diferentes dos brasileiros. Os assentos são pequenos e estreitos e por incrível que pareça os banheiros são desativados, sendo preciso descer nas paradas para ir no banheiro. Além disso, os ônibus fazem muitas paradas, tem sempre gente embarcando e desembarcando, o que torna complicado conseguir dormir.

O passeio de balão

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Em Göreme existem várias empresas que fazem os passeios. Algumas são mais baratas, mas oferecem um serviço mais simples. Eu optei por uma um pouco mais cara, mas que valeu a pena, pois foram muito profissionais e contam com bons equipamentos. Acho que vale a pena investir um pouco mais, considerando que um passeio de balão não é uma coisa comum e que você não sabe se terá a oportunidade de fazer de novo.

É tudo muito bem organizado e para se contratar o passeio é simples: isso pode ser feito em Göreme mesmo, com pelo menos um dia de antecedência. Normalmente são muito balões fazendo os passeios diariamente e não costuma faltar lugar, porém se você for na alta temporada pode ser melhor entrar em contato com a empresa com maior antecedência pra garantir que haverá lugar.

Em Göreme é possível contratar os passeios nos hotéis, agências de turismo ou nas próprias operadoras.

Os passeios acontecem bem cedo, começando em torno das 6:30h. No meu caso o pacote incluia um café da manhã. Então, próximo das 5:30h da manhã as vans da empresa passam nos hotéis e pousadas e reúnem o pessoal, seguindo para um hotel, onde o café é servido. De lá todos seguem para o local onde os balões já estão começando a ser enchidos, a uns 15 minutos do centro da cidade.

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Bem cedinho o pessoal já está enchendo os balões

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Os balões são bem grandes e cabem até 24 pessoas nos “cestos”. Para quem nunca entrou num desses sacos de pano cheios de ar quente, com certeza vai dar um friozinho na espinha no começo da ascensão, mas a paisagem é tão fantástica que assim que você começa a ver as formações rochosas do alto esquece qualquer preocupação.

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Assim são os cestos dos balões, sendo o de baixo um para 24 pessoas. O operador fica na divisão central. Repare que dos lados tem buracos para apoiar os pés para entrar e sair do cesto.

Os balões vão subindo suavemente, um a um, e logo o céu fica repleto deles, voando em diferentes alturas ao mesmo tempo que o sol vai nascendo no horizonte. É realmente um espetáculo que vale cada centavo do investimento.

No momento da descida, o balão segue para uma grande área descampada e a equipe de terra vai seguindo com um veículo e se comunicando via rádio, pois um balão não pousa sempre num mesmo ponto exato, como um helicóptero. Assim que ele se aproxima do solo, a equipe de terra agarra as cordas que pendem do balão e termina de guiá-lo para o pouso.

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Aqui o pessoal já havia terminando de colocar o cesto na carretinha e esperava o balão terminar de esvaziar.

A empresa que contratei finaliza o passeio com uma taça de champagne e entrega um certificado. Não sei se todas fazem da mesma forma, mas achei muito legal. Fechou com chave de ouro o passeio.

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Fim do passeio com uma taça de champanhe…

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…e o certificado, uma lembrança de viagem muito bacana.

Segue o link da empresa, Turkiye Ballons:

https://www.turkiyeballoons.com/en/

Medo? Vai com medo mesmo…

Já teve quem me disse que não encararia um passeio desses por achar muito perigoso. Bom, houve uma queda de balão na Capadócia em 2013 e outra em 2017, mas são dezenas e dezenas de balões fazendo esse passeio todos os dias, então acho que o risco de uma queda é praticamente o mesmo de uma queda de avião e muito menor do que um acidente de carro, por exemplo.

O pessoal por lá é muito preparado, mas se ainda assim estiver com algum receio é melhor pagar um pouco mais e ir com uma empresa mais cara, porém com os melhores equipamentos.

Mas o negócio é deixar de lado os receios e curtir o passeio, pois vale muito a pena! Sem dúvida é uma experiência para nunca mais esquecer.

Bonaire: o que ver e fazer por lá

A pequenina Bonaire é uma ilha do Caribe pouco conhecida e relativamente pouco explorada pelo turismo. Fica a cerca de 50 Km de Curaçao e é um município especial do Reino dos Países Baixos.

Aliás, eu fui meio na loucura pra lá, para aproveitar que estava em Curaçao. Antes disso nem lembro se já tinha ouvido falar em Bonaire…

É uma das chamadas “Ilhas ABC” das antigas Antilhas Holandesas, nome dado para designar o conjunto formado pelas três ilhas próximas: Aruba, Bonaire e Curaçao. As demais ilhas que formavam as Antilhas Holandesas são Saba, Santo Eustáquio e São Martinho, que ficam bem mais ao Norte.

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As três “Ilhas ABC”.

Bonaire é conhecida por ter alguns dos melhores locais para mergulho do mundo e não é à toa que grande parte da ilha é um parque nacional marinho. O windsurf e outros esportes aquáticos também são bem praticados por lá, mas o forte mesmo é o mergulho. São mais de 40 pontos de mergulho, onde se pode ir com instrutores ou por conta própria, caso já se tenha prática no esporte.

A ilha é bem diferente de Curaçao e Aruba. As três tem aproximadamente o mesmo tamanho, o mesmo tipo de vegetação e outras características semelhantes, mas Bonaire é a que manteve a natureza mais preservada e tem a menor população. Enquanto Aruba e Curaçao são mais agitadas, com bastante vida noturna, muitas lojas e shoppings, Bonaire é bem mais pacata, o turismo é menos urbano e há muito mais vida natural.

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Aterrisando em Bonaire. A cor do mar impressiona…

O que fazer

Bom, a menos que você seja muito fã de mergulho e windsurf, dificilmente vai encontrar o que fazer em Bonaire a ponto de justificar uma longa estadia por lá ou fazer uma viagem tendo a ilha como único destino.

Bonaire tem muito coral, mas muito mesmo. Por essa razão tem tanta vida marinha e ótimos locais para mergulho e snorkel, porém quase não há praias para banho. O que existem são trechos bem curtos e de areia grossa entre os corais. Na verdade as maiores beleza naturais de Bonaire estão embaixo d’agua e não nas suas praias, apesar do mar ser de águas cristalinas e com lindas tonalidades que vão do verde ao azul turquesa.

Existem apenas duas pequenas cidades: a capital Kralendijk e Rincon, que é pouco mais que um povoado no interior da ilha (e onde não há nada pra fazer). Praticamente todas as opções de hospedagem, restaurantes e lojas se concentram em Kralendijk.

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Essa “instalação” em Kralendijk ilustra bem as principais atrações de Bonaire: mergulho, windsurf, vida marinha, flamingos, burros selvagens e aves…

Kralendijk

A cidade é bonita, com coloridas construções em estilo holandês e extremamente limpa, mas é bem pequena, com população de pouco mais de 3.000 habitantes. Menos de uma hora caminhando é suficiente para conhecer todo o pequeno centro.

