Casco Viejo, herança colonial no Panamá

O bairro de Casco Viejo foi um dos locais que mais gostei na minha viagem ao Panamá. Arrisco dizer que é o lugar mais legal dentro da Cidade do Panamá.

Também conhecido como Casco Antiguo, é o centro histórico da cidade. e considerado Patrimônio Mundial da Humanidade.

Não deve ser confundido com Panama Viejo, o que frequentemente acontece. Para se entender melhor, a coisa lá é mais ou menos assim:

A primeira cidade construída (ou o pouco que restou dela) é chamada hoje de Panama Viejo e foi fundada em 1519. Ficava mais a Nordeste e tudo ia bem até o pau quebrar feio durante um ataque de piratas em 1671. Nessa treta épica o pirata inglês Henry Morgan toca o terror e 1400 homens sob o seu comando tentam invadir e saquear a cidade. O tempo estava fechando legal pra galera que estava na cidade e para se defender o comandante espanhol local da época ordenou que explodissem os depósitos de pólvora, a fim de afastar os piratas e com isso o povo ter algum tempo pra cair fora. O jeito foi detonar boa parte da cidade para, ao menos, salvar alguns pescoços no meio do furdúncio que aquilo deve ter virado.

Os moradores que conseguiram vazar da lá e escapar dos piratas fundaram 2 anos mais tarde uma nova cidade, que fica a cerca de 10 km da antiga localidade. E essa nova cidade da época hoje já é bem velhinha e por isso é conhecida como Casco Viejo. Com o passar do tempo a região central da moderna Cidade do Panamá acabou se desenvolvendo no espaço compreendido entre as duas antigas cidades.

casco viejo mapa

O mapa da treta: a Cidade do Panamá se iniciou em Panama Viejo e tudo ia bem até os piratas tocarem o terror. Como tudo virou um salseiro, a galera fugiu e fundou Casco Viejo, onde finalmente viveram de boas. Mais tarde a parte moderna da Cidade do Panamá se desenvolveu entre esses dois locais.

O que tem pra ver

Casco Viejo é um local para ser visto a pé, até mesmo porque não é muito grande e as atrações são próximas umas das outras.

Pra facilitar as coisas segue o scan de um mapinha que peguei por lá. Vou usar os mesmos números nas dicas sobre os locais mais interessantes:

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Paseo Las Bóvedas (Calle de las Flores) (1 e 4)

Chamam esse local de vários nomes. Além dos citados é conhecido também como Paseo General Esteban Huertas e Paseo de la Veraneras.

É uma ruela muito bonita, que passa através de um túnel de flores. O local proporciona um visual incrível da parte moderna da Cidade do Panamá. Também é possível ver navios que se alinham para entrar no Canal do Panamá. Neste local existem diversas barraquinhas vendendo artesanatos e lembranças do Panamá.

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O “túnel” de flores. Por isso chamam esse trecho também de Calle de las Flores

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Um pouco mais adiante, a vista da cidade do Panamá

Plaza de Francia (2)

O Paseo Las Bóvedas passa por cima de uma muralha que, após uma curta escadaria, termina nessa simpática praça, a qual presta homenagem aos franceses que ajudaram a construir o Canal do Panamá em sua primeira fase. Existe um monumento em forma de obelisco que lembra os 22 mil homens que morreram durante a construção, principalmente devido às doenças tropicais.

Na parte de baixo da muralha existem diversas portas de velhos galpões que antes foram usados como armazénes e dormitórios e hoje são ocupados por lojas e órgãos do governo.

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Plaza de Francia

Teatro Nacional (20)

Não é algo que chame tanta atenção, mas é um belo prédio. Foi projetado pelo arquiteto italiano Genaro Ruggieri, no estilo de teatro de opereta e inaugurado em 1º de outubro de 1908. Normalmente não fica aberto para visitação.

Catedral do Panamá (17)

A catedral, cujo verdadeiro nome é Basílica de Santa Maria la Antigua começou a ser construída em 1688 e demorou 108 anos para ficar pronta. Fica na Plaza de La Independência, local que podemos considerar a parte central de Casco Viejo. Para quem conhece outras igrejas espanholas no Novo Mundo, ela segue o estilo das demais, porém se destaca por sua imponência.

