Bonaire: o que ver e fazer por lá

A pequenina Bonaire é uma ilha do Caribe pouco conhecida e relativamente pouco explorada pelo turismo. Fica a cerca de 50 Km de Curaçao e é um município especial do Reino dos Países Baixos.

Aliás, eu fui meio na loucura pra lá, para aproveitar que estava em Curaçao. Antes disso nem lembro se já tinha ouvido falar em Bonaire…

É uma das chamadas “Ilhas ABC” das antigas Antilhas Holandesas, nome dado para designar o conjunto formado pelas três ilhas próximas: Aruba, Bonaire e Curaçao. As demais ilhas que formavam as Antilhas Holandesas são Saba, Santo Eustáquio e São Martinho, que ficam bem mais ao Norte.

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As três “Ilhas ABC”.

Bonaire é conhecida por ter alguns dos melhores locais para mergulho do mundo e não é à toa que grande parte da ilha é um parque nacional marinho. O windsurf e outros esportes aquáticos também são bem praticados por lá, mas o forte mesmo é o mergulho. São mais de 40 pontos de mergulho, onde se pode ir com instrutores ou por conta própria, caso já se tenha prática no esporte.

A ilha é bem diferente de Curaçao e Aruba. As três tem aproximadamente o mesmo tamanho, o mesmo tipo de vegetação e outras características semelhantes, mas Bonaire é a que manteve a natureza mais preservada e tem a menor população. Enquanto Aruba e Curaçao são mais agitadas, com bastante vida noturna, muitas lojas e shoppings, Bonaire é bem mais pacata, o turismo é menos urbano e há muito mais vida natural.

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Aterrisando em Bonaire. A cor do mar impressiona…

O que fazer

Bom, a menos que você seja muito fã de mergulho e windsurf, dificilmente vai encontrar o que fazer em Bonaire a ponto de justificar uma longa estadia por lá ou fazer uma viagem tendo a ilha como único destino.

Bonaire tem muito coral, mas muito mesmo. Por essa razão tem tanta vida marinha e ótimos locais para mergulho e snorkel, porém quase não há praias para banho. O que existem são trechos bem curtos e de areia grossa entre os corais. Na verdade as maiores beleza naturais de Bonaire estão embaixo d’agua e não nas suas praias, apesar do mar ser de águas cristalinas e com lindas tonalidades que vão do verde ao azul turquesa.

Existem apenas duas pequenas cidades: a capital Kralendijk e Rincon, que é pouco mais que um povoado no interior da ilha (e onde não há nada pra fazer). Praticamente todas as opções de hospedagem, restaurantes e lojas se concentram em Kralendijk.

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Essa “instalação” em Kralendijk ilustra bem as principais atrações de Bonaire: mergulho, windsurf, vida marinha, flamingos, burros selvagens e aves…

Kralendijk

A cidade é bonita, com coloridas construções em estilo holandês e extremamente limpa, mas é bem pequena, com população de pouco mais de 3.000 habitantes. Menos de uma hora caminhando é suficiente para conhecer todo o pequeno centro.

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A rua principal da colorida Kralendijk

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Mar de cores fascinantes em Kralendijk

Bachelor’s Beach

Bem próxima ao aeroporto, essa praia é a mais frequentada pela população local. O acesso é muito fácil e o mar calmo, mas existem apenas pequenos espaços para banho, todo o resto é coral. Um chinelo ou outro calçado é essencial para andar sobre os pedaços de coral na areia.

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Essa é a bela Bachelor’s Beach, mas repare nas formações de coral…

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…que fazem o espaço para banho ser reduzido. Por outro lado é um lugar interessante para a prática de snorkel, caiaque, etc.

Sorobon Beach (LacBay)

Além da Bachelor’s Beach, esta é praticamente a única outra opção de praia para banho em Bonaire (se não considerarmos o parque nacional e Klein Bonaire). Distante cerca de 9Km do centro de Kralendijk é também o local onde muitos vão praticar windsurf. Devido ao fato de ser cercada por uma barreira de coral e ficar numa pequena baía, essa praia parece uma imensa lagoa onde se pode caminhar por muitos metros mar adentro e a profundidade não chega a 1 metro. Junte-se a isso os ventos constantes e o lugar se torna perfeito para o windsurf.

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Sorobon Beach é uma praia meio diferente. Tem uma faixa de algas junto à areia e depois parece uma imensa lagoa muito rasa. As águas são limpíssimas e o tempo todo é possível ver peixes nadando junto aos seus pés.

Para quem nunca praticou windsurf e tem curiosidade em tentar, o local é perfeito, pois a baixa profundidade e o mar calmo tornam isso bem tranquilo. Bom, talvez não tanto para o dono deste blog, que desistiu após 20 minutos tentando se equilibrar e caindo da prancha de todas as formas imagináveis…

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Windsurf é o grande barato por lá.