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A rua principal da colorida Kralendijk

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Mar de cores fascinantes em Kralendijk

Bachelor’s Beach

Bem próxima ao aeroporto, essa praia é a mais frequentada pela população local. O acesso é muito fácil e o mar calmo, mas existem apenas pequenos espaços para banho, todo o resto é coral. Um chinelo ou outro calçado é essencial para andar sobre os pedaços de coral na areia.

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Essa é a bela Bachelor’s Beach, mas repare nas formações de coral…

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…que fazem o espaço para banho ser reduzido. Por outro lado é um lugar interessante para a prática de snorkel, caiaque, etc.

Sorobon Beach (LacBay)

Além da Bachelor’s Beach, esta é praticamente a única outra opção de praia para banho em Bonaire (se não considerarmos o parque nacional e Klein Bonaire). Distante cerca de 9Km do centro de Kralendijk é também o local onde muitos vão praticar windsurf. Devido ao fato de ser cercada por uma barreira de coral e ficar numa pequena baía, essa praia parece uma imensa lagoa onde se pode caminhar por muitos metros mar adentro e a profundidade não chega a 1 metro. Junte-se a isso os ventos constantes e o lugar se torna perfeito para o windsurf.

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Sorobon Beach é uma praia meio diferente. Tem uma faixa de algas junto à areia e depois parece uma imensa lagoa muito rasa. As águas são limpíssimas e o tempo todo é possível ver peixes nadando junto aos seus pés.

Para quem nunca praticou windsurf e tem curiosidade em tentar, o local é perfeito, pois a baixa profundidade e o mar calmo tornam isso bem tranquilo. Bom, talvez não tanto para o dono deste blog, que desistiu após 20 minutos tentando se equilibrar e caindo da prancha de todas as formas imagináveis…

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Windsurf é o grande barato por lá.

Washington Slagbaai National Park

O parque nacional ocupa 1/5 da ilha, tem paisagens incríveis e diversos animais silvestres. Além disso, é lá que vive a maior concentração de flamingos da ilha. Aliás, os flamingos são o símbolo de Bonaire. A paisagem, assim como em toda a ilha, é dominada pelos cactus e plantas espinhosas.
Existem duas trilhas para carros, uma de 28Km e outra de 45Km, mas só podem ser feitas por veículos 4×4. Apesar de eu estar com uma pick-up, estava em pleno feriado de 1º de maio e me disseram na locadora que se o carro quebrasse não haveria a menor possibilidade de algum atendimento dentro do parque nesse dia, muito menos sinal de celular. Por isso andei apenas próximo à entrada.

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A paisagem é dominada por cactus e plantas espinhosas

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Um flamingo selvagem

Há também uma trilha para ser feita a pé no parque e três praias, mas não foi possível explorar isso.

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São apenas as instalações de uma pequena destilaria abandonada. Como o clima da ilha é muito seco e o lugar é isolado, essas instalações permanecem pouco degradadas, apesar de anos de abandono. Mas não há muito o que ver por lá. Se resolver explorar o local prepare-se para tomar altos sustos com os lagartos, os únicos habitantes que vivem no silêncio do lugar.

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Karpata ruins

Klein Bonaire

É uma pequena ilhota que fica a 1,2km de Bonaire e onde só é possível ir de barco. Por questão de tempo curto, não cheguei a ir a Klein Bonaire, mas parece que as praias mais bonitas da região estão lá, além de ter bons lugares para praticar snorkel.

Willem Storen lighthouse

Um antigo farol num local meio deserto da ilha. Nada de sensacional, mas pode render boas fotos.

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Willem Storen lighthouse

Uma road trip

O ideal em Bonaire é alugar um carro e percorrer as estradinhas da ilha, curtindo as paisagens e parando onde achar legal. São poucas estradas e poucos carros, de forma que não é necessário GPS ou maiores preocupações, os mapas turísticos free encontrados pela ilha são o suficiente. Existem alguns burros selvagens soltos pela ilha, além de muitos lagartos que cruzam as estradas com frequência, então é bom ser cuidadoso. Mas pra que ter pressa num lugar desses?

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Um mirante deserto. No interior da ilha é raro encontrar alguém, muitas vezes se roda por bastante tempo sem ver ninguém. Ao fundo é uma lagoa.

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As estradinhas no interior da ilha. Por serem estreitas, alguns trechos são de mão única. É importante ficar atento a isso.

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O cenário mais comum nas estradas: cactus e mais cactus

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O colorido do mar

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Corais! É a isso que me refiro quando digo que as praias de Bonaire são cheias de coral

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Uma montanha de coral… Nesta praia no lado oeste da ilha nem é possível ver a areia

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Lado oeste da ilha

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No século XVII, durante a dominação holandesa, a economia da ilha se baseava em mão de obra escrava para trabalhar na produção de milho e extração de sal. Essas pequenas cabanas eram os abrigos dos escravos e continuam preservadas à beira da estrada. São tão pequenas que é  impressionante pensar como eles viviam lá

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O pôr do sol nas salinas à beira da estrada no lado oeste da ilha. Recomendo percorrer esse trecho no final da tarde!

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No mapa os principais pontos que citei.

Mergulho

Logicamente, a principal atividade da ilha não poderia ser esquecida. Eu optei por mergulhar em Curaçao, pois como fiz praticamente um bate e volta para Bonaire havia o perigo de pegar um avião pouco tempo após o mergulho. Isso é perigoso para quem não é mergulhador profissional por causa da pressão no avião, que pode causar sérios problemas no corpo humano. Além do mais, Curaçao tem pontos de mergulho tão bons quanto Bonaire, porém em número reduzido e não tão famosos quanto os da ilha vizinha.
De qualquer forma, mergulhar em Bonaire é simples, mesmo que seja a primeira vez, pois tem muitas escolas de mergulho por lá com instrutores e tudo o que é preciso para principiantes ou profissionais.

Onde ficar

Das mesma forma que Curaçao e Aruba, Bonaire não é um destino comum para mochileiros e por isso praticamente não existem hostels e albergues. E os poucos que existem são mal localizados ou com preços que chegam perto dos praticados pelos hotéis.
Hotéis sim, há vários na ilha, porém os preços costumam ser meio altos devido à valorização da moeda local perante o real.
Eu optei por um apartamento alugado via Booking e achei que foi uma excelente escolha, tanto pelo conforto do local quanto pelo preço e localização.
O lugar parece um condomínio fechado e é tudo novo, muito limpo e bem cuidado. Havia desde “studios” para alugar (como o que fiquei) até casas de alto padrão com uma marina própria e várias outras comodidades. O “studio” era super completo, com TV, ar condicionado, água quente, geladeira, uma cozinha super completa, cafeteira com sachês de café, sanduicheira, torradeira, etc… No local existe uma piscina também:

http://www.oceanbreezebonaire.com/

Fica pertinho do aeroporto, sendo possível chegar caminhando em 10 minutos. E dista uns 3Km do centro de Kralendijk. Como alugar um carro é quase uma necessidade em Bonaire considerei muito boa a localização e certamente recomendo.