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Plaza Bolívar (21)

A praça homenageia Simón Bolívar, o militar e líder político venezuelano que lutou pela independência de vários países sul-americanos da Espanha. A praça em si é simples, mas bem arborizada, sendo um bom lugar para descansar na sombra, já que sempre faz calor nessa região.

Nos arredores da praça há duas igrejas para conhecer: a Iglesia de San Felipe de Neri e a Iglesia de San Francisco.

É também um bom lugar para comer nos restaurantes que tem mesinhas nas calçadas. Uma paella que comi por lá num final de tarde, já com o sol baixando no horizonte, a brisa do mar e o calor bem mais ameno, foi uma daquelas lembranças de viagem inesquecíveis!

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Iglesia de San Francisco na Plaza Bolivar

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Rua ao lado da Plaza Bolivar

Museu do Canal do Panamá (14)

Eu confesso que pulo alguns museus nas viagens, a menos que sejam bem interessantes. Mas este é um dos que valem a pena conhecer.  É um museu bem completo, com muitas peças interessantes e audiovisuais nada cansativos que contam a história do canal, explicam como era feita a navegação na região antes da sua construção, etc. A entrada custa U$D 10.00 e como tem bastante coisa pra ver reserve no mínimo meia hora para essa atração. Horários e outros detalhes estão no site do museu.

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Museu da História do Panamá (entre o 12 e 14)

Fica ao lado do Museu do Canal. Esse sim eu achei bem chatinho, além de não ter um acervo muito grande. A não ser que você tenha muito interesse no assunto, acho que é plenamente dispensável.

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Arco Chato (8)

É um arco de 10 metros de comprimento que fica no Convento de Santo Domingo, construído no século 17, mas que pegou fogo em 1756 e nunca foi reconstruído.

O arco é interessante pelo fato de que antes da construção do Canal do Panamá, havia uma disputa com a Nicarágua, que o queria em seu território. O arco, devido ao seu comprimento e antiguidade serviu como argumento de que o Panamá não sofria com terremotos como a Nicarágua, ajudando a convencer os construtores de que o canal deveria ser feito no Panamá.

Ainda assim, o arco desabou sem motivos conhecidos em 2003, mas foi reconstruído.

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Nesse dia o Convento de Santo Domingo estava fechado para obras de restauração, mas o Arco Chato é visível através da entrada

Algumas últimas dicas:

  • Para os cinéfilos: o filme do 007 Quantum of Solace foi filmado em Casco Viejo. O Instituto de Cultura (3, junto ao teatro) foi o hotel onde o agente ficou hospedado no filme e as Ruínas del Club de Clases e Tropas (5), que você facilmente vai identificar no início do Paseo Las Bóvedas foi o cenário de um baile no filme.
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    Instituto de Cultura, o hotel onde 007 ficou hospedado…

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    Em primeiro plano as ruínas do Club de Clases e Tropas, outro cenário do filme Quantum of Solace

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    Ruínas do Club de Clases e Tropas e a Cidade do Panamá ao fundo

  • O palácio do governo do Panamá fica em Casco Viejo. Dependendo do horário é possível até mesmo ver o presidente do país chegando ou saindo do Palacio de las Garzas (24).

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    Palacio de las Garzas

  • Uma coisa a se prestar atenção: Casco Viejo faz divisa com o bairro San Felipe, que é uma zona pobre e considerada perigosa. Então tenha cuidado para não sair de Casco Viejo e entrar em San Felipe acidentalmente. Eu fiz isso e logo vi algumas pessoas me olhando de forma pouco amistosa, então voltei rapidinho por onde havia vindo.

Bom, esse é um resumão sobre Casco Viejo, mas o que posso afirmar é que o local não deve ficar de fora numa viagem à cidade do Panamá!

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Pra fechar, um belo pôr do sol visto a partir de Casco Viejo em direção ao Canal do Panamá

 

 

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San Blas, uma joia do Caribe

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Isla Franklin, San Blas, Panamá

Ahhhh… San Blas!

Até hoje me arrepio só de ouvir esse nome. San Blas foi o lugar que me inspirou a fazer o primeiro mochilão e considero um dos top five entre os lugares mais fantásticos onde já estive.