Washington Slagbaai National Park

O parque nacional ocupa 1/5 da ilha, tem paisagens incríveis e diversos animais silvestres. Além disso, é lá que vive a maior concentração de flamingos da ilha. Aliás, os flamingos são o símbolo de Bonaire. A paisagem, assim como em toda a ilha, é dominada pelos cactus e plantas espinhosas.
Existem duas trilhas para carros, uma de 28Km e outra de 45Km, mas só podem ser feitas por veículos 4×4. Apesar de eu estar com uma pick-up, estava em pleno feriado de 1º de maio e me disseram na locadora que se o carro quebrasse não haveria a menor possibilidade de algum atendimento dentro do parque nesse dia, muito menos sinal de celular. Por isso andei apenas próximo à entrada.

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A paisagem é dominada por cactus e plantas espinhosas

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Um flamingo selvagem

Há também uma trilha para ser feita a pé no parque e três praias, mas não foi possível explorar isso.

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São apenas as instalações de uma pequena destilaria abandonada. Como o clima da ilha é muito seco e o lugar é isolado, essas instalações permanecem pouco degradadas, apesar de anos de abandono. Mas não há muito o que ver por lá. Se resolver explorar o local prepare-se para tomar altos sustos com os lagartos, os únicos habitantes que vivem no silêncio do lugar.

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Karpata ruins

Klein Bonaire

É uma pequena ilhota que fica a 1,2km de Bonaire e onde só é possível ir de barco. Por questão de tempo curto, não cheguei a ir a Klein Bonaire, mas parece que as praias mais bonitas da região estão lá, além de ter bons lugares para praticar snorkel.

Willem Storen lighthouse

Um antigo farol num local meio deserto da ilha. Nada de sensacional, mas pode render boas fotos.

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Willem Storen lighthouse

Uma road trip

O ideal em Bonaire é alugar um carro e percorrer as estradinhas da ilha, curtindo as paisagens e parando onde achar legal. São poucas estradas e poucos carros, de forma que não é necessário GPS ou maiores preocupações, os mapas turísticos free encontrados pela ilha são o suficiente. Existem alguns burros selvagens soltos pela ilha, além de muitos lagartos que cruzam as estradas com frequência, então é bom ser cuidadoso. Mas pra que ter pressa num lugar desses?

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Um mirante deserto. No interior da ilha é raro encontrar alguém, muitas vezes se roda por bastante tempo sem ver ninguém. Ao fundo é uma lagoa.

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As estradinhas no interior da ilha. Por serem estreitas, alguns trechos são de mão única. É importante ficar atento a isso.

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O cenário mais comum nas estradas: cactus e mais cactus

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O colorido do mar

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Corais! É a isso que me refiro quando digo que as praias de Bonaire são cheias de coral

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Uma montanha de coral… Nesta praia no lado oeste da ilha nem é possível ver a areia

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Lado oeste da ilha

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No século XVII, durante a dominação holandesa, a economia da ilha se baseava em mão de obra escrava para trabalhar na produção de milho e extração de sal. Essas pequenas cabanas eram os abrigos dos escravos e continuam preservadas à beira da estrada. São tão pequenas que é  impressionante pensar como eles viviam lá

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O pôr do sol nas salinas à beira da estrada no lado oeste da ilha. Recomendo percorrer esse trecho no final da tarde!

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No mapa os principais pontos que citei.

Mergulho

Logicamente, a principal atividade da ilha não poderia ser esquecida. Eu optei por mergulhar em Curaçao, pois como fiz praticamente um bate e volta para Bonaire havia o perigo de pegar um avião pouco tempo após o mergulho. Isso é perigoso para quem não é mergulhador profissional por causa da pressão no avião, que pode causar sérios problemas no corpo humano. Além do mais, Curaçao tem pontos de mergulho tão bons quanto Bonaire, porém em número reduzido e não tão famosos quanto os da ilha vizinha.
De qualquer forma, mergulhar em Bonaire é simples, mesmo que seja a primeira vez, pois tem muitas escolas de mergulho por lá com instrutores e tudo o que é preciso para principiantes ou profissionais.

Onde ficar

Das mesma forma que Curaçao e Aruba, Bonaire não é um destino comum para mochileiros e por isso praticamente não existem hostels e albergues. E os poucos que existem são mal localizados ou com preços que chegam perto dos praticados pelos hotéis.
Hotéis sim, há vários na ilha, porém os preços costumam ser meio altos devido à valorização da moeda local perante o real.
Eu optei por um apartamento alugado via Booking e achei que foi uma excelente escolha, tanto pelo conforto do local quanto pelo preço e localização.
O lugar parece um condomínio fechado e é tudo novo, muito limpo e bem cuidado. Havia desde “studios” para alugar (como o que fiquei) até casas de alto padrão com uma marina própria e várias outras comodidades. O “studio” era super completo, com TV, ar condicionado, água quente, geladeira, uma cozinha super completa, cafeteira com sachês de café, sanduicheira, torradeira, etc… No local existe uma piscina também:

http://www.oceanbreezebonaire.com/

Fica pertinho do aeroporto, sendo possível chegar caminhando em 10 minutos. E dista uns 3Km do centro de Kralendijk. Como alugar um carro é quase uma necessidade em Bonaire considerei muito boa a localização e certamente recomendo.