Transporte

Alugar um carro, moto, quadriciclo ou até mesmo uma bicicleta, é praticamente indispensável em Bonaire. A ilha não tem transporte público e o número de táxis é insignificante.
Sem um meio de transporte particular é extremamente complicado se locomover por lá. Se por qualquer razão você não puder alugar um carro ou outro meio, a solução é se hospedar na área central de Kralendijk e tentar fazer excursões com empresas do ramo, mas vai ser bem complicado conhecer a ilha dessa forma.

Minha experiência: no centro de Kralendijk vi uma locadora mais simples e, já imaginado que os preços poderiam ser melhores do que nas duas outras que vi antes, entrei pra ver as opções. Tinha desde bicicletas até vans para locação… Eu ia optar por um carro pequeno mas o proprietário do lugar me disse que os únicos dois que ele tinha estavam com defeito. A outra opção era uma velha pick-up Mazda cheia de pontos de ferrugem e pintura queimada de sol… Mas tinha ar condicionado, ítem bem importante no calor de rachar que estava fazendo. Dei uma pechinchada e consegui locar pelo mesmo preço dos carros que estavam com defeito. Foi uma boa, pois pude andar por lugares onde não seria possível com um carro. A caminhonete porém, estava beeem judiada e tive que fazer várias paradas para esfriar o motor que teimava em aquecer… Isso sem contar que cheirava graxa por dentro… No segundo e último dia, misteriosamente a temperatura do motor se estabilizou e não tive problemas…

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Rotina no primeiro dia: esperando esfriar o motor da pick-up…

Alimentação, gastos e idioma

A moeda usada na ilha é o dólar americano e os preços são meio salgados, principalmente para comer.  Os restaurantes não servem nada muito diferente do encontrado em Curaçao e Aruba: pratos com frutos do mar, frango, muito arroz e batata… Não é um destino para grandes experiências gastronômicas…
Uma opção mais barata que os restaurantes é comprar comida nos mercados, que têm boa variedade de produtos, muitos procedentes da Europa, mas com preços razoáveis.

Comunicação não é problema. Na ilha se fala inglês, espanhol, holandês e papiamento. Pelo que observei parece que o inglês e papiamento são os idiomas mais falados entre os moradores, mas consegui me comunicar em espanhol e com algumas arranhadas no inglês. Uma pessoa ou outra que encontrei falavam apenas inglês.

Quando ir

Qualquer época do ano, pois Bonaire, assim como as vizinhas Curaçao e Aruba, é quente o ano todo, tem pouca incidência de chuvas e está fora da rota de furacões. A temperatura média é de 28ºC. Média, pois enfrentei temperaturas ao redor de 40ºC nas horas mais quentes do dia no mês de maio.

Além de protetor solar recomendo fortemente levar repelente, pois tem muito mosquito nas áreas preservadas e no parque, a ponto de tirarem o sossego de qualquer um!

Como chegar

Não existem voos diretos do Brasil para Bonaire. A melhor opção é ir para Aruba ou Curaçao e de lá pegar um curto voo para Bonaire. O único aeroporto fica a poucos quilômetros do centro de Kralendijk. A companhia que opera voos comercias entre essas ilhas é a Insel Air, que costuma usar aviões pequenos nesse curto trajeto.

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Esses velhos Fokker 50 da Insel Air são os aviões mais usados nos vôos curtos para Bonaire. Na foto já estava no aeroporto de Kralendijk, mas confesso que dá um friozinho na barriga pensar que esses aviões tem mais de 20 anos de uso…

A Insel Air tem fama de atrasar ou cancelar voos. Por outro lado, pela primeira vez na vida eu peguei dois voos que saíram 30 minutos antes do previsto! Tanto na ida quanto no retorno. Simplesmente o pessoal do aeroporto viu que todos os poucos passageiros já haviam feito o check-in, chamou todo mundo e o avião decolou! Isso tanto no aeroporto de Curaçao quanto no de Bonaire. Por isso é bom já ir sabendo desses detalhes. Como é pouca gente que faz esse trajeto, não existe a “burocracia” dos voos convencionais.

Minha opinião

No meu ponto de vista, Bonaire é um lugar interessante para se conhecer combinado com uma viagem a Curaçao e Aruba. Me parece meio estranho alguém fazer uma viagem do Brasil unicamente para conhecer Bonaire, a menos que seja um mergulhador profissional (até mesmo porque dificilmente você conseguirá chegar lá sem passar por Curaçao e Aruba)…

Como eu estava em Curaçao, fui para Bonaire num dia de manhã e retornei no dia seguinte à noite. Acho que esse tempo foi suficiente para conhecer a ilha. Se eu tivesse mais tempo ficaria mais um dia, para visitar Klein Bonaire, que acabou ficando fora do roteiro.

Cuba VII – Cienfuegos

Outro destino que vale a pena conhecer para quem vai explorar o interior cubano é a encantadora Cienfuegos, capital da província de mesmo nome.06jan15_039_Cienfuegos_praça Jose Marti

Cienfuegos é uma cidade costeira, localizada numa baía também homônima, e que por sua beleza foi por muito tempo chamada de “a Pérola do Sul”.

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Cienfuegos está a cerca de 240 Km de Havana

A cidade foi fundada por colonos franceses em 1819 em uma região produtora de café, tabaco, manga e cana de açúcar. E seu auge foi justamente no boom da produção de açúcar no século XIX .
O que mais chama a atenção é justamente a arquitetura com influência francesa – diferente de qualquer outra cidade cubana – especialmente em torno da praça central, o Parque Martí.
Cienfuegos tem também uma bela praia, além de um “malecon” como Havana.

Vamos conhecer melhor a Pérola do Sul cubana:

Como chegar

Cienfuegos está a cerca de 240 Km de Havana. Eu cheguei de carro vindo desde Trinidad pela bela carretera 12, já citada aqui.
Os ônibus da Viazul ligam a cidade com vários destinos, como Havana, Trinidad etc.

O que fazer

O ponto central da cidade é o Parque Jose Martí (ou Plaza de Armas). É uma bela praça ao redor da qual está o conjunto arquitetônico mais interessante da cidade.  Vale a pena não só passear pelo local, como também sentar em um banco e ficar vendo a vida passar, especialmente a partir do final da tarde e à noite.

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Parque José Martí, a praça central de Cienfuegos

Entre os edifícios mais interessantes ao redor da praça estão o Palácio do Governo, Palácio Ferrer, Teatro Tomás Terry e a Catedral de Nuestra Señora de la Purísima Concepción.

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O bem cuidado Palácio do Governo

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O Palácio Ferrer é um pequeno museu e é possível subir até a torre, de onde se tem uma bela vista da praça

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O Teatro Tomás Terry

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À noite a praça fica bem animada. Esse prédio, ao lado do teatro é o Colégio San Lorenzo.

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Catedral de Nuestra Señora de la Purísima Concepción

A praça possui também um arco do triunfo (Arco de los Trabajadores), herança da colonização francesa e único existente em Cuba.

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O Arco de los Trabajadores

O Boulevard de Cienfuegos é um bem cuidado calçadão para pedestres que termina na praça e é um bom local para passear e comer, mas também é o local preferido pelos pedintes e desocupados, que com certeza irão incomodar.