Imagine um paraíso tropical no mar do caribe, com águas azul turquesa banhando praias de areia branquíssima, do tipo que escorre completamente entre os dedos das mãos. Junte a isso coqueiros agitados pela brisa do mar, sol e uma temperatura perfeita. Sim, o paraíso existe. E isso é só uma pálida ideia do que são as ilhas do arquipélago de San Blas.

Como fui parar lá

Numa tarde em novembro de 2009 eu estava de bobeira na internet e achei uma postagem sobre San Blas no mochileiros.com. Na época o destino era tão pouco conhecido que aquilo era praticamente a única informação em português sobre o local. Ao bater os olhos nas fotos imaginei se tratar de um destino para milionários, mas comecei a ler os relatos dos mochileiros que foram pra lá gastando pouquíssimo e vi que era um sonho possível. O fato é que dois dias depois, numa decisão doida, eu estava com minhas passagens compradas e minha primeira viagem internacional marcada.
E não me arrependi! Ilhas tropicais são algo que povoa minha imaginação desde a infância e ir a San Blas foi a realização de um sonho.

Sem maiores delongas, vamos entender o essencial sobre San Blas:

O que é?

Um conjunto de 365 ilhas pertencentes ao Panamá e lar dos índios Kuna, que formam parte da comarca Kuna Yala, localizada ao longo da costa caribenha do Panamá. Costuma-se dizer por lá que San Blas tem uma ilha para cada dia do ano.

Dessas ilhas menos de 50 são habitadas e a maioria é mais ou menos do tamanho de um campo de futebol. Ou menores.

Além das ilhas, a comarca Kuna Yala tem mais de 320 mil hectares de floresta preservada no continente. É uma região indígena autônoma e qualquer exploração de recursos naturais, bem como investimentos estrangeiros, são proibidos na região.

Isso tudo faz com que San Blas seja especial. É o Caribe à moda antiga, com a natureza preservada, sem a invasão agressiva dos grandes hotéis e resorts. Um lugar para se viver uma experiência íntima com a natureza e se desconectar do restante do mundo.

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A Comarca Kuna Yala destacada em vermelho. A maioria das ilhas do arquipélago de San Blás se concentra à esquerda.

A hospedagem

Que fique bem claro, San Blas é um destino realmente rústico! A hospedagem é em cabanas de bambu cobertas com palha e onde o piso é a própria areia. Não há eletricidade durante o dia, apenas à noite e somente por algumas horas, quando os geradores a diesel são ligados. Os banheiros são coletivos e só tem água fria.

Desistiu? Calma. Leia um pouco mais…

Parece complicado, mas não é. O clima nas ilhas é perfeito, normalmente não faz um calor escaldante, pois a brisa do mar é constante, não há mosquitos ou outros insetos para perturbar nas ilhas distantes da costa. O clima é tão agradável que é possível dormir tanto nas cabanas quanto em uma rede ao ar livre.

Nos três dias e meio que fiquei por lá eu não senti a menor falta dos confortos “da civilização”, mas fica a dica: caso seu perfil de viagem não seja esse, existe a opção de hospedagem em hotéis e lodges com mais conforto dentro da comarca Kuna Yala, mas alerto que nenhum deles está localizado na parte mais bela do arquipélago. A verdadeira experiência de conhecer San Blas consiste em se hospedar nas cabanas nas ilhas.

Eu escolhi a Isla Franklin quando fui, mas há uma grande variedade de opções. Detalhe que lá eu descobri que o nome da ilha é porque Franklin era o nome do índio mais velho, que é o chefe da galera nessa ilha…

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Essas eram minhas instalações na Isla Franklin…

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E esse o interior da cabana, compartilhado com mais dois estrangeiros.

Como chegar

San Blas fica a aproximadamente 100Km da Cidade do Panamá. Para chegar são 60Km de rodovia e mais 40Km numa estrada secundária. Quando estive lá essa estrada secundária ainda estava sendo pavimentada, sendo inclusive necessário atravessar rios sem pontes para se chegar até a costa, no ponto onde se embarca para as ilhas, através de um rio que desemboca no mar. Por esse motivo o trajeto só era feito por veículos altos, do tipo 4×4. Essa dificuldade a mais de acesso tornava San Blas um destino quase exclusivo de mochileiros. Hoje a estrada secundária foi pavimentada e o transporte está mais fácil.