Transporte

Alugar um carro, moto, quadriciclo ou até mesmo uma bicicleta, é praticamente indispensável em Bonaire. A ilha não tem transporte público e o número de táxis é insignificante.
Sem um meio de transporte particular é extremamente complicado se locomover por lá. Se por qualquer razão você não puder alugar um carro ou outro meio, a solução é se hospedar na área central de Kralendijk e tentar fazer excursões com empresas do ramo, mas vai ser bem complicado conhecer a ilha dessa forma.

Minha experiência: no centro de Kralendijk vi uma locadora mais simples e, já imaginado que os preços poderiam ser melhores do que nas duas outras que vi antes, entrei pra ver as opções. Tinha desde bicicletas até vans para locação… Eu ia optar por um carro pequeno mas o proprietário do lugar me disse que os únicos dois que ele tinha estavam com defeito. A outra opção era uma velha pick-up Mazda cheia de pontos de ferrugem e pintura queimada de sol… Mas tinha ar condicionado, ítem bem importante no calor de rachar que estava fazendo. Dei uma pechinchada e consegui locar pelo mesmo preço dos carros que estavam com defeito. Foi uma boa, pois pude andar por lugares onde não seria possível com um carro. A caminhonete porém, estava beeem judiada e tive que fazer várias paradas para esfriar o motor que teimava em aquecer… Isso sem contar que cheirava graxa por dentro… No segundo e último dia, misteriosamente a temperatura do motor se estabilizou e não tive problemas…

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Rotina no primeiro dia: esperando esfriar o motor da pick-up…

Alimentação, gastos e idioma

A moeda usada na ilha é o dólar americano e os preços são meio salgados, principalmente para comer.  Os restaurantes não servem nada muito diferente do encontrado em Curaçao e Aruba: pratos com frutos do mar, frango, muito arroz e batata… Não é um destino para grandes experiências gastronômicas…
Uma opção mais barata que os restaurantes é comprar comida nos mercados, que têm boa variedade de produtos, muitos procedentes da Europa, mas com preços razoáveis.

Comunicação não é problema. Na ilha se fala inglês, espanhol, holandês e papiamento. Pelo que observei parece que o inglês e papiamento são os idiomas mais falados entre os moradores, mas consegui me comunicar em espanhol e com algumas arranhadas no inglês. Uma pessoa ou outra que encontrei falavam apenas inglês.

Quando ir

Qualquer época do ano, pois Bonaire, assim como as vizinhas Curaçao e Aruba, é quente o ano todo, tem pouca incidência de chuvas e está fora da rota de furacões. A temperatura média é de 28ºC. Média, pois enfrentei temperaturas ao redor de 40ºC nas horas mais quentes do dia no mês de maio.

Além de protetor solar recomendo fortemente levar repelente, pois tem muito mosquito nas áreas preservadas e no parque, a ponto de tirarem o sossego de qualquer um!

Como chegar

Não existem voos diretos do Brasil para Bonaire. A melhor opção é ir para Aruba ou Curaçao e de lá pegar um curto voo para Bonaire. O único aeroporto fica a poucos quilômetros do centro de Kralendijk. A companhia que opera voos comercias entre essas ilhas é a Insel Air, que costuma usar aviões pequenos nesse curto trajeto.

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Esses velhos Fokker 50 da Insel Air são os aviões mais usados nos vôos curtos para Bonaire. Na foto já estava no aeroporto de Kralendijk, mas confesso que dá um friozinho na barriga pensar que esses aviões tem mais de 20 anos de uso…

A Insel Air tem fama de atrasar ou cancelar voos. Por outro lado, pela primeira vez na vida eu peguei dois voos que saíram 30 minutos antes do previsto! Tanto na ida quanto no retorno. Simplesmente o pessoal do aeroporto viu que todos os poucos passageiros já haviam feito o check-in, chamou todo mundo e o avião decolou! Isso tanto no aeroporto de Curaçao quanto no de Bonaire. Por isso é bom já ir sabendo desses detalhes. Como é pouca gente que faz esse trajeto, não existe a “burocracia” dos voos convencionais.

Minha opinião

No meu ponto de vista, Bonaire é um lugar interessante para se conhecer combinado com uma viagem a Curaçao e Aruba. Me parece meio estranho alguém fazer uma viagem do Brasil unicamente para conhecer Bonaire, a menos que seja um mergulhador profissional (até mesmo porque dificilmente você conseguirá chegar lá sem passar por Curaçao e Aruba)…

Como eu estava em Curaçao, fui para Bonaire num dia de manhã e retornei no dia seguinte à noite. Acho que esse tempo foi suficiente para conhecer a ilha. Se eu tivesse mais tempo ficaria mais um dia, para visitar Klein Bonaire, que acabou ficando fora do roteiro.

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