Uma ótima sugestão de passeio é percorrer a pé os cerca de 4Km que separam o Parque Martí da La Punta seguindo pelo Paseo Del Prado, acompanhando o malecon de Cienfuegos. Em tempo: malecon significa uma estrutura construída para proteger a costa da ação das ondas do mar.

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Trajeto a pé do Parque José Martí até La Punta

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O malecon no trajeto até a Punta Gorda

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Vista do malecon. Apesar de bonita, a baía não está muito bem cuidada em Cienfuegos, sendo possível ver lixo no mar em alguns pontos

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Um casarão no malecon

La Punta (ou Punta Gorda) é o extremo Sul da cidade, uma pequena faixa de terra cercada pelo mar. Além da linda vista, existem alguns prédios antigos bem interessantes para serem vistos na La Punta, com destaque para o Cienfuegos Club, o Palacio Azul e o Palacio de Valle. Este último, finalizado em 1917, foi construído para ser um cassino, mas acabou nunca tendo essa função. É uma impressionante mistura de estilos gótico e indiano e conta com um minarete em estilo árabe. Hoje abriga um restaurante, mas também podem ser feitas visitas (pagas) somente para conhecer seu interior.

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Cienfuegos Club

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O Palácio de Valle fica bem no extremo de La Punta…

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…e no prédio funciona um restaurante não muito barato.

E Cienfugos também tem sua praia, a belíssima Playa Rancho Luna. Apesar de ser meio distante (18 Km do centro da cidade), vale muito a pena conhecer, as águas são transparentes e o mar praticamente sem ondas. Assim como em Trinidad, é preciso atravessar um hotel para chegar na praia, mas não se paga nada por isso. Como eu estava de carro não tive dificuldades para ir até a praia, mas creio que existam ônibus ou vans que vão até lá, além dos táxis, claro.

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Mar calmo e águas limpas na Playa Rancho Luna

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Playa Rancho Luna

Além dessas atrações, há mais algumas em Cienfuegos que não visitei por falta de tempo ou por serem mais longe da cidade, como a Fortaleza Nuestra Señora de los Ángeles de Jagua e a cachoeira El Nicho, além de passeios pela baía ou pela Lagoa Guanaroca e alguns museus.

Onde ficar

Fiquei no hostal Ksalinda e acredito que foi uma boa escolha. É a casa de família com localização mais central em Cienfuegos, pois é a única que fica no Parque Martí.

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Hostal Ksalinda. Na verdade apenas a parte direita do casarão pertence ao hostal.

O proprietário, Yosley, é meio doido e vive correndo o dia todo, mas atende super bem e está sempre disposto a ajudar. Os quartos são muito bons para o padrão cubano, com TV, ar condicionado e banheiros privativos e limpos.
O café da manhã é simples, mas bom.

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Quarto aprovadíssimo no Hostal Ksalinda…

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…com um bom banheiro também.

Cuba VI – O que ver e fazer em Trinidad

A belíssima Trinidad, uma cidadezinha colonial entre a imponente serra do Escambray e o mar do caribe, é com toda certeza uma das mais belas do interior cubano.

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Igreja e mosteiro de São Francisco, Trinidad

A combinação entre prédios históricos, estreitas ruas de pedra, boas praias e uma serra emoldurando o plano de fundo, fazem da pacata Trinidad uma cidade com atmosfera diferente do que vi em outras do interior cubano.
A cidade, que é considerada Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1988, tem uma população de pouco mais de 50 mil habitantes e uma quantidade surpreendente de edifícios históricos preservados.
O centro histórico foi restaurado há pouco tempo e está muito bonito e colorido. É fácil imaginar como era a cidade no início do século XIX, no auge do seu esplendor e riqueza devidos principalmente ao comércio de açúcar.

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Trinidad fica a 317Km de Havana

O que fazer

O ponto central da cidade e que abriga o maior número de atrações é a Plaza Mayor. Ao redor dela estão concentrados edifícios de grande valor arquitetônico.

A Igreja da Santíssima Trindade, construída no século XIX, domina a paisagem na praça.

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Igreja da Santíssima Trindade na Plaza Mayor

Ao lado da igreja, no Palácio Brunet, um grande casarão colonial, está o Museu Romântico que conta com uma exposição de móveis e objetos pertencentes às famílias ricas de Trinidad do século XIX.

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Palácio Brunet e a torre do mosteiro de São Francisco ao fundo

Bem próximo à praça fica o Museu Histórico Municipal também chamado Palacio Cantero, devido ao nome do seu ex-proprietário, um latifundiário alemão chamado Kanter. Acabei não visitando esse museu.

Também a alguns passos da praça fica a igreja e mosteiro de São Francisco. Esse é o ponto turístico que mais chama a atenção na cidade por causa da torre com um campanário visível à distância.

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Casario colonial e o Mosteiro de São Francisco

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Fachada do Mosteiro de São Francisco

Essa igreja foi construída em 1730 e em 1895 foi transformada em guarnição do exército espanhol. Em 1930 uma boa parte da edificação foi demolida, sobrando o campanário e algumas partes. Hoje o local abriga o museu de La Lucha contra Bandidos.

O museu em si não é muito interessante, a menos que você esteja MUITO interessado na história cubana, porém recomendo muito a visita pela vista que se tem do alto da torre do campanário. Com certeza é o melhor ponto para se ter uma visão panorâmica da área central da cidade.

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Vista do campanário do Mosteiro de São Francisco

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Parte do centro colonial de Trinidad e da serra do Escambray vistas do campanário do mosteiro de São Francisco

Além dessas atrações, vale muito a pena explorar com calma as estreitas ruazinhas do centro histórico e admirar a arquitetura bem preservada das casas. Há também opções muito boas de locais para comer, além de muitas lojas e barracas de artesanato.

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A Plaza Mayor num final de tarde

Pra fechar, Trinidad tem uma bela praia a 5Km do centro, a Playa Ancón. O que é um pouco estranho nessa praia é que para chegar nela é precioso atravessar um hotel (Club Amigo Costasur), pois a praia fica nos fundos.

A praia não é muito grande, mas é bonita e o mar bem calmo. A maioria dos frequentadores são os hóspedes do hotel. É possível usar os sombreros do hotel sem pagar nada ou alugar espreguiçadeiras por 2 CUCs (cerca de 4 reais). Os funcionários do hotel não se importam se você é hóspede ou não, de forma que se pode circular pela praia tranquilamente.

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Playa Ancón com o hotel ao fundo

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Playa Ancón

As opções para ir até lá são a van que sai da Rua Antonio Maceo, em frente à HavanaTur, táxi ou bike. A van tem 3 saídas diárias e custa apenas 2 CUCs (ida e volta). Os táxis ficam em torno de 5 CUCs. Bicicletas podem ser alugadas no centro e são uma boa opção, pois o caminho é bonito, mas são mais caras que a van e o sol é de rachar…

Os arredores

Fora da cidade também há alguma atrações bem interessantes. A própria estrada que liga Trinidad a Cienfuegos (carretera 12) é muito bonita, especialmente no trecho que acompanha a praia, passando por várias pontes sobre rios que deságuam no mar.