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No trajeto era preciso atravessar rios sem pontes

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No final da estrada de terra, o ponto de embarque para as ilhas. É necessário levar sua provisão de água potável e algum alimento adicional, como biscoitos, frutas, chocolate, etc, pois a água nas ilhas é de má qualidade e a comida preparada pelos nativos, apesar de saborosa é servida em quantidades limitadas.

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Já embarcando no rio. Note a grande quantidade de pessoas, pois era um sábado. O ideal é evitar os finais de semana, que é quando muitos panamenhos vão para as ilhas.

Eu poderia falar muito mais sobre San Blás, mas existe um excelente guia no site Melhores Destinos com todos os detalhes que você precisa saber para ir pra lá, coisa que teria sido muito útil se já existisse quando eu fui:

http://guia.melhoresdestinos.com.br/san-blas-168-c.html

Então, ao invés de falar mais sobre coisas que estão bem explicadas e repetir informações que se encontram reunidas em um único lugar, deixo apenas algumas fotos dessa joia do Caribe chamada San Blás, para servir de inspiração para quem quiser conhecer.

E claro, se tiver alguma dúvida ou quiser compartilhar sua opinião ou experiência não deixe de escrever nos comentários!

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Chegando na Isla Franklin. Coletes salva vidas era luxo quando eu fui…

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Reconhecendo o terreno…

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O quintal de casa

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Uma porção da Isla Franklin não serve para banho pelo fato do fundo do mar ser de coral, mas a vista é fantástica em todas as direções

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Vista do interior da pequena ilha, que é pouco maior que um campo de futebol.

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O arquipélago é pontilhado de ilhas de vários tamanhos, muitas delas inabitadas

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Isla Franklin

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Fim de tarde na Isla Franklin

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Isla Franklin

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A vidinha mais ou menos na ilha… 😉

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Isla Bider Topo, vizinha à Isla Franklin. Pagando poucos dólares aos nativos eles te levam para outras ilhas e voltam buscar no horário combinado.

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Isla Bider Topo. Não havia mais do que 8 pessoas nessa ilha (que é bem maior que a Franklin) nesse dia.

 

 

 

 

O Panamá é muito mais que o canal!

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Nesta sequencia de posts falarei sobre um país encantador, mas pouco lembrado pelos brasileiros quando o assunto é turismo.

É quase infalível: ao falar em Panamá, o que vem à mente em primeiro lugar? A menos que você já tenha ido pra lá, eu tenho certeza que a resposta será o Canal do Panamá. E para alguns o país é apenas um ponto de conexão rumo aos EUA.

Mas o Panamá tem encantos que vão muito além do canal!

Eu diria que de tudo que vi no país, o canal ficaria lá pelo terceiro lugar na lista das coisas mais interessantes.

Bom, essa é a minha opinião, mas talvez você concorde com ela após ler os posts sobre o país.

Falarei sobre o belíssimo arquipélago de San Blas, uma verdadeira joia pouco conhecida do Caribe.  Depois vou dividir minhas impressões sobre a Cidade do Panamá, com seu centro repleto de edifícios moderníssimos, contrastando com o bucólico bairro de Casco Viejo de um lado e as ruínas de Panama Viejo – que estão entre as mais antigas das Américas – no outro extremo.

Daremos uma passada pelo canal também, claro, e finalizaremos a trip na Província de Bocas Del Toro, uma ilha com belíssimas praias ao Norte do país, quase na fronteira com a Costa Rica.

Acho que é um roteiro perfeito para quem quiser fazer uma viagem de 7 a 10 dias pelo país.

Por hora deixo algumas fotos do Panamá como aperitivo e no próximo post começaremos a viagem!

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Dos modernos edifícios do centro da Cidade do Panamá…

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…passando pelo bucólico bairro de Casco Viejo ou…

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…pelas velhas ruínas de Panama Viejo,

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seguindo pelas paradisíacas ilhas do arquipélago de San Blas

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…ou indo até Bocas del Toro ao Norte…

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…o Panamá tem muito mais atrações que o canal (mas ok, ele é bem louco também!)