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Algumas pontes na estrada Cienfugos-Trinidad

A uns 20 quilômetros de Trinidad fica o Parque Natural Topes de Collantes. O parque faz parte do complexo montanhoso da Serra do Escambray e fica a uns 800 metros acima do nível do mar. Dentro do parque há muitas atrações naturais, como cachoeiras e trilhas. Duas cachoeiras são bem populares, o Salto del Caburni e o Vegas Grandes, mas a trilha para chegar até eles exige alguma horas de caminhada entre ida e volta. Como já era tarde quando passei pela região e precisava chegar até Cienfuegos eu desisti de ir até lá.

Um ponto de parada obrigatória na estradinha cheia de curvas de Topes de Collantes é o Mirador Del Caribe, um mirante onde se tem um ótima vista da serra, com Trinidad e o mar ao fundo.

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Uma chuva de verão prejudicou um pouco a vista do mirante no alto da serra…

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…mas depois o tempo melhorou e foi possível avistar Trinidad

Onde ficar

Eu pretendia ficar no hostal Casa Miriam, que tem excelentes indicações. Porém, como não havia feito reserva antecipada e estava lotado fiquei em outra casa indicada pela própria Miriam, a Casa Meyer.
É um bom local principalmente pela localização. Fica bem no centro e é interessante também por ser uma casa colonial que parece ter parado no tempo. Toda a decoração e mobília são muito antigas, mas tudo bem cuidado e limpo.
O meu quarto era bem simples e sem os confortos que encontrei em outras casas, como TV ou banheiro no quarto. O banheiro era coletivo e na casa não tinha café da manhã. Mas o quarto era limpo, a cama confortável e dormi bem. A proprietária não mora no local e isso é um pouco estranho, pois eu recebi as chaves do quarto e da porta de entrada e raramente via alguém por lá…  Não foi uma das melhores estadias em Cuba, mas valeu pelo custo x benefício. Se quiser pagar pouco e permanecer mais tempo na rua é uma opção válida

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A entrada da Casa Meyer, que parece ter parado no tempo

Onde comer

Trinidad tem vários bons restaurantes, a maioria se concentra no centro histórico.  Os preços são razoáveis e não optei por pratos caros. Vai de pesquisar os cardápios e preços na hora.
Se quiser gastar realmente pouco uma opção são as pizzas assadas na hora e vendidas diretamente nas portas de algumas casas, coisa comum em todas as cidades que visitei em Cuba. São pizzas pequenas para comer na rua mesmo ou levar para o local onde se está hospedado. Se você tiver bom papo consegue pagar em “moneda nacional” por valores baixíssimos.

Como chegar

Eu fui de carro alugado desde Santa Clara, via carretera 12, mas ônibus da Viazul ligam Trinidad a vários destinos de Cuba, como Havana, Varadero, Santiago de Cuba e muitos outros. O terminal de ônibus fica bem no centro da cidade. Existe também um aeroporto na cidade (Aeroporto Alberto Delgado), que opera voos regulares e fretados a partir de Havana e Varadero.

Cuba V – Cayo Santa Maria

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Playa Salinas no Cayo Santa Maria

Eis um lugar que me deixou com opiniões divididas. Cayo Santa Maria é um lugar lindíssimo, sem a menor dúvida, porém traz à tona – e de maneira explícita – as diferenças sociais existentes em Cuba, por mais que o regime diga que isso não existe.

Antes de qualquer coisa, para dar uma ideia de como é o lugar, segue uma explicação sobre o que são os chamados cayos.  Pela definição constante na Wikipédia, cayos são pequenas ilhas rasas, arenosas, formadas na superfície de um recife de coral. Frequentemente alagadiças apresentam-se cobertas de mangue em sua maior parte, e as praias são de baixa profundidade. Em geral ocorrem apenas em ambientes tropicais

Existem outros cayos em Cuba, como o Cayo Coco e o Cayo Largo, que são até mais badalados que o Santa Maria, mas não visitei esses.

O Cayo Santa Maria fica a cerca de 390 km de Havana e 120 km de Santa Clara. São várias ilhas ligadas por 46 pontes através de um estrada pavimentada de 48 Km. Essa estrada é chamada “El Pedrapen” , foi construída entre 1989 e 1999 e é impressionante, uma grande obra de engenharia do tipo que não esperamos encontrar em Cuba.

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Uma das dezenas de pontes do “El Pedrapen”

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O cair da noite na belíssima estrada do “El Pedrapen”

Cayo Santa Maria faz parte do ecossistema da Baía de Buena Vista, declarado pela UNESCO como uma “Reserva da Biosfera”. É um lugar rico em espécies endêmicas protegidas por praias de beleza incomparável, com areia branca e fina e um mar de variados tons de azul.

Pois bem, é um lugar realmente fantástico, mas por que eu disse que me deixou com opiniões divergentes? Bom, Cayo Santa Maria é uma Cuba “para turista ver”, muito diferente do que vi no restante do país. O lugar é cheio de resorts de alto luxo e quase todas as praias ficam dentro desses resorts. É possível visitar essas praias pagando uma taxa nos resorts e em alguns deles o valor pago dá direito ao consumo de comidas e bebidas. Existe uma única praia cujo acesso é livre, a belíssima Playa Salinas, a qual espero que a especulação imobiliária não transforme em particular também nos próximos anos.

O problema é que o cayo é quase inacessível para a grande maioria dos cubanos, pois além do fato de ter somente esses resorts e hotéis luxuosos e o acesso pago à maioria das praias, fica num lugar isolado e é preciso pagar pedágio (4 CUC, cerca de 4 dólares) para entrar e sair. Na verdade, até algum tempo atrás, os cubanos eram proibidos por lei de entrarem no cayo! Hoje a entrada é liberada, mas poucos têm dinheiro para pagar o pedágio.

99% dos cubanos que entram lá são empregados dos resorts, taxistas ou trabalhadores da construção civil, como era o caso de um rapaz a quem dei carona.

Então, valeu a pena sim conhecer o cayo, mas é triste pensar que um dos lugares mais lindos de Cuba não é acessível à grande maioria de seus habitantes. Se um rico turista europeu passar suas férias “internado” em um confortável resort all inclusive por lá, com certeza voltará pra casa dizendo que Cuba é maravilhosa, que tudo lá é perfeito e que o que dizem do país não condiz com a realidade. Não. Cayo Santa Maria é um mundo à parte dentro de Cuba.

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Entrada de um dos resorts do cayo

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Dentro do mesmo resort todo um “pueblo” foi reproduzido. Mas não se engane, isso nunca foi uma autêntica cidade cubana, é apenas um shopping ao ar livre para turistas endinheirados…

Como chegar

Como eu estava de carro e hospedado em Santa Clara, cheguei ao cayo sem problemas e pude circular bastante por lá. A outra forma é de taxi, que deve ser negociado nas cidades próximas. Existe também um aeroporto no cayo, mas não faço ideia dos custos de voos para lá e nem de onde partem.

O que fazer

Eu me recusei a pagar para usar as praias dos resorts e fui na Playa Salinas, a única com entrada livre (de carro deve-se entrar à esquerda na estrada de terra logo após o aeroporto). Essa praia é lindíssima e segundo o que me disseram não perde para nenhuma das que ficam nos resorts. É uma autêntica praia do caribe, com mar de águas transparentes, quase sem ondas e areia fina e branquinha. Lá encontrei apenas uma família de cubanos, uma meia dúzia de europeus e um casal de brasileiros com seu bebê.

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A belíssima Playa Salinas…

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…última opção free no cayo.

Seguindo o “El Pedrapen” por mais uns 4,5Km se chega a um delfinário, onde é possível interagir com golfinhos. Normalmente passo longe de atrações que envolvam animais confinados, mas resolvi entrar pra ver. A entrada é paga e tudo no local é bem caro, mas conversei na portaria e consegui entrar de graça. Isso porque poucas pessoas chegam lá pela estrada, a maioria vem dos resorts em catamarãs ou lanchas, como era o caso de um grande grupo de turistas que estava interagindo com golfinhos.

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Entrada do delfinário

Achei interessante por ser algo que nunca havia feito, e como os golfinhos ficam em tanques bem grandes, construídos no mar, não achei tão cruel (mas preferia vê-los livres, claro) e resolvi perguntar se podia participar. Disseram que era uma atividade apenas para os turistas que vieram nos catamarãs e pagaram um pacote para fazer isso, mas conversando consegui entrar junto com o grupo pagando uma taxa menor (algo em torno de uns 60 reais). Na verdade, tudo nesse lugar é pago, até as fotos, que são tiradas por fotógrafos quando as pessoas estão na água; mas também consegui fotos free tiradas pelo camarada que me deixou participar… 🙂 Tirando o fato dos golfinhos estarem presos, foi uma atração interessante, porém dificilmente você conseguirá participar se não fizer parte de um grupo de turistas e se não estiver hospedado nos resorts.

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No delfinário você pode interagir com golfinhos. Desde que sua carteira esteja bem recheada… 😦

O último lugar onde fui em Cayo Santa Maria foi a Playa Las Gaviotas. Essa praia fica bem no final da estrada e não pertence a nenhum resort, mas tem entrada paga (com um valor bem mais em conta, 1 CUC). Chega-se a praia através de uma trilha de uns 500 metros. É uma bela praia, mas Las Salinas é bem mais bonita. Como existe um resort próximo, havia alguns europeus e canadenses por lá. Valeu a pena para conhecer, mas é dispensável.

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Por uma trilha na mata…

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…chega-se à Playa Las Gaviotas.

Onde ficar

Nos resorts, se o seu perfil de viajante for esse. Para os mochileiros como eu as opções são as casas de família fora do cayo. Eu vim de Santa Clara, mas as cidades mais próximas são Caibarien e Remedios.

Onde comer

Nos resorts… rsrs… Possivelmente exista comida para comprar no único posto de combustível do cayo, que fica em frente ao aeroporto, mas, como tudo por lá é caro e eu estava tentando economizar ao máximo, já que estava pagando os olhos da cara no aluguel do carro, não comi nada. Havia caprichado no café da manhã no hostel e aí deixei para comer só à noite no retorno à Santa Clara. Se não quiser gastar muito e for apenas para passar o dia no cayo, o ideal é levar água e comida.

 

Cuba IV – O que ver e fazer em Santa Clara

Teatro La Caridad no Parque Leôncio Vidal, Santa Clara

Teatro La Caridad no Parque Leôncio Vidal, Santa Clara

Santa Clara está a 268Km de Havana. Capital da província de Villa Clara, a cidade fica quase no centro geográfico da ilha.

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Santa Clara teve um papel importante na Revolução Cubana quando Che Guevara descarrilou um trem blindado do exército em 1958, sendo esse ato considerado como um dos golpes finais e decisivo para a vitória dos revolucionários.

Uma característica da cidade é o ambiente um tanto mais liberal se comparado às demais cidades cubanas, principalmente devido aos cerca de 35 mil de jovens que estudam nos cinco centros universitários do local.

Como chegar

Eu fui de carro alugado, desde Havana, via Autopista Nacional. De ônibus a empresa que leva a Santa Clara é a Via Azul, consulte os horários e valores no site.

O que fazer

O principal atrativo da cidade é o
1) Memorial Che Guevara. Esse memorial é um museu com diversos artefatos relacionados ao Che e à revolução cubana. Os restos do guerrilheiro estão depositados nesse local, embora não se possa ver nenhuma tumba ou coisa parecida. Externamente chama a atenção a amplidão do lugar, com um grande estacionamento e uma imensa estátua de Che. Lembra as construções russas do tempo da Guerra Fria. Há também um grande painel com relevos alusivos aos heróis da Revolução e uma imensa reprodução da carta que Che enviou a Fidel ao deixar Cuba.

O memorial foi construído em 1997, após terem sido encontrados os restos mortais de Che Guevara.

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A amplidão do lugar lembra as construções da antiga URSS

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Painel alusivo à Revolução e a imensa estátua de Che Guevara

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Reprodução da carta enviada a Fidel por Che Guevara quando este deixou Cuba

Não sou nenhum admirador de Che & Cia., mas isso não vem ao caso. Ao se visitar um local desses estou interessado na história e na cultura do país, independente de opiniões pessoais. Ou seja, é em lugares como esse que se entende a essência da Cuba atual.

Como chegar: do Parque Leôncio Vidal, que é a praça central da cidade, são cerca de 1,7Km até o Memorial. Eu fiz o trajeto a pé e acho que é a melhor forma de ir até lá. Saindo pela extremidade da praça, próximo ao Teatro La Caridad siga pela Calle Marta Abreu por cerca de 1Km. Quando essa rua fizer a primeira curva à direita você estará nas imediações do Memorial, devendo ir para a esquerda. No caminho não deixe de ver os interessantes grafites, que são charges com críticas ao imperialismo em um muro à sua esquerda.

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Entrada: franca.

2) O terminal de ônibus intermunicipal e o “terminal” de táxis esses locais não são pontos turísticos, mas me chamaram muita atenção e já que ficam no caminho para o Memorial Che Guevara – no cruzamento das calles Marta Abreu e Amparo – vale muito a pena dar uma espiada aí. No terminal de ônibus (que não é o mesmo por onde sem chega na cidade vindo de Havana) tem uma grande quantidade de caminhões antigos com carrocerias convertidas para levar passageiros. São usados pelos cubanos nos deslocamento mais curtos, para o interior do município e para as cidades mais próximas.

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Os “ônibus” cubanos no terminal…

Mas o que mais chamou minha atenção foi uma espécie de “terminal” de táxis do outro lado da rua. Os táxis funcionam como lotações, fazendo percursos também para localidades próximas a Santa Clara. O que impressiona é que o lugar parece um imenso museu a céu aberto; havia pelo menos uns 20 carros chegando e saindo do local, todos, absolutamente TODOS dos anos 50! Nem precisei de muito esforço de imaginação para se sentir em plenos anos 50! Algo assim só é possível em Cuba!

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Anos 50? Não, esta foto foi tirada em 2015 e não é de um encontro de carros antigos!

3) Memorial do trem blindado: como já citado, Che Guevara descarrilou um trem em Santa Clara, com a ajuda dos camponeses e isso marcou o fim da ditadura de Fulgêncio Batista. O trem transportava 480 soldados e armas para a região leste de Cuba. O monumento recria o evento no local onde aconteceu e é possível ver quatro vagões blindados nas posições em que ficaram após o descarrilamento. Dentro deles há planos militares, armas e outros objetos. Até o trator usado pelos guerrilheiros para remover os trilhos do trem está preservado no local.

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Memorial do trem blindado

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Até o trator usado por Che está preservado no local

Como chegar: a pé é a melhor forma. Do Parque Leôncio Vidal ao Memorial são cerca de 700m. Se seguir pela calle Buen Viaje irá passar pela Iglesia de Buen Viaje, que não tem nada de sensacional, mas é interessante para quem aprecia. Seguindo após o memorial por mais 400m pela Avenida Liberación, existe uma estátua de Che Guevara carregando um menino (El Che com nino). Não chega a ser um ponto turístico, mas é uma bela escultura.

Também se achar interessante, no retorno pode seguir a linha do trem até a estação da cidade (600m) e voltar ao centro por outras ruas. Com alguma sorte você verá a movimentação dos trens de passageiros cubanos.

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Entrada: paga. Tem um preço para observar os vagões por fora e custa um pouco mais para vê-los por dentro.

4) Parque Leôncio Vidal: é a praça central da cidade. Local altamente recomendado para relaxar e passar o tempo sentado num banco, apenas observado a vida passar. Sempre tem bastante gente, mas é no final da tarde, quando o sol se põe e a temperatura fica mais amena, que a praça começa a encher e o pessoal fica até bem tarde da noite passeando e conversando. É o centro da vida social em Santa Clara. No meio da praça existe um coreto e com um pouco de sorte você poderá ver alguma apresentação interessante, como a ótima banda local que pude ver tocando músicas cubanas.

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Parque Leôncio Vidal, o coração de Santa Clara

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Coreto no centro do Parque Leôncio Vidal

Destaque para a imensa tranquilidade e segurança do lugar. Há crianças brincando, famílias passeando, jovens e idosos conversando… Enfim, é onde a população se reúne para conversar e fofocar.  Outra coisa bacana é que, ao contrário de Havana, ninguém vem incomodar os turistas oferecendo coisas ou pedindo dinheiro.

Ao redor da praça existem diversos edifícios históricos, com destaque para o Teatro La Caridad (não estava aberto quando estive lá, mas pelas fotos que vi, é muito bonito por dentro).

Compre alguns churros, um “refresco” ou um “helado” dos sorveteiros que ficam pela praça e relaxe sem preocupações num banco. Pertinho da praça existe também a Heladeria Coppelia, a mais famosa sorveteria cubana. Os cubanos fazem filas imensas na calçada para comprar sorvetes da Coppelia, mas os turistas entram por outro lugar, livres de filas (e pagam mais caro). Mais uma das contradições cubanas…

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A praça permanece cheia até altas horas da noite

Essas são as principais atrações da cidade, mas existem as secundárias, como o Boulevard (um calçadão para pedestres), a Catedral de Santa Clara de Assis, a Loma Del Capiro (morro de onde se pode apreciar a cidade e imediações), etc.

Onde ficar

Recomendo, sem a menor dúvida, o Hostal Ana.

Os três dias que passei na casa da Ana foram excelentes. O quarto era muito bom, limpo, com boas camas, ar condicionado, TV e banheiro.
A Ana é uma ótima pessoa, muito simpática e faz de tudo para você se sentir em casa. Além das dicas sobre as atrações de Santa Clara, me deu ótimas indicações para outras casas de família nas demais cidades que visitei depois (Trinidad, Cienfuegos e Varadero). Todas essas casas indicadas seguiam o padrão da dela: com boa localização e proprietários cordiais.
O café da manhã e demais refeições (cobrados à parte) foram muito fartos e saborosos.
A rua em frente é um pouco barulhenta, mas não chegou a ser um problema para dormir.
A casa está bem localizada, a umas 5 ou 6 quadras do Parque Leôncio Vidal, onde se chega em cerca de 10 minutos a pé.

É necessário fazer reserva com uma boa antecipação diretamente com a Ana através do e-mail anpema1962@yahoo.es

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Meu quarto no Hostal Ana: conforto e espaço de sobra

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Almoço no Hostal Ana, boa comida ao estilo cubano

Onde comer

Eu optei por comer no hostal da Ana mesmo, pois por um preço justo ela preparou ótimas refeições, o que compensou mais que procurar na rua.

Uma opção para lanches rápidos e econômicos em Santa Clara e demais cidades cubanas são as pizzas vendidas na rua, diretamente nas portas de algumas casas. São pizzas pequenas, como as “pizza brotinho” do Brasil, servidas num pedaço de papel e que as pessoas comem na rua mesmo. Custam baratíssimo e você pode pagar com “moneda nacional” se não der pinta de turista na hora de comprar.

 

Sobre viajar e ampliar seus horizontes

Gavin Aung Than é um cara que se dedicada a adaptar citações de pessoas famosas para histórias em quadrinhos. O autor é um designer gráfico que largou o emprego para se dedicar às suas paixões, ilustração e cartum, e publica seus trabalhos no seu site Zen Pencils.
Essa tirinha foi inspirada em frases de Mark Twain e pra mim guarda grandes verdades:

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San Blas, uma joia do Caribe

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Isla Franklin, San Blas, Panamá

Ahhhh… San Blas!

Até hoje me arrepio só de ouvir esse nome. San Blas foi o lugar que me inspirou a fazer o primeiro mochilão e considero um dos top five entre os lugares mais fantásticos onde já estive.

Imagine um paraíso tropical no mar do caribe, com águas azul turquesa banhando praias de areia branquíssima, do tipo que escorre completamente entre os dedos das mãos. Junte a isso coqueiros agitados pela brisa do mar, sol e uma temperatura perfeita. Sim, o paraíso existe. E isso é só uma pálida ideia do que são as ilhas do arquipélago de San Blas.

Como fui parar lá

Numa tarde em novembro de 2009 eu estava de bobeira na internet e achei uma postagem sobre San Blas no mochileiros.com. Na época o destino era tão pouco conhecido que aquilo era praticamente a única informação em português sobre o local. Ao bater os olhos nas fotos imaginei se tratar de um destino para milionários, mas comecei a ler os relatos dos mochileiros que foram pra lá gastando pouquíssimo e vi que era um sonho possível. O fato é que dois dias depois, numa decisão doida, eu estava com minhas passagens compradas e minha primeira viagem internacional marcada.
E não me arrependi! Ilhas tropicais são algo que povoa minha imaginação desde a infância e ir a San Blas foi a realização de um sonho.

Sem maiores delongas, vamos entender o essencial sobre San Blas:

O que é?

Um conjunto de 365 ilhas pertencentes ao Panamá e lar dos índios Kuna, que formam parte da comarca Kuna Yala, localizada ao longo da costa caribenha do Panamá. Costuma-se dizer por lá que San Blas tem uma ilha para cada dia do ano.

Dessas ilhas menos de 50 são habitadas e a maioria é mais ou menos do tamanho de um campo de futebol. Ou menores.

Além das ilhas, a comarca Kuna Yala tem mais de 320 mil hectares de floresta preservada no continente. É uma região indígena autônoma e qualquer exploração de recursos naturais, bem como investimentos estrangeiros, são proibidos na região.

Isso tudo faz com que San Blas seja especial. É o Caribe à moda antiga, com a natureza preservada, sem a invasão agressiva dos grandes hotéis e resorts. Um lugar para se viver uma experiência íntima com a natureza e se desconectar do restante do mundo.

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A Comarca Kuna Yala destacada em vermelho. A maioria das ilhas do arquipélago de San Blás se concentra à esquerda.

A hospedagem

Que fique bem claro, San Blas é um destino realmente rústico! A hospedagem é em cabanas de bambu cobertas com palha e onde o piso é a própria areia. Não há eletricidade durante o dia, apenas à noite e somente por algumas horas, quando os geradores a diesel são ligados. Os banheiros são coletivos e só tem água fria.

Desistiu? Calma. Leia um pouco mais…

Parece complicado, mas não é. O clima nas ilhas é perfeito, normalmente não faz um calor escaldante, pois a brisa do mar é constante, não há mosquitos ou outros insetos para perturbar nas ilhas distantes da costa. O clima é tão agradável que é possível dormir tanto nas cabanas quanto em uma rede ao ar livre.

Nos três dias e meio que fiquei por lá eu não senti a menor falta dos confortos “da civilização”, mas fica a dica: caso seu perfil de viagem não seja esse, existe a opção de hospedagem em hotéis e lodges com mais conforto dentro da comarca Kuna Yala, mas alerto que nenhum deles está localizado na parte mais bela do arquipélago. A verdadeira experiência de conhecer San Blas consiste em se hospedar nas cabanas nas ilhas.

Eu escolhi a Isla Franklin quando fui, mas há uma grande variedade de opções. Detalhe que lá eu descobri que o nome da ilha é porque Franklin era o nome do índio mais velho, que é o chefe da galera nessa ilha…

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Essas eram minhas instalações na Isla Franklin…

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E esse o interior da cabana, compartilhado com mais dois estrangeiros.

Como chegar

San Blas fica a aproximadamente 100Km da Cidade do Panamá. Para chegar são 60Km de rodovia e mais 40Km numa estrada secundária. Quando estive lá essa estrada secundária ainda estava sendo pavimentada, sendo inclusive necessário atravessar rios sem pontes para se chegar até a costa, no ponto onde se embarca para as ilhas, através de um rio que desemboca no mar. Por esse motivo o trajeto só era feito por veículos altos, do tipo 4×4. Essa dificuldade a mais de acesso tornava San Blas um destino quase exclusivo de mochileiros. Hoje a estrada secundária foi pavimentada e o transporte está mais fácil.

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No trajeto era preciso atravessar rios sem pontes

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No final da estrada de terra, o ponto de embarque para as ilhas. É necessário levar sua provisão de água potável e algum alimento adicional, como biscoitos, frutas, chocolate, etc, pois a água nas ilhas é de má qualidade e a comida preparada pelos nativos, apesar de saborosa é servida em quantidades limitadas.

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Já embarcando no rio. Note a grande quantidade de pessoas, pois era um sábado. O ideal é evitar os finais de semana, que é quando muitos panamenhos vão para as ilhas.

Eu poderia falar muito mais sobre San Blás, mas existe um excelente guia no site Melhores Destinos com todos os detalhes que você precisa saber para ir pra lá, coisa que teria sido muito útil se já existisse quando eu fui:

http://guia.melhoresdestinos.com.br/san-blas-168-c.html

Então, ao invés de falar mais sobre coisas que estão bem explicadas e repetir informações que se encontram reunidas em um único lugar, deixo apenas algumas fotos dessa joia do Caribe chamada San Blás, para servir de inspiração para quem quiser conhecer.

E claro, se tiver alguma dúvida ou quiser compartilhar sua opinião ou experiência não deixe de escrever nos comentários!

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Chegando na Isla Franklin. Coletes salva vidas era luxo quando eu fui…

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Reconhecendo o terreno…

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O quintal de casa

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Uma porção da Isla Franklin não serve para banho pelo fato do fundo do mar ser de coral, mas a vista é fantástica em todas as direções

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Vista do interior da pequena ilha, que é pouco maior que um campo de futebol.

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O arquipélago é pontilhado de ilhas de vários tamanhos, muitas delas inabitadas

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Isla Franklin

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Fim de tarde na Isla Franklin

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Isla Franklin

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A vidinha mais ou menos na ilha… 😉

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Isla Bider Topo, vizinha à Isla Franklin. Pagando poucos dólares aos nativos eles te levam para outras ilhas e voltam buscar no horário combinado.

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Isla Bider Topo. Não havia mais do que 8 pessoas nessa ilha (que é bem maior que a Franklin) nesse dia.

 

 

 

 

O Panamá é muito mais que o canal!

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Nesta sequencia de posts falarei sobre um país encantador, mas pouco lembrado pelos brasileiros quando o assunto é turismo.

É quase infalível: ao falar em Panamá, o que vem à mente em primeiro lugar? A menos que você já tenha ido pra lá, eu tenho certeza que a resposta será o Canal do Panamá. E para alguns o país é apenas um ponto de conexão rumo aos EUA.

Mas o Panamá tem encantos que vão muito além do canal!

Eu diria que de tudo que vi no país, o canal ficaria lá pelo terceiro lugar na lista das coisas mais interessantes.

Bom, essa é a minha opinião, mas talvez você concorde com ela após ler os posts sobre o país.

Falarei sobre o belíssimo arquipélago de San Blas, uma verdadeira joia pouco conhecida do Caribe.  Depois vou dividir minhas impressões sobre a Cidade do Panamá, com seu centro repleto de edifícios moderníssimos, contrastando com o bucólico bairro de Casco Viejo de um lado e as ruínas de Panama Viejo – que estão entre as mais antigas das Américas – no outro extremo.

Daremos uma passada pelo canal também, claro, e finalizaremos a trip na Província de Bocas Del Toro, uma ilha com belíssimas praias ao Norte do país, quase na fronteira com a Costa Rica.

Acho que é um roteiro perfeito para quem quiser fazer uma viagem de 7 a 10 dias pelo país.

Por hora deixo algumas fotos do Panamá como aperitivo e no próximo post começaremos a viagem!

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Dos modernos edifícios do centro da Cidade do Panamá…

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…passando pelo bucólico bairro de Casco Viejo ou…

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…pelas velhas ruínas de Panama Viejo,

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seguindo pelas paradisíacas ilhas do arquipélago de San Blas

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…ou indo até Bocas del Toro ao Norte…

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…o Panamá tem muito mais atrações que o canal (mas ok, ele é bem louco também!)